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    "Queremos o julgamento de Moro"

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    Carolina
    Por Carolina Bahia
    08/11/2019 - 17h30 - Atualizada em: 08/11/2019 - 19h40
    Pedro Uczai, do PT (Foto: Divulgação)
    Pedro Uczai, do PT (Foto: Divulgação)

    A coluna conversou com o catarinense Pedro Uczai (PT), deputado federal que protagoniza um fato inédito no país: dos 19 parlamentares do estado, foi o único que votou contra a reforma da Previdência. Uczai é professor universitário, foi deputado estadual e prefeito de Chapecó. Está no terceiro mandato na Câmara.

    O que muda com Lula fora da prisão?

    Os deputados vão para São Bernardo do Campo neste final de semana para recepcioná-lo. O que queremos agora não é só a liberdade do Lula, mas o julgamento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro (ministro da Justiça) do processo. A próxima etapa da luta é inocentá-lo, porque não há crime nem prova.  Agora, o ex-presidente precisa pacificar o Brasil, ouvindo o povo.

    Como é sua relação com a bancada catarinense?

    O partido Novo das velhas e fracassadas ideias é que digladia ideologicamente, mas nada de desrespeito pessoal. Aos demais, tenho profundo respeito, tanto é que no debate de emendas de bancada não fiquei isolado. Propus apoio de R$ 11 milhões aos institutos federais catarinenses e deu ampla maioria a favor. 

    É mais fácil ser situação ou oposição?

    É mais fácil ser oposição, porque quando tu és governo, tens mais responsabilidade em criar políticas públicas e resultados.  

    Por que o movimento Bolsonaro deu tão certo em Santa Catarina?

    Foi um discurso de antipolítica, anticorrupção, antissistema. A esquerda não teve capacidade política de polarizar um projeto alternativo no próprio Estado. É uma região conservadora e a classe média reagiu de forma conservadora às politicas públicas do PT, como as cotas. Mas em outros momentos, em 2002, Lula fez 62% dos votos em Santa Catarina. Vivemos agora onda conservadora.

    O que o senhor acha do governo de Carlos Moisés (PSL)?

    Ele tem um perfil diferente do governo Bolsonaro no aspecto da gestão, do trato com a coisa pública e com a sociedade. Não é essa ofensividade combativa de eleger inimigos e traz pautas polêmicas, mas necessárias, como a tributação verde, que retira a isenção fiscal dos agrotóxicos.

    Não é possível o empresário e o povo pagarem tributo e uma empresa multinacional, que tem lucros bilionários, não pagar. Além do mais, o SUS gasta milhões para atender a saúde da população, pelo uso excessivo do veneno causado pela isenção. 

    Como o PT está se articulando para as eleições municipais? 

    A gente quer ter o máximo de candidatos do partido a prefeito e vereadores. Então a minha leitura é que a esquerda cresce no ano que vem. 

    O senhor será candidato à prefeitura de Chapecó?

    Se o partido avaliar que eu deva ser candidato, nós vamos discutir. Também tem outros nomes fortes no partido. Mas temos que ver se devo continuar aqui na Câmara, já que sou o único deputado federal do PT no estado. 

    Qual a sua opinião sobre a fusão de pequenos municípios prevista no pacto federativo apresentado pelo governo?

    Vou votar contra quando a PEC chegar à Câmara. Em Santa Catarina, são 39 municípios com menos de 5 mil habitantes e arrecadação própria menor que 10% da receita total. Desses, 30 são do meu Oeste. Eu era contra criar novos municípios, mas agora que estão estruturados, nada indica que essa mudança vá melhorar a vida do povo desses municípios. 

    Por que o senhor é favorável ao Fundo Partidário, o Fundão?

    Demonizar o Fundão é cair nos braços de uma elite econômica que vai financiar as campanhas para corromper a área pública. O PT se utilizou de dinheiro privado para fazer campanha, e essa é uma autocrítica que precisamos fazer porque não propusemos uma reforma política. Se tem uma coisa boa que a Operação Lava-Jato fez foi essa: trazer à tona a relação promíscua entre empresariado e política. 

    O senhor recebe críticas por ter gastado 97% do orçamento total da verba de gabinete?

    Eu defendo o gasto, tenho uma opção pessoal e política de dedicação exclusiva para o mandato. Não tenho empresa, podia continuar na universidade, mas para aprovar projetos e fazer o trabalho do mandato, tem que ter mobilização. Nesse momento, estamos realizando 12 seminários em Santa Catarina sobre o Fundeb, com professores e secretarias. Isso não é gasto, é investimento e está dentro da lei.

    Essa demonização do gasto do parlamentar é despolitizante e de moralismo barato. Enquanto voto contra a reforma da Previdência, os deputados que ficam se vangloriando que gastam pouco em seu mandato, votaram para tirar R$ 3 bilhões por ano dos aposentados catarinenses. E daqui a três anos estão gastando igual a nós. 

    *Com Camila Faraco

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