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Quanto vale um sócio?

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Faraco
Por Faraco
20/01/2020 - 16h33 - Atualizada em: 21/01/2020 - 05h46
Vídeo com a discussão nas sociais da Ressacada, logo após a derrota de sábado, repercutiu nas redes sociais (Foto: reprodução)
Vídeo com a discussão nas sociais da Ressacada, logo após a derrota de sábado, repercutiu nas redes sociais (Foto: reprodução)

São campanhas e mais campanhas pelos clubes, Brasil e mundo afora. A tentativa é aproximar cada vez mais o torcedor do seu clube do coração, pra fazer sentir que ele, efetivamente, faz parte.

Uma pesquisa rápida no google e várias frases surgem em diversas campanhas nos clubes pelo país.

“Transforme sua paixão em amor pra toda a vida”, Internacional

“Não é por opção. Não é pela razão. Seja sócio pelo coração”, Criciúma

“Somos Botafogo. Sua paixão vale muito”, Botafogo-RJ

“Você pode conquistar mais um título com o Bahia: o de sócio. Associe-se e decida o futuro do Bahia”, Bahia

“O Vasco é meu. O sentimento não pode parar”, Vasco da Gama

“São gerações e corações fazendo a história”, Sport Recife

“Quem tem força vira sócio”, Coritiba

“Una-se a nós. Só falta você. Conhecemos teu valor”, Atlhético-PR

São slogans de campanhas que estão no ar ou já foram realizadas pelos clubes. Todas têm o mesmo apelo, que é motivar o torcedor a se associar pela sua paixão ao clube do coração.

Um sócio vale muito mais do que o dinheiro que ele paga na mensalidade. Vale a sua paixão. Vale também como um fator para dimensionar a grandeza de um clube.

Há torcedor que abre mão de comprar algo em casa, ou pra ele, só para contribuir com o clube do coração - o mínimo que seja.

Isto não pode ser atacado. É intocável.

O valor de um sócio transcende a uma conta de quantas horas de trabalho de um atleta ou funcionário esta mensalidade paga.

Por isso, o maior pecado cometido pelo presidente do Avaí, na discussão com o torcedor na arquibancada da Ressacada, no último sábado, foi desvalorizar esta paixão.

O presidente, de cabeça quente, queria retrucar e ferir na discussão o torcedor que estava na frente dele falando em voz alta com o argumento de que é sócio. Mas Battistotti foi inábil e feriu a todos os sócios, quando afirmou que a mensalidade não “paga um terço do salário...”

Talvez a mensalidade de um sócio, isolada, não tenha muito valor econômico/financeiro/administrativo mesmo. Mas a dedicação dele ao clube, a paixão que o fez ser sócio vale muito e não há como mensurar. Também não dá a ele, o torcedor-sócio, o poder para xingar como quiser. Dá sim o direito de participar, se orgulhar, de fazer parte.

Nas contas do Avaí, o orçamento 2020 prevê R$ 4,8 milhões arrecadados em mensalidades de sócios até dezembro. Então juntando todos os sócios e suas pequenas mensalidades, se for pra ser prático e levar só pelos números, já há um valor expressivo e que ajuda a pagar muitas contas na temporada.

Aliás, na projeção das receitas da temporada 2020 do Avaí, o valor arrecadado com os sócios só perde para o valor que vai ser recebido de direitos de televisão pela Série B (R$ 7 milhões) e para o valor projetado pelo clube com vendas dos direitos de atletas (R$ 15 milhões).

Há algum tempo o presidente Battistotti vem errando no tratamento ao torcedor. O ano de 2019 ainda bate forte nesta relação mal resolvida. Ele precisa entender isso e, quem sabe, mudar a postura.

Rodrigo Faraco

Colunista

Faraco

Jornalista e comentarista esportivo, sempre atento ao que acontece especialmente no futebol catarinense, faz análises e bastidores dos times do Estado.

siga Faraco

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