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Deputado de SC oferece churrasco em rede social a policiais que matarem criminosos

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Por Dagmara Spautz
19/06/2020 - 08h56 - Atualizada em: 19/06/2020 - 09h54
Comentário de deputado oferece churrasco em troca de mortes
Comentário de deputado oferece churrasco em troca de mortes

Um deputado estadual de Santa Catarina se ofereceu para pagar um churrasco cada vez que um criminoso for morto por um policial. A "oferta", publicada nas redes sociais, teve o endosso, por meio de curtidas, de militares de alta patente no Estado. “Cada vagabundo que colocarem no ‘colo do capeta’ eu pago um churrasco! Tmj! Força e honra!”, escreveu o parlamentar.

O comentário foi feito em uma publicação do comandante da Guarnição de Imbituba, tenente-coronel Daniel Nunes Da Silva, que anunciou a posse do novo corregedor da Polícia Militar na Guarnição Especial da cidade. O autor da polêmica é o deputado Jessé Lopes (PSL), mais conhecido pelas opiniões do que pela atuação parlamentar.

O comentário de Jessé foi curtido por militares como o próprio comandante Daniel Nunes, o tenente-coronel Peterson do Livramento, diretor do colégio Militar de Laguna, e o capitão do Corpo de Bombeiros Militar, Guilherme Virissimo.

A informação foi publicada originalmente pelo jornalista Fabio Bispo. Ele explicou que o cargo anunciado na postagem, além da corregedoria – que é a fiscalização da atividade policial – acumulará as funções de coordenador das redes do Proerd e da Rede de Vizinhos. 

Questionado pela coluna sobre a oferta de churrasco para que policiais assassinem pessoas, o deputado disse que deveríamos “começar perguntando direito”: “Eu não falei pessoas, eu falei vagabundos”, respondeu o parlamentar, que reiterou a afirmação feita no comentário.

A Bispo, Jessé criticou a legislação porque os policiais “têm que esperar levar tiro para revidar”, e disse que generalizou: “Não falei de nenhum caso específico. Existem várias formas de se matar um vagabundo, pode ser em confronto. Não tô dizendo que tem que sair por aí matando manifestante”.

O currículo de Jessé Lopes é farto de polêmicas, e as redes sociais são seu palco preferido. O deputado catarinense já afirmou que assédio é um “direito” e “massageia o ego” das mulheres; insinuou que usar saias e decotes pode levar mulheres a serem estupradas; e responde processo judicial por espalhar fake news usando o nome do governador Carlos Moisés.

Enquanto o mundo todo questiona a violência nas abordagens policiais e suas consequências - um debate que começou nos EUA, após o assassinato, diante das câmeras, de George Floyd, durante uma ação dos agentes da lei - Santa Catarina vai na contra-mão da História. 

Se nos EUA os policiais foram demitidos, estão sendo processados e podem ficar presos por um bom tempo, aqui, isso é incentivado, com tons jocosos, por um parlamentar que responde processos na Comissão de Ética da Assembleia Legislativa. E que é pago pelo contribuinte.

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