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Análise política

Preço do diesel e o Bolsonaro raiz

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Por Carolina Bahia
13/04/2019 - 03h40
(Foto: Alan Santos / Presidência da República/Divulgação)

Jair Bolsonaro pode ser acusado de várias falhas, mas jamais de praticar estelionato eleitoral. Na presidência ele é o que foi como deputado federal e o que desfilou nas redes sociais como candidato. Quem alega espanto é porque não prestou atenção. Portanto, a decisão de intervir na Petrobras e barrar o aumento do preço do diesel não surpreende. Bolsonaro jamais foi um liberal de carteirinha, pelo contrário.

Essa é a bandeira do ministro Paulo Guedes (Economia), que nunca escondeu que precisou convencer o chefe. Além disso, o presidente sempre ostentou forte relação com caminhoneiros e transportadoras. Diante do risco de enfrentar uma paralisação do setor, não teve dúvida: levantou o telefone e mandou o presidente da petroleira cancelar o aumento. Nos próximos dias, haverá reunião com técnicos sobre a formação de preço do diesel. 

– Se me convencerem, tudo bem, se não me convencerem, tudo bem. Não é resposta adequada para vocês, não sou economista, já falei. Quem entendia de economia afundou o Brasil, tá certo? 

O presidente tem razão neste ponto. A ex-presidente Dilma Rousseff era economista e errou feio ao intervir na petroleira, à época, para controlar a inflação. Mas parece inusitado que Bolsonaro tenha passado por todo o período de transição e mais de três meses de governo sem entender como funciona a formação da política nacional de preços dos combustíveis. Chefe da equipe econômica, o liberal de raiz, Guedes, deve estar arrancando os cabelos.

As ações da Petrobras despencaram e a credibilidade do governo junto ao mercado fica fragilizada. O importante, agora, é que o governo estabeleça regras estáveis para os combustíveis, sem sobressaltos populistas. A curto prazo esse tipo de decisão faz a alegria do eleitorado, mas não ajuda na recuperação da economia. Bolsonaro também se manifestou pela primeira vez sobre o crime cometido contra uma família. Militares atiraram 80 vezes contra um carro, matando um pai em frente ao filho de sete anos. Ele lamentou a morte de um trabalhador honesto:

– O Exército não matou ninguém. O Exército é do povo e não pode acusar o povo de ser assassino, não. Houve um incidente, uma morte.

Vai que cola

Gabinete Peninha / Divulgação
(Foto: )

Durante a Marcha dos Prefeitos, o deputado Rogério Peninha (MDB-SC) lançou o colega de partido Alceu Moreira (RS) para a presidência nacional do partido. Empolgado, Peninha disse que a disputa Ibaneis Rocha (governador do Distrito Federal) contra Alceu será a velha contra a nova política. 

Armamento

Responsável pelo relatório do projeto que flexibiliza a lei do desarmamento, o deputado Peninha (MDB) foi avisado pelo Palácio do Planalto que deveria permanecer em Brasília no final de semana. Ele poderá ser chamado para reuniões sobre o assunto. Há uma ideia no governo de resgatar pontos da proposta. O curioso é que logo depois da tragédia em Suzano (SP) - quando dez pessoas foram assassinadas por homens que entraram em uma escola atirando - o deputado havia comentado com a coluna que não havia clima para retomar o debate da defesa do porte de armas. Se depender do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) assuntos polêmicos ficarão em banho e maria.

Foco 

Enquanto o MEC perdeu cem dias nas mãos de um ministro despreparado, prejudicando 45 milhões de estudantes, a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) defende urgência para o projeto que regulamenta o ensino em casa. Segundo a ministra, 20 mil famílias têm interesse no assunto.

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