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Cirurgião do Sírio que atendeu o menino João Vitor defende uso de tecnologia para baratear medicina

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Por Estela Benetti
15/09/2019 - 11h39 - Atualizada em: 15/09/2019 - 12h25
Lena Obst, divulgação, divulgação
O CEO do Sírio-Libanês Paulo Chapchap (C) foi recebido pelo diretor da Vertical Saúde da Acate, Valmoli Gerber, e pelo presidente da ACM, Ademar José de Oliveira Paes Junior

Numa história de final feliz que comoveu o Brasil em agosto de 2014, o menino João Vitor Loch, de Palhoça, então com 4 anos, foi submetido a um transplante de fígado em São Paulo, no Hospital Sírio-Libanês, tendo como doadora Tatiana Solanca, amiga de igreja da família. Quem fez o transplante que curou o menino foi o cirurgião Paulo Chapchap, presidente e diretor-geral da conceituada instituição paulista. Na última quinta-feira ele esteve rapidamente em Florianópolis para uma palestra na Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), quando defendeu o uso intensivo de aplicativos e outras soluções tecnológicas na prevenção de doenças, tornando assim a medicina mais barata.

Chapchap esteve na 2ª Edição do evento Saúde, Tecnologia e Inovação promovido pela Associação Catarinense de Medicina (ACM) e a Vertical Saúde da Acate. Segundo ele, a medicina avançou muito na atividade fim, ou seja, o tratamento e cura de pacientes graças ao desenvolvimento de novas drogas, novos métodos diagnósticos, evolução na avaliação do risco genético e avanços nos tratamentos do câncer com a descoberta de novas moléculas e novas drogas-alvo. Isso tem melhorado muito a expectativa de vida das pessoas por curar mais doenças ou transformar doenças que antes eram fatais num Estado crônico dos pacientes, tanto num diagnóstico precoce, num diagnóstico mais preciso, quanto num tratamento mais eficiente.

— O que acontece é que a medicina está ficando muito cara, portanto cada vez acessível para menos gente porque toda essa aplicação de tecnologia tem sofrido um encarecimento — disse o cirurgião que lidera também o hospital que é considerado um dos melhores do país.

Ele chamou a atenção também pelo fato de além de a medicina ter ficado mais cara, também tem se tornado mais necessária porque as pessoas estão envelhecendo mais. Quando a média de vida aumenta, as pessoas tendem a ter mais de uma doença e outros problemas associados que encarecem os tratamentos.

— Onde não evoluímos o suficiente ainda e já existe tecnologia que permite avançar é naquelas ferramentas tecnológicas, aquelas plataformas que permitem um contato permanente com o paciente, uma captura permanente de dados, de tal forma que você consiga induzir para uma vida mais saudável ou para uma chegada dos profissionais de saúde mais cedo no caso de uma doença, com dados, primariamente, ou secundariamente a uma doença crônica — afirmou Chapchap.

Para o presidente do Sírio-Libanês, essas plataformas tecnológicas de interação com as pessoas (a maioria aplicativos), que se desenvolveram muito em outros mercados como as fintechs, o transporte e a habitação, precisam chegar também na medicina para baratear custos. Ele chama a atenção para o fato de serem ferramentas de interação que trazem junto o suprimento e a demanda, e a pessoa como agente protagonista na utilização da tecnologia.

O Sírio-Libanês, apesar de ser um hospital privado, que atende principalmente por planos de saúde e pacientes particulares, também faz atendimentos pelo SUS. Foi o caso do tratamento do João Vitor, que ficou curado do câncer no fígado.

— Foi um privilégio de ter feito a diferença na vida dele, da família dele, das pessoas que o conhecem e oferecer um exemplo para a sociedade, de que no Brasil você consegue criar instituições de altíssima qualificação disponíveis para todo mundo. A gente só precisa compartilhar o conhecimento — ensinou.   

Questionado sobre as razões do sucesso do Sírio-Libanês, Chapchap disse que primeiro é preciso ter um propósito claro.

— O propósito do Sírio-Libanês declarado é conviver e compartilhar. A consciência de que, com o privilégio que nós temos de segurança e de recursos, a gente tem que compartilhar isso com a sociedade como um todo, fazer projetos de grande relevância social e projetos, não de uma forma competitiva, mas colaborativa com outras instituições de saúde. É assim que a gente encara. A gente acha que é amoral ter uma vantagem competitiva na área da saúde. Você tem que compartilhar tudo o que você tiver de recursos, conhecimentos e profissionais — declarou o médico.

A segunda razão do sucesso, segundo ele, é um foco muito forte em pessoas.

— Saber que isso só se dá com uma cultura sólida em que as pessoas sejam engajadas com essa cultura. É fundamental o jeito como você trata as pessoas, tanto pacientes quanto as pessoas que trabalham com você. É uma instituição focada em pessoas. Nada mais — declarou.

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Estela Benetti

Estela Benetti

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

estela.benetti@somosnsc.com.br

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