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    Jovem catarinense vai falar com  Papa Francisco sobre economia

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    Loetz
    Por Loetz
    01/02/2020 - 07h45 - Atualizada em: 03/02/2020 - 07h58

    Eliza Hostin é consultora em sustentabilidade, moradora da cidade de São Francisco do Sul, no litoral catarinense. Aos 30 anos, foi selecionada para participar do evento “Economia de Francisco”. O encontro com o Papa Francisco para discutir e pensar maneiras para melhorar a realidade econômica da sociedade, dando foco para inclusão e sustentabilidade. Para isso, 2 mil jovens de até 35 anos, do mundo todo, que são empreendedores, economistas e protagonistas de mudanças ,foram convidados para estar em Assis, na Itália, entre os dias 26 e 28 de março de 2020.

    Além das palestras com renomados estudiosos do setor, eles participarão de um momento com o Papa e farão debates. O objetivo é encontrar alternativas que possam ser colocadas em prática para criação de um novo modelo econômico global. A seguir, trechos da entrevista, com o pensamento transformador da jovem profissional.

    Como você chegou a este momento?

    Eliza Hostin - Trabalho com sustentabilidade desde 2010 e, em 2017, me envolvi mais em estudos e ações voltadas à economia da transição, no meu Mestrado. Economia da transição é a economia que trata de bem-estar e inclusão.

    Houve processo de seleção para você participar do encontro na Itália?

    Eliza - Em maio do ano passado, Papa Francisco mandou uma carta para as dioceses do mundo todo para que os jovens repensassem o modelo econômico. Propôs uma economia "com alma", que pense em aspectos como meio ambiente e sustentabilidade. Isso me tocou e decidi me inscrever. E fui escolhida.

    O que propõe uma economia voltada à sustentabilidade?

    Eliza - Antes de mais nada é preciso repensar as métricas. Porque só se consegue gerenciar aquilo que for medido. O PIB não deveria ser a única métrica a medir o desenvolvimento de um país. É importante olhar para a qualidade de vida das pessoas, para os campos social e de meio ambiente.

    Algum país está fazendo algo nesse sentido?

    Eliza - O Butão, na Ásia, um país pequeno, já usa o critério de Felicidade Interna Bruta como elemento a medir a qualidade de vida da população. Também na Escócia e na Nova Zelândia se começou a falar nisso. Sem resolver o ambiental e o social não há como prosperar.

    Qual mensagem os jovens brasileiros vão levar ao encontro, em Assis?

    Eliza - Agimos via Articulação Brasileira para a Economia de Francisco, a ABEF., e vamos entregar uma carta que representará o pensamento dos jovens brasileiros. A "Carta de Clara e Francisco".

    O que diz essa carta?

    Eliza - Temos um olhar para o feminino. Propomos que o nome do encontro seja "Economia de Francisco e Clara". A igualdade de gênero nasce na representação. É importante valorizar a igualdade e valorizar os trabalhos sociais. Citando o texto da Carta: "Nossa proposta de uma economia é baseada no feminino, no cíclico, na acolhida, no cuidado; e no afeto. O patriarcado reduziu a economia unicamente à dimensão material e produtivista. Essa concepção distorceu o sentido do bem-estar social, produzindo iniquidade e infelicidade. Se a economia mundial continuar baseada no uso intensivo do carbono, caminharemos para o suicídio ecológico".

    A carta também fala de finanças?

    Eliza - Sim. O texto diz: "O mundo não pode esperar mais. É preciso instituir uma taxação internacional sobre o fluxo de capitais e movimentações financeiras em paraísos fiscais. Uma taxação sobre lucros, e dividendos, grandes fortunas, artigos de luxo e supérfluos. ou que fazem grande mal à saúde".

    A tributação deve mudar.

    Eliza - É preciso mudar a legislação tributária no Brasil e no mundo. Com fomento de bancos públicos e comunitários; regulação de fluxos de capital; redução de subsídios a combustíveis fósseis e incentivo a energias renováveis.

    O sistema financeiro controla o mundo?

    Eliza - Na nossa carta também escrevemos que o sistema financeiro acumula tamanha concentração de poder e riqueza que transforma pessoas e países em "escravos de dívida". Dívida para sujar o nome das pessoas; dívida para controlar nações.

    Como enxerga a economia brasileira?

    Eliza - A economia brasileira é liberal. Que reforça as diferenças, tanto de gênero, como salariais. A política econômica brasileira está, cada vez mais, se distanciando do que prega o Papa Francisco. O modelo brasileiro fortalece o capital em detrimento do trabalhador e aprofunda as desigualdades.

    Que elementos e comportamento deve reger a pretendida transformação econômica global?

    Eliza - Afirmamos nosso compromisso por uma transformação global, tendo por base cinco palavras que começam com a letra E: ética; economia; ecologia; educação;a estética.

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