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Opinião

Pequenos grandes talentos

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Por César Seabra
13/07/2019 - 06h30 - Atualizada em: 13/07/2019 - 06h30
Lembro a vocês, caros  leitoras e leitores, que neste  sábado (13), às 14 horas, estreia  "Pequenos Grandes Talentos"(Foto: Tiago Ghizoni/NSC Total)
Lembro a vocês, caros leitoras e leitores, que neste sábado (13), às 14 horas, estreia "Pequenos Grandes Talentos" (Foto: Tiago Ghizoni/NSC Total)

Quando era moleque gostava de soltar pipa, jogar bola, paquerar as meninas da vizinhança... Me divertia com as festas (e as confusões) de família. Gostava de ir às praias com meus pais e minhas irmãs (cinco humanos apertados num Fuscão cor-de-abóbora).

Gostava de entrar em bancas de jornais - e não sair delas. Me encontrava entre gibis. Queria comprar tudo. Não tinha dinheiro para nada.

As bancas eram um mundo sagrado. Um templo de imagens, letras, perfumes de tintas. Pegava as revistas, olhava suas páginas, lia todas as manchetes dos jornais. Passei a sonhar em ser jornaleiro.

Pouco mais à frente, apaixonado por futebol e pelo Botafogo, devorava a revista semanal "Placar" e o "Jornal dos Sports", que era rosa e deixava mãos e roupas imundas, para desespero de minha mãe.

Passei a me relacionar, também, com Jorge Amado, Eça de Queiroz, Euclides da Cunha, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Monteiro Lobato, Cecília Meireles, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Fernando Sabino, Vinicius de Moraes...

Comecei a ouvir o que diziam Gil, Caetano, Gal, Bethânia, Chico, Roberto Carlos, Tim Maia, Fagner, Alceu, Elba, Mutantes, Erasmo, Raul, Tom Jobim, Clara Nunes, Martinho da Vila, João Gilberto, Elis...

E também a me interessar pelas histórias dos outros (a maioria ordinária, tosca, sem importância). Gostava de falar pouco e escutar muito.

Criei manias. Anotar, onde fosse, o que me contavam; fazer pequenas críticas sobre o que via, lia ou ouvia; recortar reportagens e fotos que me interessavam; colecionar textos que faziam refletir sobre o sentido da vida.

Sem perceber, o sonho mudava de perfil. O jornaleiro que existia naquele guri desajeitado, tímido e curioso desaparecia. Junto, nascia o desejo de estudar Jornalismo. E assim foi. Segui firmemente meus instintos. Tornei-me um jornalista.

Já são quase 40 anos mergulhado em redações. Quarenta anos de coberturas jornalísticas memoráveis; de viagens, descobertas e estranhamentos; de muitas broncas e críticas e alguns elogios e prêmios; choros e alegrias; perdas, ganhos e saudades. Quarenta anos de amizades preciosas. Querem saber? Tenho orgulho.

E sou muito feliz com meu sonho de moleque ainda elétrico e desassossegado no coração.

Série imperdível na NSC TV

Lembro a vocês, caros leitoras e leitores, que neste sábado (13), às 14 horas, estreia "Pequenos Grandes Talentos". Parceria inédita da NSC TV com a produtora TVI, a série vai mostrar a história de 11 catarinenses e seus sonhos de criança: a guerrilheira Anita Garibaldi, o religioso Dom Paulo Evaristo Arns, o pianista Pablo Rossi, o surfista Pato, o cineasta Rogério Sganzerla.

Simplesmente brilhante e imperdível.

Faça amor, não faça guerra

De Megan Rapinoe, craque da seleção de futebol feminino dos Estados Unidos e líder na luta por direitos iguais entre homens e mulheres: "Temos que ser melhores, amar mais e odiar menos. Ouvir mais e falar menos. É nossa responsabilidade tornar este mundo um lugar melhor".

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