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Série Carcereiros

“A vida em penitenciária te leva ao limite”, diz ator Rodrigo Lombardi

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Por Diogo Vargas
11/10/2018 - 10h16 - Atualizada em: 12/10/2018 - 09h53
Rodrigo Lombardi
Rodrigo Lombardi vive o agente penitenciário Adriano. A segunda temporada da série começa hoje (Foto: Ramón Vasconcelos-TV Globo/Divulgação)

Rodrigo Lombardi, o protagonista da série "Carcereiros", contou ao Diário Catarinense como está sendo o papel do agente penitenciário Adriano.

Por email, Lombardi respondeu as perguntas abaixo. O ator afirma que o objetivo da trama, cuja segunda temporada começa hoje à noite (11) na TV Globo, é provocar questionamentos sobre o panorama brasileiro, da sociedade e do sistema prisional.

Confira a entrevista:

Como define a experiência com o personagem Adriano e o sistema penitenciário?

Primeiro assisti ao documentário do Fernando Gronstein e Pedro Bial sobre o livro Carcereiros do Drauzio Varella e fiquei muito chocado! O carcereiro lida o tempo todo com a possibilidade de um perigo iminente, o momento da tranca e da soltura das celas é o mais tenso que você pode imaginar, pois ele, único no meio de 300/350 presos tem que pedir para todo mundo calmamente entrar em suas celas. Na soltura, você não sabe o que aconteceu naquela sala lotada de gente que ficou ali um tempão. É inimaginável. Por isso o personagem foi nascendo ao longo das gravações. Se você assistir ao primeiro e ao último episódio vai perceber a evolução do personagem. Dá pra notar a transformação do humano no habitat do sistema prisional. Ninguém é capaz de suportar como se nada tivesse acontecendo. A vida em penitenciária te leva ao limite.

Agentes penitenciários estão vendo com entusiasmo a série e que ela poderá ser um divisor de águas, com melhorias e reconhecimento. Existe essa expectativa de vocês da equipe?

Acho interessante que tenhamos começado a falar do assunto, a olhar para esses profissionais e entender o que é o dia a dia deles. O objetivo da trama é provocar questionamentos nos telespectadores e acho que a série permite também uma visão mais ampla sobre o panorama brasileiro, da sociedade e do sistema prisional.

Temos mais de 700 mil detentos no Brasil, facções, mortes, um cenário em geral de pouca expectativa de ressocialização. Acreditas que é possível mudança?

Ainda não tenho uma opinião formada. Ainda precisamos entender qual a função das penitenciárias no Brasil... Um lugar de reeducação? Somente de exclusão? Um lugar de castigo? O que a gente quer com essas pessoas? Quer puni-las, transformá-las ou somente afastá-las? A gente não tem presídios suficientes, não temos escolas suficientes da mesma forma que não temos professores suficientes. Na história de ‘Carcereiros’, o Adriano é um ex-professor de história que não vê mais possibilidade de viver da sua profissão e resolve mudar. E de repente se vê no meio desse caos social... o ser humano tratado como um animal.

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