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    Opinião

    Um ministro em cima do muro

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    Por Carolina Bahia
    25/03/2020 - 21h06 - Atualizada em: 25/03/2020 - 21h07
    Luiza Henrique Mandetta, ministro da Saúde (Foto: Agência Brasil)
    Luiza Henrique Mandetta, ministro da Saúde (Foto: Agência Brasil)

    A irresponsabilidade do presidente da República colocou o ministro da Saúde em um desconfortável lugar em cima do muro. Em um jogo de bate a assopra, Luís Henrique Mandetta agradou o chefe, ao criticar o que chamou de quarentenas precipitadas e ao falar do confinamento vertical, limitado aos idosos, pessoas com sintomas, doentes crônicos e parentes. Mas não bateu o martelo. Até porque, como seria viabilizado nas áreas mais carentes, onde famílias dividem espaços pequenos?

    Aí é que entra a palavra mágica: estudo. Assumindo o papel de conciliador, que deveria ser do presidente, Mandetta prega um grande diálogo com governadores e a adaptação das medidas de acordo com a evolução do quadro. Há quem aposte que a estratégia dele é jogar com o tempo e com a matemática. Em uma semana, o aumento dos casos irá enterrar automaticamente o discurso bélico de Bolsonaro e as medidas restritivas serão inevitáveis.

    Mandetta ainda fez questão de dizer que não sai do governo, a não ser que fique doente. Ao longo do dia, técnicos da linha de frente fizeram chegar ao Planalto um aviso: se o ministro sair, eles desembarcam junto. Seria o caos.

    No meio dessa confusão, quem resolveu descer do muro foi o general Hamilton Mourão, que defendeu o isolamento social e disse que o presidente não se expressou bem.

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    Atrás da porta

    Quem estava ontem no terceiro andar do Palácio do Planalto comenta que a conversa entre o presidente da República e o ministro Mandetta foi muito dura. Assessores que ficaram do lado de fora chegaram a ouvir a voz de Bolsonaro. O ministro não ficou quieto.

    "Ignorância não é virtude"

    Uma das mais duras críticas a Bolsonaro veio do até então aliado, Ronaldo Caiado (DEM). Governador de Goiás e médico, Caiado rompeu com o presidente da República. Ele fez questão de lembrar que já ocupou posição de apoiador de primeira hora, mas que Bolsonaro não tem consideração e nem respeito pelos aliados. Para encerrar, Caiado citou uma frase do ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama: 

    - Na política e na vida, ignorância não é uma virtude. 

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