publicidade

Navegue por
Eduarda

Agricultura

Produção de alho é a pior dos últimos 48 anos em SC

Compartilhe

Por Eduarda Demeneck
15/05/2019 - 11h39 - Atualizada em: 15/05/2019 - 11h50
Foto: Vani Boza/Banco de dados

Produtores de alho de Frei Rogério, Curitibanos e Fraiburgo, no meio-oeste de SC, estão preocupados com a produção do alho roxo no estado. Na safra deste ano, mais de 50% do que foi produzido é de baixa qualidade. Em safras normais esse percentual não chegaria a 10%. Isso representa prejuízo, já que, segundo os produtores o valor do produto não está cobrindo os custos da produção.

– É a mais crítica que existiu em 48 anos que se produz alho aqui, nunca se viu um alho dessa forma. Por causa do clima que deu frio fora de época e muita chuva, também. O que era o top do nosso alho está virando indústria. Por exemplo, o alho top a gente vende a R$ 8 o quilo e o alho da indústria a gente vende a R$ 1, R$ 1,50 ainda se tiver gente que compre – lamenta o produtor Sílvio Novacoski.

Outro problema que há três anos vem tirando o sono de quem trabalha no setor é a concorrência com o alho Chinês. O custo de produção de uma caixa de 10 quilos para os produtores de alho catarinenses sai, em média, R$ 70. Já o alho Chinês chega ao Brasil custando cerca de R$ 52. Tudo isso porque o antidumping, que é uma taxação para evitar a concorrência desleal entre produtos nacionais e importados, não está sendo paga pelo mercado chinês.

– Se essa taxa fosse aplicada, esse alho chegaria a R$ 90 o custo, esse alho chinês no Brasil. Então, nos tornaria competitivo com esse alho. Mas, a gente vê decisões monocráticas de juízes de primeira estância dando liminares ao alho chinês – explica o presidente da Associação Catarinense dos Produtores de Alho, Everson Tagliari.

Com todos esses problemas os prejuízos no setor, que em 2018 chegaram a R$ 71 milhões, este ano já passaram de R$ 100 milhões, de acordo com a Associação Catarinense dos Produtores de Alho. O resultado é a desistência de muitos agricultores da atividade. Na região do meio oeste são cerca de 1.500 produtores, mas por conta de toda essa situação, pelo menos, 30% deixaram a atividade.

Para encontrar uma solução para o problema, audiências estão sendo feitas em Brasília com o Ministério da Agricultura. Nesta quinta-feira (16) tem mais uma programada com representantes de Santa Catarina e do governo Chinês.Esperança para o produtor catarinense que continua aguardando por resposta. 

– A esperança é a última que morre, então a gente espera que os nossos governantes olhem pro pequeno agricultor, pela agricultura familiar, pra ver o que ele pode fazer por nós. A nossa situação é péssima, disse o produtor Mário Haag.

Deixe seu comentário:

publicidade

Navegue por
© 2018 NSC Comunicação
Navegue por
© 2018 NSC Comunicação