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Literatura

Leia Mulheres Joinville discute “Úrsula”, de Maria Firmina dos Reis

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Por Gerson Junior
21/11/2019 - 07h00
Leia Mulheres
O Leia Mulheres é um movimento nacional que existe desde 2015 e objetiva incentivar uma luta, cada vez mais compartilhada, para empoderar mulheres escritoras. Foto: Marcela Guther/Arquivo Pessoal

Em novembro, mês em que se comemora o Dia da Consciência Negra, o livro a ser debatido pelo clube Leia Mulheres Joinville é o “Úrsula” (1859), da escritora maranhense Maria Firmina dos Reis. Obra inaugural da literatura afro-brasileira, trata-se de um dos primeiros romances de autoria feminina escritos no Brasil. O trabalho da escritora, no entanto, caiu no esquecimento e só foi redescoberto na década de 1960. “Úrsula” foi reimpressa e devidamente lida desde então.

Com caráter itinerante, o clube Leia Mulheres Joinville contempla, a cada mês, centros culturais e alternativos da cidade. O encontro do grupo – que tem como objetivo propor ações para inclusão da presença da mulher no mercado editorial –, acontece no sábado, dia 23, às 15h, desta vez no Centro de Direitos Humanos Maria da Graça Bráz - CDH (Rua Dr. Plácido Olímpio de Oliveira, nº 660, bairro Bucarein). A mediação será feita pela jornalista Marcela Güther. A entrada é gratuita e aberta para a comunidade, sem necessidade de inscrição.

SOBRE O LIVRO

Maria Firmina dos Reis foi uma mulher negra maranhense, professora, escritora, compositora e musicista. Militante das causas da educação, Maria cresceu em um período em que as oportunidades de estudo para a mulher negra eram mínimas. Neste contexto, “Úrsula”, publicado em 1859, é um marco na literatura nacional. Foi um dos primeiros romances brasileiros escritos por uma mulher, o primeiro de uma autora negra, inaugurando a literatura afro-brasileira. Demonstra o pioneirismo ao denunciar os horrores do sistema escravocrata, narrado de forma original e inédita até então, pela perspectiva e subjetividade dos próprios escravos.

“Úrsula” também foi um dos primeiros romances abolicionistas brasileiros, escrito antes mesmo do poema “Navio Negreiro”, de Castro Alves (1869), e de “A Escrava Isaura” (1875), de Bernardo Guimarães. Extremamente consciente de sua condição da sua condição de mulher negra em um país escravocrata e patriarcal, Firmina afirma sua coragem ao denunciar a violência e a ilegitimidade da escravidão naquela época. Segundo Regina Zilberman, pesquisadora, escritora e professora de literatura na UFRGS, “Úrsula” justifica a fama póstuma, pois, nessa obra, se discutem temas que ainda hoje não perderam atualidade, como o racismo, a perda da liberdade e a opressão feminina.

SOBRE O LEIA MULHERES

O Leia Mulheres é um movimento nacional que existe desde 2015 e objetiva incentivar uma luta, cada vez mais compartilhada, para empoderar mulheres escritoras que sobrevivem a um mercado editorial com preponderância de vozes masculinas. No Brasil, o movimento, criado em São Paulo há quatro anos, já abrange mais de 120 cidades, sendo seis catarinenses: além de Joinville, há clubes de leitura de autoras em Florianópolis, Blumenau, Lages, Balneário Camboriú e São José.

Entrada Gratuita.

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