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Em 1999, Sadia e Perdigão quase se uniram, revela Furlan

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Por Estela Benetti
28/04/2018 - 04h05 - Atualizada em: 28/04/2018 - 04h04
(Diorgenes Pandini, DIário Catarinense)

Na longa espera para a assembleia de quinta-feira (26) da BRF, na sede social da empresa, em Itajaí, foi possível contar muitas histórias sobre a maior empresa de SC que ano passado obteve receita líquida de R$ 33,469 bilhões. A mais surpreendente foi a revelação do conselheiro e acionista Luiz Fernando Furlan de que em 1999, ele à frente da Sadia e o então presidente do conselho da Perdigão, Eggon João da Silva, discutiram em várias reuniões em São Paulo a fusão das duas gigantes catarinenses de carnes. O acordo não saiu por pouco, disse Furlan. Vale lembrar que essa não foi a única tentativa de colocar as duas marcas sob o mesmo guarda-chuva. Mais tarde, em julho de 2006, a Sadia fez uma oferta hostil para comprar a Perdigão por R$ 3,7 bilhões, que foi rejeitada pela rival. A fusão, forçada, porque a Sadia teve rombo superior a R$ 2 bilhões devido a derivativos cambiais, ocorreu em 2009. Na assembleia de quinta, foi eleito um novo conselho e o executivo Pedro Parente para presidi-lo para que a empresa volte ao lucro. A seguir, a entrevista de Furlan contando mais detalhes sobre a fusão que não aconteceu e expectativas para a nova fase da BRF.

 

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Como foi a negociação para unir a Sadia e a Perdigão em 1999?

Eu e o seu Eggon João da Silva fizemos várias reuniões na sede da WEG em São Paulo, na Avenida 23 de Maio, perto do aeroporto de Congonhas. Chegamos muito perto de fechar o acordo. Eu até não me lembro porque que não deu certo, mas foi por muito pouco. Iniciamos as negociações porque achávamos que era um grande projeto ter uma grande empresa nacional. Numa boa, o seu Eggon entrou nesse negócio (Perdigão) sem querer. Ele quis ficar sócio da Sadia, comprar 10% da Sadia, conversou com o seu Anselmo Fontana, que levou o assunto para alguns acionistas e foi dito que ninguém tinha ações à venda. Ele era muito amigo do seu Romano Fontana. Aí, um dia ele comprou 10% da Perdigão. Logo depois a empresa entrou em crise grave e ele se sentiu desafiado. Pensou: vou perder também? Não, vou lutar. Vendeu a empresa para a Bunge. Numa sexta-feira a empresa estava vendida para a Bunge, saiu um aviso ao mercado. Mas durante o fim de semana, houve uma outra negociação e os fundos (Petros e Previ) ofereceram R$ 50 milhões a mais. O valor negociado com a Bunge acho que era R$ 300 milhões. Os fundos ofereceram mais e negociaram. Eggon ficou presidente e foram buscar o Nildemar Secches, que era diretor da Ioschpe. O Ivoncy Ioschpe ligou para mim e disse: se você vier aqui, eu te apresento a pessoa que vai ser presidente lá. Fui ao escritório da Ioschpe e ele me apresentou o Nildemar que seria o presidente da Perdigão. E veja que coincidência. Na última terça-feira fui a uma reunião na Av. Faria Lima. Entrei no elevador e quem estava lá? O Nildemar.  Perguntei o que estava fazendo e ele disse que iria para reunião do conselho da Suzano. Ele falou: vocês estão com encrenca de novo. Eu disse que estamos, mas vamos resolver. O senhor não convidou ele para assumir a presidência da BRF?

Não. Eu não tenho cacife pra nada. Sou peão na BRF (risos). Trabalhamos juntos como co-presidentes do conselho da empresa a partir de 2009. Naquela ocasião, eles patrocinavam o Corinthians com a Batavo e me presentearam com uma camisa exclusiva do time com a marca BRF.  A assembleia elegeu o novo conselho da BRF assume nesta sexta-feira e muitos catarinenses querem saber o que será decidido depois. Quais são as expectativas?

Se a empresa não melhorar depois dessa assembleia, vai ser culpa dos acionistas porque tudo o que está sendo feito é para pacificar a empresa, colocar ela nos trilhos, principalmente lembrar a cultura do Oeste de Santa Catarina, de qualidade, inovação, pessoal suando a camisa junto, coisas que, infelizmente, pela rotatividade, pelo que vocês escrevem, alguma coisa dessa memória foi se perdendo. O embargo europeu é uma grande preocupação?

Eu não falo pela empresa, mas isso (o embargo) é uma decisão equivocada, não há nenhuma razão concreta, não existe nada que a empresa possa contestar porque não recebemos nada. Dito pelo ministro da Agricultura (Blairo Maggi) mais de uma vez que nenhum exame feito pelo Ministério no ano passado e neste ano mostrou qualquer tipo de irregularidade de análise. A alegação lá em Bruxelas, para a nossa equipe que foi lá, é que a decisão deles foi baseada no que leram nos jornais. (Doze unidades de aves da BRF estão com embargo para exportações à Europa).

 

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Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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