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    Decretos municipais que "peitam" a pandemia deixaram de lado a coerência

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    Por Dagmara Spautz
    18/04/2020 - 14h17 - Atualizada em: 18/04/2020 - 14h23
    Praias liberadas para caminhadas neste sábado em Balneário Camboriú (foto: Fabiano Correia)
    Praias liberadas para caminhadas neste sábado em Balneário Camboriú (foto: Fabiano Correia)

    Com livre acesso, a Praia Central amanheceu num intenso vaivém em Balneário Camboriú neste sábado. Em Itapema, além da faixa de areia, os restaurantes abriram e as academias de ginástica estão autorizadas a funcionar. Medidas que contrariam o decreto estadual de quarentena - um retrato da política do canetaço em tempos de redes sociais, em que a coerência é o último critério a ser colocado na balança.

    Não há justificativa científica para as reaberturas. Se existe, não foi apresentada. As duas cidades estão na Foz do Itajaí-Açu, a 10ª região do país que mais preocupa o Ministério da Saúde pela relação entre o número de casos e a população.

    Mesmo assim, o decreto da prefeitura da Itapema que reabriu os restaurantes, por exemplo, considera que o município não tem pacientes graves nem transmissão comunitária de coronavírus – e, por isso, o setor pode funcionar na cidade enquanto permanece fechado em toda SC.

    Uma semana antes, a prefeita de Itapema foi a primeira no Estado a obrigar os cidadãos a usarem máscaras. O decreto, então, previa até multa para quem saísse de casa sem cobrir o rosto.

    Balneário Camboriú, que agora liberou as praias para atividade física, foi a primeira cidade a instalar barreiras físicas em suas entradas, e moradores de outros municípios tiveram que comprovar compromisso inadiável para poder entrar. A prefeitura colocou a Guarda Municipal para fiscalizar as praias no mês passado, com aviso sonoro pedindo para que as pessoas voltassem para casa.

    O que mudou no entendimento dos prefeitos?

    O número de casos de covid-19, em Santa Catarina e no Brasil, não parou de aumentar. A região soma sete óbitos por coronavírus nas últimas semanas. A ciência ainda não fez nenhuma grande descoberta sobre medicação ou vacina, que justifique uma guinada na condução das políticas públicas. O que mudou?

    Há pressão sobre os prefeitos, de quem acha que é possível retomar a “vida normal” em meio a uma pandemia que colocou o mundo de joelhos. O vírus tem sido eficiente em colocar à mostra o nosso melhor e pior em todos os aspectos. Revelou os altruístas, os mesquinhos, os líderes, os egoístas. Há os imediatistas, há os inconsequentes. Inclusive na política.

    As consequências da reabertura para as duas cidades, às vésperas de um feriado nacional, no dia 21 de abril, são imprevisíveis. Em tempos de redes sociais, as medidas são midiáticas e espetaculares. Fazem barulho, agradam a uma parcela do eleitorado. E dão o recado errado à população.

    Há queixas dos municípios sobre pouca interlocução com o Estado em meio à crise. Mas a resposta a esse problema não poderia ser uma batalha de decretos. As prefeituras apostam alto com as liberações. Tomara que a pandemia não cobre a fatura lá na frente.

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