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    Não dá para errar nesta hora, alerta Acats

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    Loetz
    Por Loetz
    01/04/2020 - 17h07
    Presidente da Associação Catarinense de Supermercados, Paulo Cesar Lopes
    Presidente da Acats, Paulo Cesar Lopes (Foto:Patrick Rodrigues, 13/07/2016)

    O movimento nos supermercados catarinenses já não é mais tão grande e, aos poucos, vai se acomodando a uma nova realidade. O que assustou os donos das lojas e, claro, os consumidores, foi o aumento extraordinário de preços, em especial do leite, do feijão entre outros itens de primeira necessidade.

    Nesta entrevista, o presidente da Associação Catarinense de Supermercados, Paulo Cesar Lopes, analisa o mercado e fala dos efeitos do Coronavírus para os negócios.

    Os preços dos produtos subiram muito. Os fornecedores exageraram?

    Paulo Cesar Lopes - O leite teve aumento abusivo já na semana a passada. Chegou a aumentar 50%, depois passou para 30% em nova remessa. A Acats questionou as indústrias, e nos disseram que houve a estiagem, o aumento dos custos de insumos, e chegou a entressafra. Essa foi a justificativa dada.

    A Acats recomenda o que aos lojistas nesse momento?

    Lopes - Orientamos para que os supermercadistas não comprem produtos com preços abusivos.

    A percepção é de que já não é mais tão grande a demanda nos supermercados. Isso é correto?

    Lopes - Sim, é correto. Comparativamente a duas ou três semanas, há menos gente fazendo compras. Parte da explicação é que as famílias já se preveniram e compraram mais do que o estritamente necessário, como faziam antes.

    Isso significa que vai sobrar produtos nas prateleiras?

    Lopes - Um ponto é muito importante. Não adianta fazer estoques. Os produtos - todos eles, ou quase todos - têm prazo de validade. Mesmo os produtos de limpeza.

    As compras de itens não essenciais caiu drasticamente.

    Lopes - Sem dúvida. As pessoas não sabem se terão emprego daqui a um, dois, três meses. Por isso, as pessoas estão comprando só o essencial.

    E para as próximas semanas, qual é a expectativa?

    Lopes - Esperamos alguma recuperação, algum aquecimento nas vendas. Acredito que as vendas vão melhorar nos próximos dez a 15 dias.

    Daqui a alguns dias, é bem provável que o governo do Estado autorize a reabertura de lojas, do comércio. Vai haver clientes?

    Lopes - Não creio. As pessoas não comprar roupas, calçados, mesmo que as lojas abram. Qual é a garantia de que vão ter emprego? A volta da economia está diretamente ligada à evolução do Coronavírus.

    Supermercados estão a salvo de uma crise maior, já que vendem mercadorias essenciais?

    Lopes - Supermercados não vão fechar, são menos afetados. Aliás, junto com as farmácias, foram os estabelecimentos que ficaram ativos para atender a população.

    O setor que tem sorte, digamos assim.

    Lopes - Um amigo meu me disse isso, que eu trabalho num ramo que é fundamental para as pessoas. Ok, mas lembro que nós, os supermercadistas, têm margens muito pequenas nas vendas. Ganhamos no volume de vendas.

    Investimentos pararam?

    Lopes - Todos vão ter de rever suas estratégias, seus planos. E mudar o planejamento estratégico. As empresas vão esperar e ver como vai se comportar o consumidor. O processo de tomada de decisão mudou. O planejamento é absolutamente crítico. Não dá para errar nesta hora.

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