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    Direto de Brasília

    Coronavírus engole a polarização

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    Carolina
    Por Carolina Bahia
    21/03/2020 - 09h16
    Presidente Jair Bolsonaro concedeu entrevista coletiva acompanhado de autoridades da Saúde (Isac Nobrega / PR)
    Presidente Jair Bolsonaro concedeu entrevista coletiva acompanhado de autoridades da Saúde (Isac Nobrega / PR)

    Quem tem juízo no país já se deu conta que existe uma nova pauta econômica e política mundial. O efeito da pandemia do coronavírus se sobrepõe à polarização que serviu de combustível para a eleição do presidente Jair Bolsonaro. Mesmo com a oposição praticamente apagada, os bolsonaristas vivem da guerra contra algum inimigo: o desarmamento, o comunismo, o PT, o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal. Mas, agora, nada disso faz mais sentido. Diante da gravidade da evolução da doença, todos os esforços precisam estar concentrados em uma prioridade.

    Como presidente da República, Bolsonaro tem a obrigação de liderar o Brasil no que diz respeito às medidas restritivas e nas ações para mitigar a paralisação da economia. O sistema de saúde precisa estar preparado para os próximos meses, quando a doença chegar ao momento mais agudo no país. Profissionais de saúde merecem atenção e equipamentos adequados para exercer o ofício.

    Enfim, há muito o quê fazer. Cartazes pedindo intervenção militar ou o fim do Congresso como vimos na manifestação do último domingo, dia 15 de março, portanto, passam a ser ainda mais descolados da realidade.

    Até que ponto essa nova ordem mundial vai influenciar nas próximas eleições, ainda é cedo para dizer. O que já se pode concluir é que governadores e prefeitos com capacidade de decisão e planejamento estão saindo na frente. A segunda etapa deste processo será o atendimento às pessoas e a terceira, a economia. Para as reformas administrativa e tributária, o ano já está perdido.

    A eficiência da equipe econômica montada por Bolsonaro será testada agora pela capacidade de tomar medidas de curto prazo. O ministro Paulo Guedes terá mesmo que honrar o apelido de “Posto Ipiranga”. Bolsonaro bem que tentou continuar apegado à prática da cortina de fumaça. Fez até pouco caso do coronavírus. Foi, no entanto, engolido por casos confirmados de Covid-19 na própria equipe.

    A insatisfação apareceu na forma de panelaços contra o presidente e até mesmo com críticas de aliados. Ninguém sabe como sairemos dessa crise, mas que será um outro país, isso já é certo.

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