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    Comunidade histórica da Capital se mobiliza para potestar contra a violência policial

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    Edsoul
    Por Edsoul
    27/04/2020 - 15h44 - Atualizada em: 27/04/2020 - 16h06
    Protesto
    (Foto: )

    Estou sendo procurado constantemente por líderes comunitários, coordenadores de projetos sociais, trabalhadores de diversos setores e, principalmente, por pessoas engajadas com a busca pela paz nas comunidades.

    Todos reclamam das incursões policiais que vêm acontecendo nas regiões onde o tráfico, infelizmente, faz-se presente. As reclamações não são pelo combate que vem sendo realizado com investigações, apreensões e prisões.

    As comunidades dizem estar com medo da truculência exagerada, chamam de extermínio o que vem acontecendo com os jovens periféricos. O Morro do Mocotó, por exemplo, está há tempos na mira da corporação.

    Lá já foram feitos alguns experimentos na tentativa de haver uma aproximação e levar coisas boas, mas, sem sucesso, restou permanecer somente com a vigilância 24 horas. Na época que um grande evento de montain bike rolou por lá, tivemos uma melhoria significativa na, até então, distância histórica.

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    Fato é que, passadas as tentativas, sem os projetos mútuos e contínuos, a comunidade se viu como era antes, invisível. Por outro lado, a polícia colhia lindos frutos na comunidade Vila União, onde a operação “Mãos Dadas” mostrou sua eficácia.

    Os bailes que tornaram as casinhas no alto do morro endereços obrigatórios de jovens aventureiros, foram proibidos. As rodas de samba, aniversários com som alto (cultural nos guetos), também foram calados.

    Os impedimentos dividiram opiniões lá em cima. Agora, com a onda do Coronavírus, os confrontos entre polícia e envolvidos com o tráfico no local têm sido constantes. Até aí, pensamos que está tudo dentro da normalidade, certo? Segundo as pessoas que me fizeram relatos, os tiros estão acontecendo antes das perguntas, abordagens de verificação e constatação de viés criminoso nos abordados.

    Em menos de um mês, três jovens foram mortos no Mocotó, três famílias choram a morte precoce dos seus. Seriam eles vítimas? Bandidos? Creio, ainda, que se encaminhados para o sistema prisional estariam lhes dando novas chances de se ressocializarem, ou de pensarem em novos rumos. Ainda segundo os relatos, os tiros são certeiros, disparados na direção de órgãos vitais, sem chance de retorno ou de último pedido por clemência.

    Ao mesmo tempo em que entendo os clamores da favela, penso que os nossos deveriam dar respostas na positividade. Devemos nos tornar doutores, devemos crescer a tal ponto que não nos vejam mais como marginais, mas como vitoriosos.

    Penso ainda que cada um de nós que conseguirmos ingressar em faculdades ou ocupar lugares onde até então não éramos vistos, devemos (por obrigação) influenciar, pelo menos, mais um. Assim, estaremos fortalecendo nosso pelotão de pessoas de bem que crescem mesmo na contramão do ódio e da discriminação.

    Parabéns aos bons policiais que vêm fazendo por onde para que sejamos uma sociedade justa e igualitária. Lembro dos meus bons papos com o Comandante Geral da Polícia Militar de Santa Catarina, Coronel Araújo Gomes, onde os métodos de prevenção e de evolução, principalmente dos jovens negros periféricos, eram nossas metas cruciais.

    Amanhã, a comunidade fará um protesto pacífico na rua Treze de Maio, a ação servirá para mostrar que os moradores não concordam com atitudes violentas e, óbvio, que querem mais respeito quando o assunto é “polícia na área”.

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