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César

Crônica

Paraíso e inferno

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Por César Seabra
03/05/2019 - 05h30
(Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Agência RBS)

Poucos dias me fizeram ter sentimentos tão diferentes quanto esta quarta-feira, Primeiro de Maio. Fui do céu ao fel, do paraíso ao inferno em poucas horas. Hoje, recuperado, acho que consigo me explicar.

Depois de degustar um delicioso bacalhau no almoço, me preparei para assistir a Barcelona x Liverpool, pela Liga dos Campeões da Europa. Era o feriado dos deuses. Messi, Suárez, Salah, Van Dijk e tantos outros craques no estádio lotado do clube catalão. 

E que jogo foi aquele? Era impossível despregar os olhos. Levantar para ir ao banheiro ou tomar um copo d'água, nem pensar. A namorada foi terminantemente proibida de telefonar por duas horas, sob o risco de ver tudo acabado entre nós. 

A emocionante partida terminou 3 a 0 para o Barça. Podia ter acabado 3 a 3, 4 a 4, 5 a 5. Que jogo foi aquele?, fiquei a me perguntar depois, na caminhada de fim de tarde. Que esporte era aquele?, fiquei a me indagar. Me sentia em êxtase. Mas depois cometi o pecado capital. 

Um leve jantar, uma taça de vinho branco, o Jornal Nacional, um café e os jogos do Campeonato Brasileiro. E percebi que, minuto a minuto, meu comportamento ia mudando.  Os campos esburacados, os passes errados, as bolas cruzadas, os bicos para o alto, as reclamações com os árbitros, os chutes bizarros, as faltas banais, tudo alimentava a raiva em meu eu interior.

Insisti, fui até o fim da rodada de quarta-feira. Como alguém que fez algo errado e merece punição. Como quem se odeia mortalmente. Fui até o fim.

Atordoado, irado, cansado, me perguntava ao deitar: que esporte é esse que andam praticando no país pentacampeão mundial?

Se alguém tiver a resposta, me ajude, por favor.

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