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Estela Benetti

Eike Batista critica "falta de caráter" e diz em Florianópolis que investirá em nanotecnologia

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Estela
Por Estela Benetti
07/07/2019 - 19h42 - Atualizada em: 08/07/2019 - 00h40
Fabrício de Almeida, divulgação
Fabrício de Almeida, divulgação

Com a frase I’m back (estou de volta) sobre imagens de dragão da série Games of Thrones, o empresário Eike Batista -  que em 2012 saiu na lista da Forbes como o 7º mais rico do mundo, depois seu grupo entrou em colapso, e em 2017 foi preso por três meses acusado de pagar propina ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral -  informou em palestra no evento Empreende Bazil Conference, em Florianópolis, sábado que está voltando ao mundo dos negócios. Ele disse que saiu totalmente do setor de petróleo onde "foi vítima de executivos sem caráter" e está investindo em mineração e nanotecnologia.

Esta foi a primeira palestra e aparição de Eike em evento público após fase reclusa. A volta foi com aplausos e sem vaias. Falou por quase uma hora entre às 22h e 23h, encerrando evento que reuniu perto de 4 mil pessoas. Disse que os problemas das suas empresas no setor de petróleo surgiram porque os resultados dos estudos não coincidiam com a produção dos poços, que era inferior. Afirmou que já criou 10 unicórnios (empresas avaliadas em US$ 1 bilhão) e agora começa a cultivar mais 10 novos nas áreas de nanotecnologia, que vai virar tudo de cabeça para baixo. Antes, ele concedeu entrevista ao Diário Catarinense e ao portal NSC Total.

O que o senhor vai falar para o público aqui em Florianópolis? Que eu estou voltando depois de uma fase em que deixei minhas empresas. Elas não quebraram, os empregos foram preservados em todas, o que foi importante. Não fiz o que os empreiteiros fizeram. Eu coloquei o meu patrimônio para esses projetos não quebrarem porque projetos de bilhões você não para. Se parar, eventualmente não continuam. Vou apresentar alguns deles. Muitos que estão aqui conhecem esses ativos. Estou voltando.

O senhor vai atuar em que áreas? Eu sempre tive muito sucesso em mineração. Então estou voltando forte para a área de mineração e em áreas novas de tecnologia, no mundo nano, nano materiais e nano química. Se você vê a revolução que aconteceu na área eletrônica, de aplicativos, as próximas revoluções que virão agora são de novos materiais do mundo nano. Esses materiais são usados em máquinas 3D, que é a indústria 4.0 ou 5.0.

Sabe que aqui em Florianópolis há um polo de nanotecnologia com cerca de 10 empresas? Sei disso. Mas nano para materiais é mais em Minas Gerais por causa do nióbio. Lá a ciência de materiais é muito avançada.

Sobre pendências das empresas anteriores. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) acaba de condenar o senhor por insider (uso de informação privilegiada)? Tenho direito de recorrer. Não houve nada criminal importante. Depois que for julgado no final, aí é outra história. Eu só quero lembrar o seguinte. Em relação ao Rio de Janeiro, não sei se vocês têm a gravação, mas o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, disse que com Eike Batista não teve toma-lá- dá-cá. Eu nunca tive contrato com o governo.

Mas por que o senhor foi preso então? Eu não quero julgar a Justiça, até porque acredito que em instâncias superiores as coisas vão se esclarecer. Não cabe a mim julgar. Eu acredito na Justiça brasileira.

Se pudesse voltar, o que faria diferente na sua trajetória empresarial? Eu não imaginava que na parte humana das empresas, executivos, que a mistura de caráter e desonestidade fosse num nível tão grave.

Caráter e desonestidade? Claro! Absolutamente! No Brasil, eu digo para você: metade dos brasileiros são extraordinários, a outra metade, você não precisa. Com a metade que trabalha duro, é séria, dá para fazer coisas bacanas. Você tem que ter sistemas nas companhias para identificar essa falha grave, que não tem auditoria, não tem conselho que tem bola de cristal. Caso se juntem um grupo de executivos, é muito fácil eles enganarem você por muito tempo, principalmente quando um projeto é de longo prazo. Nossos projetos não são aqueles que dão resultados no primeiro trimestre. Você fica cinco anos só investindo. Se você tem algum problema na construção, ao invés de custar R$ 1 bilhão acaba custando R$ 2 bilhões e ali tem coisas que não são corretas. Infelizmente há esse lado no Brasil. Por isso eu sou fã da Lava-Jato nesse sentido, para mim, para os meus, para os seus filhos. Quem quer corrupção? O dinheiro é meu, eu pago imposto. Você sabia que eu que paguei o maior cheque de impostos jamais pago no Brasil, de US$ 450 milhões?

Por que um cheque de US$ 450 milhões? Foi um negócio que eu fiz, a venda de uma mina minha para Anglo American. Eu recebi um cheque enorme e paguei US$ 450 milhões de dólares em imposto. Não dava nem para entrar na máquina no Rio de Janeiro. Tiveram que fazer o recebimento numa agência de São Paulo. Ninguém fala. Isso em 2008. E todo dinheiro do BNDES (dos empréstimos ao Grupo EBX) foi pago até o último centavo. A mídia foi rasa, não se informou, não é legal isso. A mídia hoje está assim: se você não lê fica desinformado e se lê está mal informado. Os meus empréstimos do BNDEs foram todos pagos. Os seguros eram com bancos privados e avais pessoais. Não foi assim com a JBS. Eu nunca fui de partido nenhum. Sou apolítico. Meu pai também era. Por que me colocaram junto com o PT? Só porque tem uma foto minha junto com o presidente Lula? Ele foi visitar um projeto de US$ 1 bilhão. As duas maiores centrais elétricas do Maranhão fui eu que construí, uma do Pará e outra em Minas Gerais. Rio de Janeiro. Os governadores eram de vários partidos. Os meus projetos sempre começaram do zero. Os meus projetos não precisam de políticos. Eles é que sempre tiraram uma casquinha, em busca de votos. Não me coloca junto com os empreiteiros, não me coloca na Lava-Jato. Não tenho nada a ver com isso.

O senhor criticou a alta incidência de desonestidade no país. Como mudar isso? Com educação, educação e educação. Vem do berço. Os países nórdicos são referência. Lá, as pessoas não tiram um lápis que pertence a uma empresa. Aqui é tudo muito... pode. Talvez a gente seja um país muito novo ainda.

Um dos painéis aqui no Empreende Brazil, hoje, do qual participou a sua esposa Flávia Sampaio, abordou sustentabilidade. O senhor atuou com petróleo e segue com negócios que geram impacto ambiental. Vai mudar? Agora estou em negócios totalmente sustentáveis. Saí do setor de petróleo. O petróleo me quebrou. Agora vou ajudar a limpar o planeta. Vou investir em nanotecnologia e mineração que também faz uma parte sustentável. No caso de mineração vou atuar com ouro, minério de ferro e fertilizantes.

O senhor já está investindo nesses novos negócios? Sim. Criei mais 10 empresas unicórnio (empresas que valem mais de US$ 1 bilhão). Tenho 10 unicórnios no meu curral.  

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Estela Benetti

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Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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