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    Oposição

    Por onde anda mesmo a oposição?

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    Carolina
    Por Carolina Bahia
    23/05/2020 - 08h00
    Jair Bolsonaro
    Presidente Jair Bolsonaro (Foto: Pedro Ladeira / Folhapress)

    Embora seja apontada pelo presidente da República e aliados como a grande inimiga e mal maior, a oposição brasileira continua sem rumo, congelada nas pautas dos anos 1980. Todas as crises que Jair Bolsonaro enfrentou até agora foram fruto única e exclusivamente de fabricação própria.

    A coluna desafia um militante de camisa amarela ou um de camisa vermelha a apontar qual o real problema produzido pelos partidos de esquerda. Da briga com o PSL ao processo sobre a intervenção na Polícia Federal, todos esses percalços têm a digital do dono da cadeira presidencial. E não venham me dizer que Sergio Moro ou o general Santos Cruz - dois dos nomes que saíram do governo - são comunistas. Aí já seria abuso de fake news.

    As esquerdas até agora não conseguiram se recuperar da derrota das últimas eleições. Grande líder do PT, nem mesmo o ex-presidente Lula resgatou o protagonismo depois de solto. Pelo contrário, resolveu concorrer com Bolsonaro no concurso de frases bizarras. Em uma transmissão ao vivo, o ex-presidente afirmou:

    – Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus. Porque esse monstro está permitindo que os cegos enxerguem, que os cegos comecem a enxergar, que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises.

    Sentença infeliz. Um dia depois, ele publicou nota pedindo desculpas. Milhares de brasileiros já morreram em razão do coronavírus. Não existe “ainda bem”, ninguém de bom senso enxerga lado bom. No Congresso, em razão de mágoas antigas, as esquerdas encontram dificuldade de afinar o discurso.

    Algumas bandeiras, reforçadas pelo voto de outros partidos, foram vitoriosas, como o aumento de R$ 200 para R$ 600 do benefício aos trabalhadores informais. Mas a marca do programa é do Palácio do Planalto. Também houve a batalha pelo adiamento do Enem, mas virou uma bandeira dos educadores de bom senso.

    O fato é que apesar da crise política constante do governo Bolsonaro e até da queda de popularidade do presidente, diante da falta de postura no combate à pandemia, a oposição não conseguiu encontrar um lugar e nem mesmo um discurso voltado à nova realidade do mundo do trabalho. As eleições de 2022 estão distantes, é verdade. Hoje, no entanto, a oposição não tem um um nome competitivo, nem uma cara nova.

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