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Opinião

Moisés, Gean, e o protagonismo político em meio à pandemia

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Por Dagmara Spautz
13/04/2020 - 18h07 - Atualizada em: 13/04/2020 - 18h46
Gean Loureiro e Carlos Moisés (Montagem, Reprodução)
Gean Loureiro e Carlos Moisés (Montagem, Reprodução)

Ao ceder aos apelos do setor econômico e autorizar a reabertura do comércio, o governador Carlos Moisés abriu espaço para o protagonismo dos prefeitos no controle da pandemia do coronavírus em SC. E ninguém aproveitou melhor a brecha do comandante do que o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro.

Duas horas depois do anúncio do Estado sobre quais as atividades estariam liberadas, Gean tratou de colocar uma pedra sobre a empolgação dos comerciantes e segurou a onda dos hoteleiros. Nesta segunda-feira, Florianópolis foi a única grande cidade de Santa Catarina onde as lojas amanheceram, mais uma vez, de portas fechadas.

A prefeitura investiu quase R$ 6 milhões na compra de 35 mil exames e quer testar a população. O argumento é que, desta forma, será possível avaliar com mais segurança o quadro nos próximos dias e planejar uma reabertura mais segura.

A aposta é alta. Até porque a mesma pressão sentida pelo Estado por parte do setor econômico, já afetado pelo impacto da pandemia, também bate à porta das prefeituras.

Nos bastidores, fala-se que Gean resolveu assumir o risco de desgaste junto ao empresariado por enquanto. A leitura de cenário, levando em conta o número de casos em Florianópolis – o maior do Estado – e a experiência de outros países mais afetados pela pandemia, é de que o isolamento se impõe.

Moisés fez o mesmo raciocínio ao tomar a frente dos decretos de quarentena entre os estados no país, no início de março. Ao voltar atrás, também calculou sua margem de desgaste político com o setor econômico.

No jogo político, as posições de certa forma repetem o estratagema do presidente Jair Bolsonaro, que responsabiliza os governadores pelas restrições impostas nos estados. Ainda que, no discurso, Moisés não responsabilize os prefeitos pelas perdas econômicas a partir de agora, o governador joga no colo deles a decisão sobre seguir ou não as diretrizes do Estado. E Gean aproveita o espaço para apresentar a única carta que tem nas mãos.

A evolução da pandemia em Santa Catarina indicará erros e acertos nas próximas semanas. Neste momento, ao admitir que o pior está por vir - e mesmo assim relaxar o isolamento - Moisés traz duas mensagens dissonantes. E, nessa dualidade, Gean Loureiro pode sair em vantagem.

Os próximos passos do governo do Estado serão decisivos na condução da crise. A exemplo do cenário político mundial, as escolhas podem fazer uma diferença relevante na avaliação dos gestores quando uma pandemia ameaça vidas. E ter reflexos importantes em ano eleitoral.

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O que acontece de mais relevante em boa parte do litoral catarinense, especialmente Itajaí e Balneário Camboriú. Fontes exclusivas e informações de credibilidade nas áreas de política, economia, cotidiano e segurança.

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