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    Condomínios populares se tornaram pontos de tráfico em SC

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    Por Ânderson Silva
    20/09/2018 - 03h00 - Atualizada em: 20/09/2018 - 13h22

    Mais uma vez, os condomínios populares do Minha Casa, Minha Vida estão nas páginas policiais em Santa Catarina. Na última quarta-feira (19), a Polícia Civil fez uma operação com 38 presos no Residencial Trentino, em Joinville, no Norte do Estado. Os trabalhos se focaram no combate às organizações criminosas e ao furto de energia elétrica.

    Não é a primeira vez que os prédios da Zona Sul da maior cidade catarinense são alvos das forças de segurança. Em outras oportunidades, os agentes também prenderam suspeitos, além de já terem atendido ocorrências de assassinatos no local. A criminalidade nos condomínios do Minha Casa, Minha Vida, não é uma exclusividade de Joinville.

    Em Blumenau, por exemplo, a maioria das grandes operações da Polícia Civil dos últimos anos teve como alvo os prédios espalhados pela cidade. Depois da tragédia de 2008, o governo federal construiu residenciais em diferentes bairros para atender os desabrigados. Desde a inauguração das estruturas, no entanto, ele se tornaram pontos de tráfico de drogas. O mesmo ocorreu em Criciúma, no Sul do Estado, e em Palhoça, na Grande Florianópolis. 

    Em todos os casos, moradores beneficiados pelo programa foram expulsos por traficantes em busca de espaços. Há casos, inclusive, de síndicos destituídos por criminosos. Em um dos prédios de Blumenau, por exemplo, o tráfico tomou conta de um imóvel e o pintou com um cor diferente para usar como ponto de venda de drogas.

    Há que se dividir, contudo, o perfil dos moradores desses condomínios. De um lado, em sua imensa maioria, estão pessoas de baixa renda em busca de uma moradia digna, o grande objetivo do projeto. Do lado oposto está a fatia criminosa, infiltrada de diferentes formas. Ela é pequena, mas capaz de dominar os residenciais e torná-los pesadelos para os proprietários. Muitas pessoas desistiram dos apartamentos em diferentes cidades. Preferiram abrir mão do sonho da casa própria com baixo custo para ficar com a paz. 

    Basta uma pequena conversa com moradores desses condomínios para entender a raiz do problema: assistência social. Os prédios vieram como uma estrutura física capaz de solucionar o problema de habitação, mas não trouxeram o atendimento básico para as comunidades que se formaram.

    No Bairro Progresso, em Blumenau, foram construídos 540 apartamentos ocupados por pessoas vindas de áreas vulneráveis onde os serviços já eram precários. Sem a presença do poder público para os cuidados assistenciais, os condomínios se tornaram caso de polícia. Agora, o problema precisa ser enfrentado de outras formas. Mas, se depois das operações a assistência social estiver presente, ainda podemos ter um futuro diferente para os moradores dos prédios populares catarinenses. Não é preciso ir muito longe para se inspirar. Há dentro do próprio projeto modelos que deram certo em SC.

     

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