nsc
    nsc

    Opinião

    Habituado ao embate, Bolsonaro usa governadores como bode expiatório

    Compartilhe

    Dagmara
    Por Dagmara Spautz
    02/04/2020 - 20h43 - Atualizada em: 02/04/2020 - 21h54
    Jair Bolsonaro com Carlos Moisés (foto: Diorgenes Pandini)
    Jair Bolsonaro com Carlos Moisés (foto: Diorgenes Pandini)

    O vaivém retórico de Jair Bolsonaro parece não ter fim. Ao se ver isolado como negacionista da pandemia do novo coronavírus, depois que até mesmo Donald Trump passou a defender as medidas de isolamento social, o presidente brasileiro precisou mudar o discurso. Ensaiou um tom mais moderado no pronunciamento de terça-feira (31), para logo depois voltar a atacar as medidas de quarentena. Nesta quinta, as críticas voltaram a ser direcionadas aos governadores. E Carlos Moisés, que já ocupou a posição de aliado, mereceu “destaque” na metralhadora verbal do presidente.

    Bolsonaro tenta jogar na conta dos governadores, e das necessárias medidas de quarentena, a inevitável recessão que se avizinha. A crise é inerente e indissociável da pandemia, que carrega retração de mercado, insegurança para consumo e investimento. A questão não é mais evitá-la, mas o que fazer com ela.

    O cenário é o mesmo em todo o mundo. Ao fazer afirmações como “alguém vai ter que pagar essa conta”, como disse esta tarde a apoiadores em frente ao Palácio do Planalto, o presidente parece ter esquecido que cabe ao Estado gerir crises – e ele foi eleito para isso.

    As decisões a serem tomadas são difíceis e desgastantes. Mexem com o orçamento, com a dívida pública, e ditarão o futuro do país a médio prazo. Mas é nesses momentos que o Estado se faz necessário, e mostra que não se limita ao papel de um arrecadador de impostos.

    Gerir políticas públicas, no entanto, parece não satisfazer Bolsonaro. Numa alegoria quixotesca, o presidente distrai os brasileiros da gravidade da pandemia enquanto trava seus embates diários com moinhos de vento. Os ataques são direcionados aos governadores, à imprensa, à Organização Mundial da Saúde (OMS).

    A humanidade tem um inimigo comum a ser combatido. Diferentes povos e nações pela primeira vez enfrentam a mesma ameaça, praticamente ao mesmo tempo. E isso torna mais fortes, mais solidários.

    Habituado ao embate, ao conflito, Bolsonaro busca manter a chama de uma polarização no Brasil. Mais do que nunca, isso não faz sentido.

    Participe do meu canal do Telegram e receba tudo o que sai aqui no blog. É só procurar por Dagmara Spautz - NSC Total ou acessar o link: https://t.me/dagmaraspautz​​​

    Deixe seu comentário:

    Últimas do colunista

    Loading...

    Mais colunistas

      Mais colunistas