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Entrevista

“SC tem sido referência no saldo positivo de empregos no país”, diz presidente da Fiesc

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Por Estela Benetti
25/05/2019 - 06h00 - Atualizada em: 25/05/2019 - 05h58
Mario Cezar Aguiar. (Foto: Marcos Campos / Divulgação)

O encerramento da Semana da Indústria, nesta sexta-feira, com a homenagem das medalhas, foi um momento para exaltar a eficiência do setor produtivo catarinense, mas também alertar sobre o que impede avanços. Nesta entrevista, o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiesc), Mario Cezar Aguiar, fala sobre as razões para comemorar o Dia da Indústria, defende as reformas e uma abertura econômica com equilíbrio de condições.  

O que a indústria catarinense tem a comemorar neste 25 de maio, Dia da Indústria?

Temos muito a comemorar, a começar pelo nosso desempenho que é acima da média nacional. Agora que estou participando das reuniões da CNI em Brasília converso com industriais de outros Estados.

Cada vez mais eu me convenço de que o nosso Estado é diferente. As grandes empresas catarinenses, diferente das de outros Estados, são nascidas aqui. Nós temos indústrias de base familiar que reinvestem todos seus resultados, sempre foram protagonistas, inovadoras, enxutas, focadas e cresceram bastante. Isso faz uma diferença enorme e ratifica aquilo que já destacávamos, de que nosso empresário é empreendedor por natureza. As grandes empresas de SC começaram pequenas.

Hoje, mais de 98% das nossas indústrias são micro e pequenas. A contar pela história que temos, elas vão crescer naturalmente. Posso incluir aqui as startups. Somos o Estado com mais startups per capita do país, o que mostra que as pessoas acreditam no que fazem, investem e as empresas crescem.

É por isso que temos uma grande geração de empregos na indústria?

Como as empresas vão bem e crescem, elas fazem com que tenhamos a menor taxa de desemprego do país. Santa Catarina tem sido referência no saldo positivo de empregos no Brasil nos últimos anos. São as empresas de diversos setores que alcançam essa marca, embora a indústria tenha puxado muito. Isso tem ajudado a não elevar a taxa de desemprego no Brasil.

Na entrega das medalhas a industriais o senhor foi mais incisivo na cobrança das reformas. Por que?

Não há nenhuma dúvida de que nós precisamos fazer as reformas estruturantes: a previdenciária, a tributária e a política. A reforma da Previdência é uma questão matemática. Estamos perdendo o bônus demográfico, a média de idade das pessoas está aumentando e a cada ano tem menos trabalhadores ativos para pagar aposentadorias dos inativos. Se for feita a reforma da Previdência é possível reduzir ou até acabar com o déficit público.

É preciso fazer a reforma da Previdência sem prejudicar os mais necessitados e acabando com os privilégios. No caso a reforma tributária, a simplificação já seria um grande ganho. E se o governo melhorar sua eficiência poderá reduzir sua necessidade de cobrar tributos ou sobrar mais dinheiro para investir.

Hoje o Brasil investe apenas 15% do PIB. Os países que estão melhores investem cerca de 22% e a China muito mais. Além da reforma da Previdência, é preciso fazer a reforma fiscal para reduzir gastos com custeio público. E precisamos desonerar a produção. Não estou dizendo que o setor produtivo é perfeito. Precisa de melhoria contínua, mas isso ele tem feito porque a concorrência é globalizada, voraz, e as empresas precisam buscar soluções que melhoram a sua competitividade.

O que preocupa a indústria?

O que nos preocupa é a não aprovação das reformas e a infraestrutura muito precária. Precisamos de melhores rodovias, ferrovias, aeroportos e investir mais nos nossos portos que são eficientes mas têm um potencial de crescimento muito maior. Queremos mais investimentos em infraestrutura para crescer.

O governo federal planeja abrir mais a economia, o que tem gerado preocupações de setores industriais. O que a Fiesc espera?

O governo tem que abrir a economia, mas precisa dar condições para sermos competitivos. Eu falo aqui para os industriais catarinenses: não temos nenhum medo de concorrer com indústrias estrangeiras. Algumas podem ter dificuldades mas, na média, somos competitivos globalmente.

O que não podemos ter são custos que não agregam valor. Não podemos abrir a economia em condições desiguais, quando se traz produtos de fora com carga tributária baixíssima e vêm competir conosco, com carga tributária elevada. Em igualdade de condições, somos extremamente competitivos. Não defendemos reserva, preferimos um mercado livre, aberto, mas em igualdade de condições com o exterior.

Como estão os investimentos do setor?

Com a posse do novo governo tivemos um clima de otimismo forte. Logo no início a intenção de investir estava extremamente alta na expectativa de que as reformas fossem aprovadas com a maior brevidade. Dada toda essa disputa entre executivo e legislativo, que parece que agora está sendo encaminhada uma solução, as reformas não saíram no ritmo esperado pelos empresários locais e também dos investidores internacionais. É essa demora que tem impedido os investimentos.

Diante dos avanços tecnológicos, como o Sistema Fiesc está formação pessoas?

O Sesi e o Senai estão preparados para atender essa nova demanda mundial, que é a busca de capacitação para funções que não existiam. Mas também não podemos deixar de atender a capacitação básica. Temos em SC quatro institutos de inovação, estamos desenvolvendo tecnologias novas junto com as empresas e temos sete institutos de tecnologia, atendendo as necessidades das empresas. Mas tanto o Sesi quanto o Senai estão preparados e atuam por demanda.

Criamos dentro dos institutos cursos MBI, desenvolvendo essa cultura 4.0. Embora isso pareça algo de grande empresa, temos pequenas e médias indústrias usando as tecnologias 4.0.

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Como avalia a internacionalização da economia, de SC, uma prioridade da sua gestão?

Nós participamos da corrente de comércio internacional muito acima da média nacional. Santa Catarina é um Estado exportador e importador. Temos cinco portos. Por isso nem tudo o que chega é para o Estado. Quando olhamos para os nossos clientes lá fora, vemos que vendemos para muitos países desenvolvidos.

Os EUA foram nosso mercado principal por anos e ainda se destaca, o que significa que temos qualidade, somos altamente competitivos. Poderíamos ser muito mais se tivéssemos melhores condições. Por isso, assim que o governo do Estado assumiu e disse que SC tinha muita renúncia fiscal, nós explicamos que isso não é renúncia fiscal. Na verdade, os incentivos trazem benefícios para a economia local.

Eles voltam muito mais em termos de tributos, geração de riqueza e emprego. Você não pode renunciar o que não existe. Se SC não tiver incentivos, a empresa vai para outro Estado enquanto existir guerra fiscal.

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