publicidade

Navegue por
Dagmara

Economia

Pescadores catarinenses temem demissões após embargo da União Europeia

Compartilhe

Por Dagmara Spautz
19/05/2018 - 07h00 - Atualizada em: 19/05/2018 - 07h00
Pesca em SC
Pesca em SC (Foto: Jean Mazzoneto, Arquivo Pessoal)

O risco de demissões passou a rondar o setor pesqueiro desde que a diretoria de saúde e segurança alimentar da União Europeia anunciou embargo do pescado capturado no Brasil, na última quarta-feira. Somente em Santa Catarina são 10 mil trabalhadores envolvidos na cadeia de exportação, e embora nem todos estejam diretamente ligados ao mercado europeu, a tendência é que o embargo faça baixar o preço do pescado _ o que trará prejuízos a todo o setor produtivo.

_ Vai afetar preço e procura, por isso a preocupação é grande. Nossa esperança está na busca por novos mercados _ diz Henrique Pereira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Pesca em Santa Catarina (Sitrapesca).

Para a tainha, que está em pena safra, a primeira alternativa é o Japão. Os exportadores de ovas trabalham com a possibilidade de abrir espaço no país asiático, já sabendo que se trata de um perfil diferente do europeu. Países da Europa, em especial a Itália, aceitam ovas furadas ou avermelhadas, que são rejeitadas em outras partes do mundo. Esse será o principal fator a empurrar para baixo o preço da tainha.

O período de capturas da pesca industrial ainda nem começou, e o preço já é menor do que no ano passado, quando a indústria pagou R$ 6 por tainha. A previsão é que, este ano, o valor de compra não passe de R$ 4.

O impacto negativo já atinge outras modalidades de pesca. Como a do peixe-sapo, consumido na Europa sob o nome de tamboril, que não tem espaço no mercado brasileiro. Esta semana o armador Manoel Cordeiro demitiu três dos 16 funcionários que trabalham em seu barco. Sem a Europa, o mercado que resta é a Coreia do Sul, que paga um preço 30% menor. O peixe-sapo é vendido por R$ 7 o quilo para os coreanos.

Só no ano passado, Cordeiro vendeu quase 400 toneladas de peixe-sapo para os países europeus.

“Tiro no pé”

As exportações para a União Europeia já estão suspensas desde janeiro, por decisão do Ministério da Agricultura. Os europeus apresentaram uma auditoria, no fim do ano passado, em que afirmam que algumas exigências não vinham sendo cumpridas, entre elas o controle de barcos e de locais onde o peixe é descarregado.

Entende-se que a decisão da Europa pelo embargo, agora, não tem reflexo prático. Mas pode tornar mais difícil a retomada do envio de pescado para os países europeus.

A advogada Carla Junqueira, responsável pela área de Comércio Internacional do escritório Mattos Engelberg, em São Paulo, que atua em situações como a que é vivida pela pesca, diz que é possível aos armadores recorrer ao Órgão de Solução de Controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), desde que tenham apoio do governo brasileiro através do Ministério das Relações Exteriores e consigam comprovar se há ilegalidade no embargo.

_ No aspecto comercial, é sabido que todos os países usam medidas fitossanitárias ou técnicas para segurar as exportações. Mas até que ponto essa auditoria nas embarcações (feita no ano passado) foi usada como instrumento de proteção da indústria da pesca europeia? É algo que tem que ser analisado com muita calma _ afirma a advogada.

O principal entrave, no caso da pesca, é o fato do próprio governo brasileiro ter suspendido as exportações em janeiro.

_ Certamente agrava, porque demonstra que a nossa própria fiscalização sanitária não aprova as embarcações. Sabemos que a ideia do Ministério da Agricultura era ganhar tempo, mas pode ter sido um tiro no pé _ afirma a especialista.

Deixe seu comentário:

Dagmara Spautz

Dagmara Spautz

Dagmara Spautz

O que acontece de mais relevante em boa parte do litoral catarinense, especialmente Itajaí e Balneário Camboriú. Fontes exclusivas e informações de credibilidade nas áreas de política, economia, cotidiano e segurança.

publicidade

publicidade

Mais colunistas

publicidade

publicidade

Navegue por
© 2018 NSC Comunicação
Navegue por
© 2018 NSC Comunicação