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Empresa de SC tem ganhos com projeto-piloto de Indústria 4.0 da Bosch

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Por Estela Benetti
20/06/2021 - 16h02 - Atualizada em: 20/06/2021 - 16h04
Matriz da Rudoph Usinados, em Timbó, Santa Catarina
Matriz da Rudoph Usinados, em Timbó, Santa Catarina (Foto: Divulgação)

Uma das tendências que aceleraram com a pandemia é a indústria 4.0, que conecta equipamentos com soluções digitais. A multinacional catarinense Rudolph Usinados, de Timbó, foi a fornecedora escolhida pelo grupo alemão Bosch para desenvolver o projeto 4.0 Smart Retrofit. Entre os resultados alcançados estão redução de 51% no número de trabalhadores nas células produtivas, ganho financeiro de R$ 285 mil, aumento de 30% e produtividade, redução de 42% na taxa interna de defeitos e redução de 18% no tempo de produção de peças metálicas.

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Diante desses resultados positivos para a empresa, no trabalho desenvolvido em três anos, a Bosch vai adotar o novo sistema em mais 18 fornecedores no Brasil, informa Alex Marson, presidente da Rudolph Usinados. Os investimentos para replicar o modelo nessas firmas será de R$ 2,6 milhões e parte virá do Programa Finep 2030 Empresarial.

Uma das conclusões esperadas, mas que mais chamam a atenção é a redução de 51% na necessidade de mão de obra nas células produtivas. No caso da Rudolph, as pessoas foram transferidas para novos programas de trabalho na empresa, que manteve a equipe inclusive durante a pandemia em 2020, quando teve recuo de vendas. De acordo com o executivo, a indústria 4.0 inclui tecnologias como conectividade, ciência de dados, algoritmos de aprendizado de máquinas e inteligência artificial, o que amplia possibilidades.

- A jornada de aprendizado com o projeto deixa evidente, no entanto, que, em uma camada complementar à tecnológica, o desenvolvimento de um modelo mental, de uma cultura digital, representa um desafio, e, portanto, uma oportunidade igualmente importante – analisa Alex Marson.

O executivo explica que no projeto-piloto, mesmo partindo de padrões elevados de qualidade, houve uma redução de 42% na taxa interna de defeitos, o índice de eficiência geral dos equipamentos da célula teve ganho de 7% e o tempo de ciclo de produção foi reduzido em 18%. Segundo ele, os ganhos de produtividade alcançados permitiram um aumento de capacidade de produção de 210.500 para 274 mil carcaças de bomba de combustível por mês, uma alta de 30%.

Alex Marson, presidente da Rudolph Usinados
Alex Marson, presidente da Rudolph Usinados
(Foto: )

Fundada há 48 anos, a Rudolph Usinados conta com equipe de 680 colaboradores diretos, uma filial na Eslováquia e projeta fechar este ano com receita líquida de vendas superior a R$ 200 milhões. A expectativa é superar as perdas causadas pela Covid-19 no ano passado.

- A pandemia gerou uma retração na atividade industrial no Brasil e na Europa em 2020, que resultou em uma retração de 14% na receita do grupo. Mas já observamos um movimento contrário. No primeiro trimestre de 2021, o crescimento foi de 52%, em relação ao mesmo período de 2020, ainda não impactado pela pandemia. Com todas as unidades operando em níveis recorde de vendas em 2021, a expectativa é de superar os R$200 milhões de receita líquida – explica Alex Marson.

A Rudolph Usinados tem quase 70% dos negócios voltados à indústria automotiva. Como esse setor teve em 2020 o pior resultado dos últimos 17 anos, com recuo de 31% da produção, isso afetou toda a cadeia de fornecedores. Parte das empresas do setor aproveitou essa trégua para avançar na digitalização, como foi o caso da Rudolph, no Vale do Itajaí.

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Estela Benetti

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Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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