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Saúde

Como evitar acidentes domésticos com crianças durante a pandemia

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Por Carol Bandeira
23/03/2021 - 06h00
criança brincando
As crianças como parte de seu desenvolvimento normal, possuem comportamento aventureiro, curioso e explorador (Foto: Pexels, banco de imagens)

O momento atual exige atenção, paciência e resiliência de todos. A pandemia do Covid-19 modificou nossas atividades, rotinas e modo de trabalhar. Nós pais precisamos conciliar home office com os estudos e cotidiano dos filhos pequenos, lidando com aspectos sociais e psicológicos deste momento. Nesse contexto, infelizmente, aumentou a incidência de acidentes domésticos – intoxicações, ingestão e aspiração de corpos estranhos e outros. Pensando nisso, convidei a médica Camila Witeck, especialista em gastroenterologia e endoscopia pediátrica para falar sobre este assunto.

As crianças como parte de seu desenvolvimento normal, possuem comportamento aventureiro, curioso e explorador, e o maior acesso aos produtos domésticos de limpeza e objetos de riscos predispões a acidentes, principalmente naquelas crianças menores de 5 anos.

Não há dúvidas que o alcool 70%, assim como o hipoclorito de sódio (água sanitária) tornaram-se muito mais presentes no nosso dia-a-dia desde março de 2020, e consequentemente, houve aumento do número de acidentes com estes agentes. Em nota técnica, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), emitiu alerta sobre as intoxicações por álcool em comparação ao mesmo período do ano anterior, com elevação de 417,64% no número de ocorrências nas crianças. Em relação ao hipoclorito, a maior preocupação são com os produtos clandestinos, nos quais a concentração de cloro apresenta maior risco de lesões cáusticas de trato gastrointestinal. A água sanitária comercial apresenta concentrações de cloro entre 2 e 2,5 %, com baixo, porém não ausente, risco de lesões graves quando ingeridas pequenas quantidades de forma acidental. No caso de acidentes, deve-se identificar o produto de forma detalhada, realizar contato com Centro de Informação e Assistência Toxicológica (0800 643 5252) para auxílio em condutas específicas para cada caso, e nunca provocar vômitos refere a especialista.

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A maior incidência de aspiração de corpo estranho ocorre em crianças menores de três anos de idade, relacionada ao processo de aprendizado da mastigação associado ao fato das crianças brincarem, rirem ou chorarem durante a alimentação. Naquelas crianças maiores, o acidente acontece quando utilizam a boca para guardar um objeto quando as mãos estão ocupadas, ressalta Camila. 

Em trabalho realizado pelo médico Felippe Flausino, cirurgião pediátrico, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas da UFSC, que estudou 342 crianças atendidas no Hospital Infantil Joana de Gusmão, de 1980 a 2018, por aspiração de corpo estranho e demonstrou que na grande maioria dos casos a aspiração foi presenciada pelo responsável da criança. Amendoim foi o principal vilão dos acidentes (126 casos) estando o milho, pipoca e feijão também envolvidos nos casos de aspiração. Materiais metálicos, partes de canetas, apitos estiveram entre os objetos aspirados entre as crianças e adolescentes. Este estudo reforça as recomendações de não permitir que as crianças coloquem objetos na boca mesmo sob nossa supervisão e de que amendoim, pipoca e milho não devem ser oferecidos para crianças menores de 4 anos.

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Camila relata que quanto aos objetos engolidos, toda atenção deve ser dada àqueles mais perigosos: baterias, imãs, objetos perfurantes e cortantes (palitos, ossos, vidros, alfinetes, agulhas, pregos). A ingestão de corpo estranho também é predominantemente na faixa etária pediátrica, sendo que 75% ocorre abaixo de 5 anos. A remoção endoscópica é necessária em 10-20% dos casos. As baterias do tipo disco, quando ingeridas podem causar lesões graves, as lesões se iniciam em até duas horas após a ingestão e é considerado uma emergência médica. Podem ser encontradas em relógios, calculadoras, brinquedos, controles remotos de portão e em diversos outros objetos comuns em nossas casas.

Para definirmos a conduta frente a uma criança que engoliu um objeto, avalia-se uma somatória de variáveis – como idade do paciente, objeto ingerido, tempo de ingestão, localização do objeto, sintomas e acesso à endoscopia digestiva. Os sintomas associados são dor no peito, falta de ar, dificuldade para engolir, salivação excessiva, vômitos, engasgos. A conduta imediata é procurar uma unidade de pronto-atendimento para avaliação inicial pelo pediatra, não provocar vômitos e manter a criança em jejum. O pediatra avalia, e entra em contato com a referência em endoscopia pediátrica para definir a conduta.

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Como prevenir?

A prevenção dos acidentes deve ser sempre o alvo para pais e pediatras, assim revisar o ambiente domiciliar constantemente torna-se essencial.

- Dar preferência à higienização das mãos com água e sabonete, deixando o uso do alcool 70% para situações fora do domicílio.

- O álcool (em líquido ou gel) é um produto inflamável, e pode causar acidentes com fogo ocasionando queimaduras. Ao aplicar o álcool 70% deve-se manter afastado de fontes de fogo e calor.

- O álcool gel poderá ser extensivo ao uso infantil, desde que aplicado por adulto ou sob sua supervisão, não poderá ser apresentado sob a forma de aerossol.

- Os materiais de limpeza, cosméticos, medicamentos, devem estar em suas embalagens originais e fora do alcance, em armários altos e trancados;

- Guardar os produtos de limpeza assim que terminar o seu uso, e considerar portões de segurança na cozinha e área de serviço.

- O momento da alimentação deve ser realizado com a criança sentada e calma. Os alimentos com risco potencial para a aspiração: sementes, amendoim, castanha, nozes, milho, feijão, pedaços de carne e queijo, uvas inteiras, salsicha, balas duras, pipoca, chicletes.

- Supervisione a alimentação de crianças pequenas, fique atento às crianças mais velhas. Muitos acidentes ocorrem quando irmãos ou irmãs mais velhas oferecem objetos ou alimentos perigosos para os menores.

- Revisar os brinquedos e a faixa etária correspondente devido às peças pequenas, bem como checar se há partes quebradas - providenciando o conserto ou descarte adequado.

- Não deixar ao alcance das crianças baterias, imãs, moedas, agulha, pregos.

Vamos estar atentos as nossas crianças!

Carol Bandeira

Colunista

Carol Bandeira

Mãe de 3, especialista e uma das referências no país em nutrição materno-infantil. É empreendedora, docente e pesquisadora. Ajuda pais e nutricionistas a nutrir com amor as futuras gerações.

siga Carol Bandeira

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