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Polêmica

Deputado de SC diz que roupa estimula assédio e irrita até integrantes de partido conservador

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Por Dagmara Spautz
21/06/2021 - 07h05 - Atualizada em: 21/06/2021 - 13h56
Deputado Felipe Estevão
Deputado Felipe Estevão (Foto: Reprodução Instagram)

O deputado Felipe Estêvão (PSL) provocou reação entre mulheres do seu próprio partido ao publicar um vídeo, nas redes sociais, em que associou o estilo de roupas ao risco de assédio. O PSL Mulher publicou uma nota de repúdio, em que cita “insinuações” do parlamentar “de que uma mulher não pode se vestir com roupas que não sejam adequadas aos padrões machistas”.

Vídeo: deputado de Santa Catarina diz que mulher de saia e decote provoca estupradores

O deputado, que é pastor evangélico e coach, divulgou o vídeo na última quarta-feira (16), em tom “motivacional”. Felipe Estêvão diz, na gravação, que as pessoas não devem deixar de “exercer seu papel”, e cita como exemplo o controle dos pais sobre as roupas com que as filhas saem de casa.

Simulando uma jovem em conversa com o pai, o parlamentar relata: “Peguei um Uber, ele era um tarado, desviou da rota, olhava pro meu corpo. Se eu estivesse com aquela roupa ele teria me feito mal”.

Em tempos de conservadorismo, decote de deputada é assunto mais comentado da posse em SC

Diante da referência à Uber, o mal-estar não se restringiu às mulheres. A “história” contada pelo deputado na gravação também irritou motoristas de aplicativo. Trabalhadores de plataformas emitiram nota, afirmando que a fala do parlamentar ajudou a disseminar preconceito contra a categoria.

“Tais declarações não coadunam com a verdade, mostrando apenas amplo desconhecimento a respeito da categoria, bem como, corroboram com a disseminação de preconceito sobre os motoristas, que trabalham de forma correta, digna e respeitando a todos, principalmente mulheres, independentemente da forma que estejam vestidas”, diz a nota.

A coluna procurou o deputado, mas ele não quis se manifestar sobre a polêmica.

Roupas e assédio

A associação entre a roupa das mulheres e situações de assédio culpabiliza as vítimas e normaliza o comportamento sexual violento dos homens. A Organização das Nações Unidas (ONU) designa essas situações como parte da cultura do estupro – um conjunto de comportamentos e opiniões arraigadas, que responsabiliza as mulheres pelas situações de violência a que estão expostas.

O assunto já foi amplamente debatido na Alesc durante a atual legislatura. Ainda na posse, a deputada Paulinha virou notícia nacional e internacional por receber ataques nas redes sociais pela roupa decotada que usou na cerimônia. A BBC News citou o caso como parte da lista de “roupas que mulheres usaram pela mudança”.

Apesar disso, meses depois o deputado estadual Jessé Lopes (PSL) virou notícia por afirmar, em plenário, que mulheres deveriam prestar atenção às roupas que usam para não chamarem atenção de estupradores. “Se quer andar na rua com sua sainha, com seu shortinho, com seu decote, ótimo. Se você quer chamar atenção de estupradores, sabe os riscos que está correndo”. 

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