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Fifty-fifty

Mulheres na inovação: executivas falam sobre participação feminina em diferentes áreas

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Por Estela Benetti
14/06/2019 - 09h42 - Atualizada em: 23/07/2019 - 11h07
"Mulheres na inovação" foi tema de um dos painéis do 8º Congresso Brasileiro de Inovação. (Foto: CNI/Divulgação)
"Mulheres na inovação" foi tema de um dos painéis do 8º Congresso Brasileiro de Inovação. (Foto: CNI/Divulgação)

Um dos painéis do 8º Congresso Brasileiro de Inovação, realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Sebrae nacional na segunda (10) e terça-feira (11), em São Paulo, trouxe uma abordagem global sobre mulheres na inovação e a necessidade de maior participação feminina em todas as áreas da economia. As palestrantes foram nada menos do que sete empresárias e executivas com experiência em grandes companhias globais, entidades e universidades do exterior.

Com moderação da presidente do Conselho de Competitividade dos Estados Unidos, Deborah L. Wince-Smith; falaram a presidente da Microsoft Brasil, Tânia Consentino; a presidente da SAP Brasil, Cristina Palmaka; a diretora de Inovação da CNI, Gianna Sagazio; a professora visitante da Universidade de Cornell (EUA), Heloisa Menezes; a diretora do Instituto de Mercados Emergentes da Escola de Negócios da Universidade de Cornell, Lourdes Casanova e a vice-presidente de Operações e Logística da Natura, Josie Romero.

Vou destacar aqui três participações:

Deborah Wince-Smith

Deborah Wince-Smith abriu o painel lembrando que desde o começo da civilização, as mulheres sempre foram inovadoras, com destaque na domesticação de animais e plantas. Esse ótimo trabalho tem que continuar para que as mulheres estejam à frente como líderes inovadoras do mundo. Conforme levantamento recente da consultoria McKinsey, 72% dos artigos científicos no Brasil são publicados por mulheres, elas representam 49% dos pesquisadores do país e grandes companhias de tecnologia têm mulheres na presidência, como a Microsoft e SAP. Apesar de as mulheres estudarem mais, os homens têm índices superiores de empregabilidade e recebem salários mais altos.

Tânia Consentino

Tânia Consentino, que é referência de mulher no topo de empresas, contou que sempre foi forte em exatas e ciências, se formou técnica em eletrônica aos 17 anos e desde os 16 anos trabalha na área. Optou pela graduação em engenharia, o que levou a atuar em diferentes empresas, chegar à presidência da Schneider Electric na América Latina e, este ano, à presidência da Microsoft Brasil.

— Há um estudo da Mckinsey que se as empresas tivessem, no mundo, o mesmo nível de mulheres e homens com os mesmos salários, seria o mesmo que acrescentar as economias dos Estados Unidos e da China na economia mundial — afirmou Tânia.

Se mulheres e homens tivessem os mesmos salários no mundo seria o mesmo que acrescentar as economias dos Estados Unidos e da China na economia mundial Tânia Consentino

Segundo estatística da ONU, hoje menos de 5% de CEOs (presidentes) de empresas são mulheres e serão necessários 100 anos para ter uma igualdade. Para ela, não dá para esperar 100 anos para atingir essa igualdade. É possível chegar antes e as mulheres precisam se preparar para isso.

Cristina Palmaka

Cristina Palmaka, CEO no Brasil da SAP, maior companhia de software para gestão empresarial do mundo, para superar as desigualdades, especialmente de gênero, raça e outras é preciso ter educação de qualidade. Ela conta que se tornou executiva graças à educação que recebeu da família.

— Meu pai dizia que nunca deveria depender de homem, nem de mim (do pai).  Éramos em três filhos, dois irmãos e eu. A gente lavava a louça, encerava a casa. Quem terminava de comer por último lavava a louça. Aí todo mundo comia muito rápido lá em casa. Como lá em casa era todo mundo igual eu avancei na carreira com essa cultura — contou a executiva.

Para ela, não são somente slogans que vão mudar essas diferenças de gênero. As empresas precisam olhar os cargos e salários e oferecer remuneração igual para os mesmos cargos, independentemente de ser homem ou mulher. Todos têm um papel para acelerar essa curva da diversidade, disse a executiva que é mãe de uma filha e corre maratona.

Todos têm um papel para acelerar essa curva da diversidade Cristina Palmaka

As trajetórias dessas grandes executivas mostram que mulheres preparadas com carreiras na área de exatas ou ciências e determinação conseguem chegar ao topo. Isso vale para todos os postos do mercado de trabalho, que está passando por uma grande transformação digital e exigindo constantes aprimoramentos.

Além disso, outra mudança agora no Brasil, com a reforma da Previdência, que prevê pensão de apenas 50% no caso da perda do cônjuge, vai fazer com que mais mulheres não pensem mais em depender de homem nenhum. Com informação e formação será possível chegar mais rápido ao fifty-fifty, ou seja, a metade para cada um, homens e mulheres, no mercado de trabalho. 

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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