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Informações e análises sobre assuntos relacionados ao universo financeiro. De segunda a domingo, um tema diferente: finanças pessoais, economia, tecnologia, comércio exterior, empreendedorismo e agronegócio.

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Apesar de suas virtudes, agricultura nacional é injustamente atacada por ONGs

Por Giro Financeiro

14/12/2018 - 19h34

*Por José Zeferino Pedrozo Todos os setores organizados desejam a aprovação, o reconhecimento e a valorização do conjunto da sociedade. A conquista desse status depende de um conjunto de fatores, entre os quais se destaca a capacidade de comunicação. Na sociedade livre, democrática, libertária, pluralista e fundada no Estado de direito que os brasileiros conquistaram, a efetiva comunicação social precisa estar calcada no competente e articulado emprego dos meios impressos, eletrônicos e digitais.Apesar de todas as inovações distópicas e disruptivas que surgiram nos últimos anos, revolucionando as relações sociais em todos os ambientes, os especialistas concordam com a necessidade do emprego das mídias online e offline.Número de jovens no campo cai e envelhecimento aumenta na zona rural de SC, mostra IBGEO setor primário da economia – ou seja, a agricultura e o setor extrativo – e, de uma forma mais ampla, o agronegócio, que inclui as cadeias que produzem todos os insumos e instrumentos para o agro, necessitam de uma comunicação eficaz para obterem o reconhecimento da sociedade. Nessa busca, mister se torna destacar dois aspectos.O primeiro é que, de fato, o agro se tornou a locomotiva do desenvolvimento econômico brasileiro e catarinense. Em números arredondados, responde pela metade das exportações do país, assegura US$ 100 bilhões em divisas, mantém quase 20 milhões de empregos.A agricultura brasileira é um fenômeno. Produz alimentos para alimentar 1 bilhão de pessoas. Como o Brasil tem 215 milhões de pessoas, torna-se fortemente exportacionista. É 100% sustentável. Ocupa menos de 30% do território. Pesquisa da Embrapa comprova que o produtor rural é o grande protetor e preservador dos recursos naturais: 25% do território nacional são conservados dentro dos estabelecimentos rurais de pequeno, médio e grande porte.Meta de Bolsonaro para o meio ambiente é reduzir prazo das licençasA proteína animal produzida aqui é a mais acessível (barata) do planeta. Mas apesar de suas virtudes a agricultura nacional frequentemente é injusta e intensamente atacada por ONGs nacionais e internacionais a serviço de interesses estrangeiros.O segundo aspecto que torna a comunicação necessária é a condição – como ocorre em todos os países – de dependência de políticas e investimentos públicos em face de uma variável imprevisível chamada clima. Sistema de crédito rural é a política pública mais relevante em face da necessidade anual de recursos para o cultivo das lavouras e a criação de plantéis. Outra variável é a infraestrutura de transporte e armazenagem. Toda a eficiência produtiva “para dentro da porteira” pode ser destruída pelas intempéries (secas, inundações etc.) ou pelas más condições do sistema viário, portos, telecomunicações etc.Em suma, a sociedade precisa conhecer, compreender e aprovar o vasto universo rural e sua importância para a economia e a segurança alimentar da Nação. Assim, fluirão com mais vigor políticas de apoio ao setor primário e seus agentes (o trabalhador rural, o produtor rural, o empresário rural, o pesquisador etc.). Para isso, as entidades de representação e defesa técnica e política do agro – como a CNA e a Faesc – desenvolvem ações de comunicação, buscando decodificar para o universo urbano, a essência e a riqueza do indispensável agro.Aos poucos vamos virando o jogo e, nos últimos anos, a mídia vem dando mais atenção às pautas relacionadas à agricultura e ao agronegócio. A comunicação é uma batalha diária. Além de alimentar, o agro quer conquistar a mente e o coração do brasileiro. *José Zeferino Pedrozo é presidente da Faesc e do Senar/SC Leia também:Condenação da Monsanto nos EUA reabre debate no Brasil 

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Acate/Divulgação

O ano da Acate

Por Giro Financeiro

12/12/2018 - 08h39

*Por Daniel Leipnitz, presidente da Associação Catarinense de TecnologiaEste foi o nosso ano. Prova disso foram os dois recentes prêmios que recebemos: como melhor hub de inovação do Brasil, pelo Startup Awards, da Associação Brasileira de Startups (ABStartups); e o top de marketing e vendas da ADVB/SC, na categoria tecnologia.Uma de nossas principais entregas neste ano foi o lançamento do Observatório Acate em parceria com a Fiesc. Foi com base nos dados extraídos dele que fizemos o Panorama 2018, com números atualizados sobre o setor de tecnologia em Santa Catarina.Também aproveitamos o ano para expandir nossa atuação e trilhar o caminho da internacionalização, assim como sempre aconselhamos aos empreendedores da nossa rede. Abrimos um escritório em Boston, nos Estados Unidos, para que as associadas tenham onde fazer negócio no país e um apoio para conhecer melhor o mercado norte-americano. E falando em terras estrangeiras, a nossa incubadora Miditec foi reconhecida como a 5ª melhor do mundo pela consultoria UBI Global. A premiação foi divulgada durante o World Incubation Summit 2018 em Toronto, no Canadá.Por acreditar que é a troca de conhecimento que impulsiona a inovação, criamos ainda novos grupos temáticos - mulheres, investimentos e internacionalização. Os participantes se encontram periodicamente para discutir sobre esses assuntos e propor ações para melhorar o ambiente em que estão inseridos.Outro grande destaque foi a inauguração de três centros de inovação na capital catarinense: o Soho, no bairro Itaguaçu; o Downtown, no Centro; e o Acate Sapiens, no norte da Ilha, que será apresentado ao público hoje à noite. Todos eles estão credenciados na Rede Municipal de Centros de Inovação, iniciativa nossa em parceria com a prefeitura. São quatro espaços, contando com o Centro de Inovação Acate — Primavera, na SC-401, que devem cumprir as funções essenciais estabelecidas nas políticas municipal e estadual de inovação, tais como capacitação, informação, coworking, incubação e aceleração de startups, hackathons, acesso a investidores, atração de negócios, entre outras.Para o próximo ano, já temos previstos novos centros de inovação, unidades do Link Lab, programa com foco em varejo, além de apoio e promoção de grandes eventos no Estado. Não há teto para a inovação, então nosso objetivo é sempre fazer mais. Vem com a gente construir o futuro!

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Produtividade em Tom maior

Por Giro Financeiro

10/12/2018 - 18h05

*Por Paulo de Tarso GuilhonEm entrevista ao JB, em 1992, Tom Jobim contou que Roberto Campos disse a ele que há países pobres em recursos, mas com vocação para a riqueza, como o Japão, e há outros ricos em recursos, mas com vocação para a pobreza, como o Brasil.São inúmeros os desafios do Brasil para se tornar uma nação desenvolvida e reduzir a desigualdade social. Meu avô, nascido no século retrasado, dizia para meu pai, nascido no século passado, que o Brasil era o país do futuro, frase que meu pai, também me disse. Espero poder dizer aos meus netos que o Brasil tem tudo para mudar agora nossa vocação. É preciso vencer os desafios e fazer com que nossa produtividade seja elevada em Tom maior.BRF vende ativos para a Marfrig, que se torna líder global em hambúrguerA produtividade, que depende de nossos recursos, como terra, capital, trabalho e ainda tecnologia e capacidade de empreender, no Brasil, é pior do que era em 1994, como aponta estudo do Observatório da Indústria. Em outras palavras, em quase 25 anos, a capacidade brasileira de transformar recursos em bens e serviços não evoluiu.A produtividade mede se um país utiliza seus recursos com eficiência para produzir bens e serviços. Nossa produtividade equivalia a 28% daquela dos EUA, em 1960. Em 1980, aumentou para quase 40%. Nestes 20 anos, nossa economia experimentou um surto de crescimento invejável. Contudo, aferida em 2015, nossa produtividade era 24% da dos americanos. É como se fossem precisos mais de 4 trabalhadores brasileiros para produzir o mesmo que um filho do Tio Sam. A relação recuou para nível inferior ao de 1960.Koerich inaugura nova loja e projeta expansão de 13% para 2019A diferença da produtividade entre os Estados se encontra na matriz produtiva. Santa Catarina é o segundo Estado mais competitivo do Brasil. Bahia é o 20º. Contudo, enquanto nossa produtividade, segundo o Observatório da Indústria, é de R$ 89 mil por trabalhador, a da Bahia é de R$ 199 mil. A diferença reside na matriz produtiva.Crescer renda sem aumento da produtividade é insustentável. Quando uma população é jovem, o país tem sua força laboral aumentada e a produtividade cresce no embalo do número de trabalhadores, desde que o mercado esteja em alta para absorver os que demandam trabalho.No Brasil, segundo o IBGE, encerrou-se este ano o bônus demográfico, que é o período em que a força de trabalho disponível está a todo vapor. Conjugado com um mercado dilapidado pela irresponsabilidade de governos populistas, o Brasil terá que focar em inovação tecnológica para aumentar nossa produtividade, o que torna inadiável educação de qualidade. *Paulo de Tarso Guilhon é economista.  Leia também:Rodovias de SC precisam de investimento de R$ 2,85 bilhões

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Multilateralismo ou protecionismo?

Por Giro Financeiro

05/12/2018 - 21h55

*Por Maria Teresa BustamanteO presidente Trump tem intensificado sua luta contra o multilateralismo em uma das suas vertentes mais representativas que são as negociações comerciais sob amparo das normas e regras estabelecidas pelos países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC). Esse posicionamento foi alavancado pelo fracasso das negociações lançadas em 2001 com o objetivo de diminuir os entraves ao comércio internacional que, após sete anos, os países membros não conseguiram superar a divergência sobre o nível de abertura dos mercados em setores de interesse. Os países em desenvolvimento lutavam por contar com maior acesso aos mercados dos países desenvolvidos para os produtos agrícolas e uma efetiva redução ou eliminação dos subsídios concedidos aos agricultores nativos. Os países desenvolvidos queriam acesso livre aos mercados para bens industriais e serviços.Esse descompasso de interesses, falta de consenso e acusações encerraram a rodada OMC-Doha em 2008. O fracasso em 2008 abriu um questionamento sobre o futuro não só da OMC, mas, principalmente, da efetividade do multilateralismo no formato estabelecido. Desse modo, o debate sobre uma reforma institucional começou a ganhar intensidade e, ao mesmo tempo, foi potencializada pelo surgimento de agrupamentos como o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), porta-voz de países emergentes, e o G20-Financeiro, novo marco de governança econômica internacional.Nesse contexto, cabe lembrar que o conceito consagrado de multilateralismo é um sistema abrangente de interação entre países em que cada um buscará encontrar resultados equilibrados. Assim, se constitui de uma dinâmica em que se cedem e se recebem concessões de acesso aos mercados para temas de comércio, meio ambiente, direitos humanos, entre vários tópicos.O multilateralismo não padece do desgaste de promover ações unilaterais ou bilaterais tendo em vista que as instituições criadas são o foro por excelência como o caso da OMC. As instituições multilaterais contemplam na prática a instauração de projetos políticos encapsulados por meio de metodologias adotadas para negociação de acordos a fim de estabelecer meios de cooperação e utilizar, com base em regras e normas, a adesão aos ordenamentos jurídicos que sejam incorporados pelos países membros dessas instituições. Além disso, as instituições multilaterais, como a OMC, garantem um mínimo de previsibilidade aos seus países membros na condução institucional das relações comerciais entre si.A ausência de alcançar sucesso com o exercício do multilateralismo deu lugar ao ressurgimento no cenário internacional do seu lado oposto e perverso: o retorno do protecionismo. O protecionismo, que parecia erradicado principalmente nos países desenvolvidos, está na contramão da realidade global vivenciada no século 21.O que está em jogo é abertura de mercados, crescimento, trabalho, desenvolvimento, paz e estabilidade, e a única formula de governança global é insistir na atualização de um multilateralismo comercial realista. Do contrário, o protecionismo prevalecerá e a OMC poderá sucumbir. Cabe à OMC e aos países membros a envidarem esforços para ampliar e aprofundar o multilateralismo e, com isso, equacionar os impulsos protecionistas de alguns países. *Maria Teresa Bustamante é doutora em Administração e Consultora em Comércio Exterior Leia as últimas notícias de economia

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Não há mágica

Por Giro Financeiro

27/11/2018 - 16h54

*Por Paulo de Tarso Guilhon Mudanças virão, seja pela provável combinação do aumento da idade mínima para se aposentar e elevação da contribuição Tratamento desigual para as assimetrias é o caminho para uma Previdência reparadora que não penalize tanto os menos afortunados, as futuras gerações e o país. Pensar em Previdência, como alertam especialistas, envolve eliminar as desigualdades constituídas ao longo de muito tempo e perceber cinco grupos entre trabalhadores e beneficiados. Empresário de Itajaí está cotado para Secretaria de Pesca de Bolsonaro O primeiro grupo é composto pelos futuros entrantes, o segundo grupo pelos atuais funcionários públicos ativos no chamado Regime Próprio de Previdência Social, o RPPS, o terceiro os empregados da iniciativa privada, o RGPS, o quarto de aposentados e pensionistas do RPPS e, finalmente, o quinto grupo formado pelos aposentados e pensionistas do RGPS. As assimetrias são conhecidas e devem ser combatidas não só porque são insustentáveis, mas por representar uma injustiça social para os contribuintes e beneficiários do RGPS, ativos e inativos, ou seja, a imensa maioria. Fundamental eliminar as assimetrias existentes, não só entre os trabalhadores do serviço público e os da iniciativa privada, mas entre os trabalhadores do serviço público. ANP cobra explicações de distribuidoras sobre preço de combustíveis Estudo do Banco Mundial, do ano passado, revela as assimetrias. No RGPS, dos trabalhadores privados, o universo de beneficiários atinge 29 milhões de aposentados e déficit de R$ 150 bilhões, ao passo que, no RPPS, do setor público, o buraco é de R$ 77 bilhões, para 980 mil beneficiários. Em 2019, os gastos com a Previdência Social deverão atingir 53,4% do orçamento federal, segundo proposta orçamentária, ou o triplo do que se aplicará em saúde, educação e segurança somados. O cálculo atuarial não fecha. Hoje, cada mulher gera 1,8 filho, em média, contra 6,3 na década de 1960. Vive-se, hoje, 76 anos no Brasil, contra 54, nos anos 1970. Fim do auxílio-moradia tem impacto de quase R$ 50 milhões em Santa Catarina Não há mágica. Mudanças virão, seja pela provável combinação do aumento da idade mínima para se aposentar e elevação da contribuição. Há estudos que recomendam incluir, até mesmo, o FGTS capitalizado em níveis de mercado e não da forma como rende hoje, só para os novos entrantes. O cálculo atuarial terá que achar uma combinação perfeita que machuque menos os mais sacrificados neste Brasil tão desigual. Segundo o IBGE, 25% da população, mais de 50 milhões de brasileiros, ganham até R$ 390 por mês. Temporada de cruzeiros começa nesta quarta-feira em Santa Catarina É um assunto que requer imenso esforço de elucubração das soluções e, principalmente, que o governo saiba comunicar que a previdência, assim como está, é insustentável e danosa ao cidadão que precisa de serviços públicos eficientes.   Paulo de Tarso Guilhon é Economista

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Política externa

Por Giro Financeiro

21/11/2018 - 18h11

*Por Maria Teresa Bustamante A política externa de um país se caracteriza pela forma que os governos decidem se inserir no universo das relações com outros países, seus governos e o direcionamento com que os negócios serão conduzidos. Para isso, é necessário formular a política externa que será aplicada dentro do conjunto de interações a serem realizadas, perpassando desde ações de cooperação até os momentos de tensão e distensão surgidos no mundo conhecido como política internacional mundial. Em um recorte histórico, a política externa praticada pelo Brasil a partir da década de 1990 no governo de Fernando Collor de Melo, governante qualificado como neoliberal e guiado pelos princípios do regionalismo aberto. Desse modo, a política externa do Brasil na década de 1990 buscava alinhamento com os Estados Unidos favorecendo o desenvolvimento industrial e ampliando a capacidade competitiva no setor da agricultura. Collor também deu uma guinada para uma relação externa política e econômica com os países fronteiriços em que o resultante foi a consolidação e a efetiva criação do Mercosul. Desde essa época com os devidos altos e baixos, a relação comercial com os países fronteiriços está pautada pelos mecanismos de integração regional, especificamente o Mercosul. No governo do presidente FHC (1995-2003), nos seus dois mandatos, com os chanceleres Lampreia e Lafer, a agenda diplomática e comercial foi intensificada. O Mercosul adquiriu robustez institucional, as negociações para a conformação da Área de Livre Comércio nas Américas (Alca) eram intensas, a ação multilateral tanto na OMC quanto na ONU detinha prioridade frente ao unilateralismo ou bilateralismo, bem como os novos temas (democracia, direitos humanos, meio ambiente, direitos sociais) fizeram parte de uma política externa que demarcava o Brasil como global player. O governo Lula (2003-2011), orientado pelo chanceler Celso Amorim durante os dois mandatos, priorizou investir na Cooperação Sul-Sul, ou seja, voltada para maior aproximação com o continente africano, sul-americano ao mesmo tempo em que ao retirar o Brasil da tentativa Alca provocou seu encerramento. Sob a presidência de Dilma Rousseff (2011-2016), a política externa simplesmente paralisou. Atualmente, o presidente Temer retomou a relação com a Argentina com vistas a aprofundar o Mercosul e decidiu se alinhar com os Estados Unidos, a União Europeia e a China. O presidente eleito Jair Bolsonaro e o chanceler nomeado Ernesto Araújo sinalizam com mudanças bruscas no relacionamento com a China (maior comprador de produtos brasileiros e maior investidor estrangeiro no Brasil) e o Mercosul ao mesmo tempo em que expressam a tendência de reacomodar a política externa com os Estados Unidos. Assim, na política externa, cabe observar se a dinâmica da tradição diplomática brasileira prevalecerá ou se haverá uma ruptura significativa no tratamento com parceiros tradicionais. Maria Teresa Bustamante é Doutora em Administração e Consultora em Comércio Exterior.   Leia também: Festas e eleição aquecem emprego no estado  

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Como a da Previdência, reforma tributária pode tornar o Brasil mais justo

Por Giro Financeiro

19/11/2018 - 20h44

*Por Annalisa Blando Dal Zotto Além da reforma da Previdência, é possível uma reforma tributário que reduza os custos de produção e torne o Brasil um país mais justo. A capacidade de prever e planejar o futuro há muitos anos tem sido extremamente negligenciada. A imprevidência nos levou a essa verdadeira catástrofe, que é a situação financeira da Previdência Social. O déficit passou de R$ 1,1 bilhão em 1995 para quase R$ 184 bilhões em 2017. Neste período, a despesa do INSS com o pagamento de aposentadorias e pensões, já descontada a inflação, passou de R$ 141 bilhões para impressionantes R$ 561 bilhões. Esse déficit foi ocasionado basicamente pelo desequilíbrio entre o tempo de contribuição e o tempo de recebimento dos benefícios somados pela distorção entre o valor da contribuição e o valor das aposentadorias/pensões. Segundo estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) do governo federal, a idade média de aposentadoria do setor privado por tempo de contribuição tem sido inferior a 55 anos. Muito semelhante à idade do setor público. Como a expectativa atual de vida é aproximadamente de 74 anos e em breve chegaremos aos 85 anos, torna-se urgente a revisão da idade mínima. Se o atual sistema previdenciário não for alterado, chegaremos em 2060 com mais beneficiários do que contribuintes. Mas o ponto de maior desiquilíbrio está no setor público: o custo anual dos 29,8 milhões de aposentados, pensionistas e demais beneficiados do INSS é de R$ 557,2 bilhões, enquanto no setor público, somente um milhão de aposentados e pensionistas civis e militares custam R$ 123,4 bilhões/ano. Isso quer dizer que em média o servidor público ganha mais de seis vezes que o aposentado/pensionista do setor privado e que equivale ao ganho mensal médio do aposentado/pensionista do setor público de R$ 10 mil e do setor privado R$ 1,5 mil. Precisamos deixar de ser irresponsáveis. Não podemos ignorar o rombo das contas do governo federal, Estados e municípios. Como ignorar que o atual sistema de Previdência Social está insustentável? Infelizmente, é absolutamente necessário priorizar a votação dessa reforma. Na semana passada, o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou que não teremos votação da reforma de Previdência ainda este ano e o mercado já sentiu na pele: a bolsa caiu e o dólar subiu. É assustador ver que muitos dos atuais ocupantes do Congresso Nacional ainda não acordaram do seu sono leviano e inconsequente! Mesmo assim sigo otimista. Acredito que já que a reforma não ocorrerá esse ano, que podemos estudar outras propostas mais justas, principalmente para os mais pobres, do que essa que está em pauta, como aquela liderada por Armínio Fraga e entregue ao futuro presidente. Acredito ainda que além dessa tão necessária reforma, poderemos ter também uma reforma tributária que reduza os custos de produção para que possamos crescer, distribuir riqueza e tornar o Brasil um país mais justo, mais rico, com menos desigualdade e com uma sustentável previdência social. Annalisa Blando Dal Zotto é planejadora financeira, sócia-fundadora da e diretora-geral da Par Mais.   Leia também: Ministro do Turismo garante investimentos para a Serra Catarinense

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Diplomacia e competitividade

Por Giro Financeiro

12/11/2018 - 21h00

*Por Paulo de Tarso GuilhonEscoar a riqueza nos remete para a um sistema intermodal de transporte com um complexo ferroviário que distribua insumos e produtos por caminhos seguros e a custos competitivos. Igualmente importante é a recuperação imediata de nossas rodovias e a utilização de hidrovias. Leva tempo e recursos que não temos.Segundo o World Economic Forum, o Brasil ocupa a 80ª colocação no ranking da competitividade. Reverter esta condição passa pela redução do custo Brasil e, também, pelo reconhecimento de que a diplomacia pode contribuir na resolução de nossos problemas.A China é o maior parceiro comercial do Brasil e de Santa Catarina. Dados disponíveis do Observatório da Fiesc mostram que, nos primeiros nove meses deste ano, a China foi nosso principal parceiro comercial. O comércio de Santa Catarina com a China movimentou mais de US$ 18 bilhões.A China absorve, aproximadamente, 35% da exportação catarinense de carne suína. Igualmente, é importante destacar que a região Sul do Brasil é responsável por 60% da produção de frangos do país, segundo dados da Epegri. O Oeste de Santa Catarina concentra 80% da produção de todo o Estado e conta com incontáveis empresas de cunho familiar.A questão conjuntural da variação do preço do milho, que é um insumo necessário para a produção avícola e suína, impacta toda a cadeia produtiva agroindustrial e pode resultar em danos irreversíveis para o setor se não for resolvida. Trazer o milho de outras regiões do país para Santa Catarina, a preços competitivos, é o desafio.A diplomacia deve pensar em um sistema ferroviário que abrigue o capital e a experiência chinesa em construção de infraestrutura de forma rápida. Indispensável estudar uma concessão que, preservando a soberania nacional, abrigue não só os interesses da região Sul do Brasil, mas de todo o país. Resolveria problema secular e tornaria o Brasil muito mais competitivo. Tema para diplomatas e não para burocratas.A diplomacia brasileira negociou a implantação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em troca da instalação de uma base aérea americana, em Natal, na 2a Grande Guerra. A disputa, hoje, é econômica e representa a sobrevivência e sustentabilidade de milhares de negócios instalados em solo brasileiro, principalmente os de menor dimensão.É fundamental que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, cerque-se dos melhores quadros do Itamaraty para reverter o que andou falando sobre as relações exteriores do Brasil. Questão de competitividade.*Paulo de Tarso Guilhon é economista Leia também:Economia dá sinais de recuperação após as eleições

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