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Criciúma prepara internação involuntária de dependentes químicos

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Por Denis Luciano
22/05/2022 - 08h32
Um dos 120 moradores de rua em Criciúma
Um dos 120 moradores de rua em Criciúma (Foto: Denis Luciano / NSC Total)

Há poucos meses, uma conversa entre os prefeitos Clésio Salvaro (PSDB, Criciúma) e João Rodrigues (PSD, Chapecó) inspirou ambos a adotar medidas semelhantes em relação aos moradores de rua. Somadas, as duas cidades contam com aproximadamente 300 pessoas nessa situação: 180 em Chapecó, 120 em Criciúma.

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De posse de amparo legal, os dois estudaram e evoluíram na ideia da internação de moradores de rua que são dependentes químicos. Chapecó colocou em prática faz cerca de dois meses. Em Criciúma, etapas burocráticas estão sendo vencidas.

- É um assunto que divide opiniões, mas Criciúma vai fazer - anunciou o secretário municipal de Assistência Social, Bruno Ferreira. Ele contou que ouviu críticas de alguns especialistas e envolvidos em estudos psicológicos de moradores de rua mas que mesmo assim a decisão está tomada. 

- Eu lanço um desafio. Aquela pessoa que está na rua há 3 ou 4 anos, em estado degradante, se um familiar sequer disser que não quer a internação dele, a gente recua e abre mão do projeto - garantiu.

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Criciúma oferecerá 20 leitos

Conforme Ferreira, a rotina de abordagens nas ruas levou à elaboração da ideia da internação involuntária. - Dói no coração ver na rua gente que a gente conhecia e que hoje perdeu 40 quilos, estão lá em função do crack. O prefeito já deu o aval, estamos elaborando o termo de referência com a Secretaria de Saúde para abrir chamamento e contratar 20 leitos em clínica especializada para as internações - explicou.

Mas, ao contrário do que vem ocorrendo em Chapecó, o secretário relatou que Criciúma cumprirá outras etapas antes de efetivar as internações dos moradores de rua dependentes químicos. 

- Nós sabemos quem são essas pessoas com problemas de vícios. Elas serão encaminhadas ao Caps que fará um relatório, daí vão para o médico psiquiatra que dará o laudo e, então internaremos a pessoa - detalhou. Mas, mesmo assim, a prefeitura tentará consultar familiares. - Esse trabalho de procurar as famílias já é feito. A internação será a última forma - sublinhou. - Se tiver família, a gente tenta aproximar, criar vínculo. Se não tiver, em último caso é internação involuntária - reforçou.

Secretário anuncia início em breve das internações involuntárias em Criciúma
Secretário anuncia início em breve das internações involuntárias em Criciúma
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Prefeitura já tem 15 para internar

A Secretaria de Assistência Social já tem cerca de 15 moradores de rua no radar para encaminhar à internação involuntária. - Essas fichas já estão prontas, esperando a contratação dos leitos para encaminharmos. Entendemos que de 6 a 9 meses serão necessários para recuperar essas pessoas e, então, encaminha-las ao mercado de trabalho e a uma vida digna de novo - projetou Ferreira. 

O secretário estima que em breve já começarão as internações. - O prefeito liberou a contratação de alguns leitos com dispensa de licitação. Estamos analisando clínicas que se enquadram. Depois, com toda a documentação preparada, lançamos o certame e então contratamos os 20 leitos para ampliar. Mas muito em breve já queremos internar os primeiros moradores de rua - registrou.

Secretário e assistente social em uma das abordagens cotidianas na cidade
Secretário e assistente social em uma das abordagens cotidianas na cidade
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Recuperar e encaminhar ao trabalho

Dos 120 moradores de rua monitorados atualmente em Criciúma, a Secretaria de Assistência Social calcula que 60% são da região carbonífera, 30% de outras cidades catarinenses e 10% de outros estados e estrangeiros. - Os direitos dos nossos cidadãos, dos migrantes e imigrantes são os mesmos. Se tiver problemas com drogas a gente encaminha e, depois de curar, encaminhados para empregos - adiantou.

Bruno Ferreira contou que, recentemente, o município recrutou 12 moradores de rua e os preparou para vagas de trabalho. - Cinco foram contratados de imediato - enalteceu. - E a internação involuntária é que vai agilizar essa ressocialização - completou. - Assim, vamos recuperar vidas e dar um novo ar à cidade - destacou.

O secretário reconheceu que a prefeitura poderá enfrentar alguns desgastes com a medida. - De fato, é um projeto ousado, muitas pessoas são contra, evocam o direito de ir e vir. Mas quem trabalha todo dia com essa população sabe o sofrimento de mães em casa torcendo que os filhos não morram nas ruas - finalizou.

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"Tragam o Lula que eu interno"

Em Chapecó, João Rodrigues vem usando as redes sociais para propagandear primeiros resultados da ação. - Quando assumi a prefeitura, Chapecó tinha 180 pessoas morando na rua. Nós os encaminhamos para abrigo, emprego e tratamento - anunciou. - Eu não sou um prefeito de gabinete. Eu participo, eu executo e testemunhei mães pedindo ajuda pois estavam sendo ameaçadas por seus filhos - emendou.

Sempre afiado nos vídeos que posta, o prefeito de Chapecó aproveitou para cutucar o presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem é feroz opositor. Rodrigues vem sendo um dos mais ferrenhos defensores da candidatura à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL). Na sexta-feira (20), o prefeito fez postagem anunciando: - tragam o Lula que eu interno também -. - Se São Paulo tivesse feito o que Chapecó está fazendo agora, lá não teria cracolândia - completou. Assista: 

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Jornalista com longa experiência no rádio e no digital, Denis Luciano aborda os principais assuntos do Sul catarinense, uma das regiões mais relevantes no Estado.

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