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“Não há no mundo uma parceria de tantos anos entre empresa e grupo de pesquisa”, diz professor da UFSC

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Por Estela Benetti
05/05/2018 - 02h35 - Atualizada em: 06/05/2018 - 10h25
(Arquivo Embraco)

A revelação da venda da Embraco para o grupo japonês Nidec Corporation, feita pela Whirlpool no último dia 23 de abril, surpreendeu o mercado mundial, mas não o grupo de pesquisadores do Polo – Laboratórios de Pesquisa em Refrigeração e Termofísica da UFSC. 

Segundo o professor titular do Departamento de Engenharia Mecânica da instituição e supervisor do Polo, Cláudio Melo, o grupo sabia que algo ia acontecer porque executivos de empresas interessadas em comprar a companhia faziam questão de conhecer o laboratório como se fosse um centro de pesquisas da própria empresa. De fato, eram mesmo interessados em comprar a Embraco e os 130 cientistas do Polo gostaram do perfil da nova controladora, focada em eletrodomésticos.  

 

Leia na coluna de Claudio Loetz: Embraco: do nascimento à venda

 

Mas por que essa diferenciação? É que a parceria Embraco-Polo em pesquisas contínuas, firmada pelo então gestor de pesquisa da Embraco, Ernesto Heinzelmann, em 1982, foi o que permitiu à companhia desenvolver tecnologias de ponta, inovar e atingir a liderança mundial em seu setor. Nesta entrevista, o professor fala sobre o início da parceria, as pesquisas e os desafios do segmento.

O começo da parceria Iniciamos esse trabalho com a Embraco em 1982 e, desde então, ele se mantém constante. Já são 36 anos. Não existe no mundo uma relação de tantos anos de uma empresa privada com um grupo de pesquisa pública de maneira contínua. Normalmente, as empresas vêm e vão, com projetos diferentes.   Por que a iniciativa Quem começou isso foi o Ernesto Heinzelmann, nosso ex-aluno de engenharia que na época trabalhava na companhia. Eles tinham como fornecedora de peças a Danfoss, da Dinamarca (comprada ano passado pela Nidec) e sempre enfrentavam problemas na produção que eles não tinham como resolver. Por isso, eles queriam aprender a fazer e fazer melhor. Ele veio duas ou três vezes aqui, bateu em várias portas da universidade, mas não achava a pessoa certa. Até que um dia encontrou o professor Rogério Ferreira (hoje aposentado), que fundou o laboratório Polo. A UFSC não tinha esse laboratório, nem o grupo de pesquisa em refrigeração. Começamos a desenvolver tecnologia junto com a Embraco e ela se tornou a gigante que é hoje, exportando para o mundo todo. Como a empresa foi liderada até há pouco por engenheiros, essa parceria continuou.   Pesquisas atuais Hoje o Polo atua com pesquisas em três áreas para a Embraco: uma em compressores, outra em novas tecnologias que não vão entrar no mercado no curto prazo e outra que chamamos de sistema de refrigeração. Para cada área há um planejamento estratégico, de acordo com recomendação de consultoria internacional. Ela olha o mundo, lista o que precisa ser estudado nos próximos anos. A universidade olha o que pode colaborar, alguns pontos nós fazemos, outros eles procuram em outros institutos. Esses acordos são renovados a cada dois anos.  Outros projetos Temos um trabalho novo com a Embrapii. Eles cobram resultados, faturamento. Antes, atuávamos só com a Embraco. Agora, a Embapii cobra outras pesquisas para outras linhas que também usam frio. Uma das novas clientes é a Embraer. Tivemos que sair da linha de conforto.  Do exterior Recebemos representantes de empresas do mundo todo interessados em parcerias para pesquisas. Quando achamos que é conflitante com o que já fazemos, não aceitamos. Para refrigeradores, podemos atuar com o mundo todo. Do exterior, vieram projetos de empresas de países como a Alemanha, os Estados Unidos e a Turquia.  A equipe Polo Contamos com 130 pessoas na área de pesquisa. Temos cinco professores e mais cerca de 30 pesquisadores contratados fixos. Temos também engenheiros e estudantes de mestrado, doutorado e iniciação científica que fazem pesquisas aqui.  Desafios a resolver O que mais motivava pesquisas nesse segmento da Embraco era a redução do consumo de energia elétrica e geração de mais frio. Ainda hoje trabalhamos sempre com esses objetivos em mente. Depois, começou a pressão do ponto de vista  ambiental, o produto tinha que ter baixo consumo de energia, não agredir a camada de ozônio e não gerar efeito estufa. Agora, nos últimos anos, a empresa solicitou um foco fortíssimo na redução de custos.  Da UFSC para o mundo Boa parte da equipe de pesquisa e desenvolvimento da Embraco é integrada por engenheiros graduados na UFSC. Todas as empresas de compressores do mundo têm um ex-Embraco e ex-Polo em postos chaves. Cerca de 40% do pessoal de pesquisa e desenvolvimento da Embraco atuou no Polo. Até anos atrás, ela era bem agressiva em pesquisas, contratava engenheiros mais ousados. Agora, observa também o custo. 

 

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Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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