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Análise política

Contra o preconceito

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Por Carolina Bahia
09/09/2019 - 06h05
(Foto: Fernando Souza/AFP)

Censura aos quadrinhos com beijo gay, recolhimento de cartilhas em São Paulo, proibição de exposição com críticas ao presidente Jair Bolsonaro na Câmara de Vereadores em Porto Alegre. Mais do que medidas de violência à liberdade de expressão, essas ações, que tiveram como protagonistas lideranças políticas regionais, têm uma motivação pouco nobre: as eleições.

Na ânsia de surfar na pauta conservadora de Bolsonaro, quem pretende se submeter ao julgamento das urnas encontra na questão dos costumes um prato cheio para tentar cativar um eleitorado que ainda se deixa iludir. Afinal, em um país com 13 milhões de desempregados, falta de leitos nos hospitais e vagas em creches, quem pode imaginar que um prefeito tenha tempo de se preocupar com o conteúdo de uma história em quadrinhos?

O ano de 2019 será marcado por essa exploração da pauta de costumes, que mergulha no obscurantismo e desvia a atenção da incompetência das autoridades em lidar com chagas bem mais profundas.

Em sintonia

Líder do governo na Câmara e em campanha à prefeitura de São Paulo, Joice Hasselmann (PSL-SP) fez questão de destacar nas redes sociais que estava com um vestido quase igual ao da primeira-dama, Michele Bolsonaro, no Desfile de Sete de Setembro. Elas estavam ao lado do empresário Luciano Hang. Aliás, Bolsonaro fez questão de mostrar que conta com apoio de nomes importantes do setor privado.

Defeso

Uma lei que tramita na Câmara pode afetar diretamente os pescadores do Estado. Foi aprovado na Comissão de Trabalho texto que estabelece normas especiais para seguro-desemprego ao pescador profissional dispensado pela empresa no período do defeso. A proposta ainda precisa passar pelo plenário.

Ex-amor

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AM), não esconde a irritação com senadores que insistem na criação da CPI da Lava-Toga. A indignação alcançou o ponto máximo em uma reunião em que um dos senadores insinuou que Alcolumbre teria interesses escusos. Vale lembrar que a última CPI com algum resultado prático foi a dos Correios, em 2005.

Bem amigos

Para tentar abafar os boatos de que está trabalhando para esvaziar a força política do ministro da Justiça, Sérgio Moro, o presidente Jair Bolsonaro aproveitou a cerimônia de Sete de Setembro para prestigiá-lo. Assessores do ministro ainda não se convenceram.

Estão esperando sinais mais concretos, como respeito à independência da Polícia Federal.

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