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    As despedidas precoces que tantos de nós estamos vivendo nos lembram da importância de aproveitar os bons momentos

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    Marcos
    Por Marcos Piangers
    31/07/2020 - 07h00 - Atualizada em: 31/07/2020 - 07h18
    A vida é longa, mas ela puxa tapetes quando você menos espera.
    A vida é longa, mas ela puxa tapetes quando você menos espera. (Foto: Pexels, David Coto, banco de imagens)

    Em 1880, o diário de Theodore Roosevelt trazia a seguinte descrição: “Minha felicidade é tão grande que me deixa até com medo”. Em 1883, casado com Alice Hathaway, ele escreveu: “Sinto como se eu tivesse as rédeas da vida em minhas mãos”. Em 12 de fevereiro de 1884 nasceu sua primeira filha, também chamada de Alice. Fico imaginando a alegria de Roosevelt naquele começo de 1884.

    Dois dias depois sua esposa estava morta, vítima de uma parada renal. Algumas horas antes, no mesmo dia, a mãe de Roosevelt tinha morrido de febre tifóide. Em um único dia ele perdeu a mãe e a esposa. Em seu diário, Roosevelt escreveu: “A luz da minha vida se apagou”. Além disso, riscou a página inteira com um grande X. 

    Eu tomei uma decisão importante nos últimos tempos: viver intensamente o presente, expressando o quanto gosto das pessoas e dos momentos que vivo ao lado delas. É uma forma de mitigar arrependimentos. Lembro que, no fim da vida do meu vô, visitei-o quase todos os fins de semana, de forma que quando ele se foi senti como se tivesse feito todo o possível para celebrar sua vida. Meu vô morreu com mais de 90 anos, o que considero uma duração adequada para a vida de qualquer pessoa.

    As despedidas precoces que tantos de nós estamos vivendo nos lembram da importância de aproveitar os bons momentos. Se você não perdeu ninguém e não está passando por dificuldade, celebre. Agradeça. Abrace. Perdoe. A vida é longa, mas ela puxa tapetes quando você menos espera. Respire fundo, olhe ao redor e diga: “É formidável estar vivo”. Porque é formidável estar vivo e saudável.

    Eu tomei uma decisão importante nos últimos tempos: viver intensamente o presente, expressando o quanto gosto das pessoas e dos momentos que vivo ao lado delas.

    Os dias são longos, os anos são curtos. Passamos nossa vida repetindo as rotinas, preocupados com bobagens, irritados com insignificâncias. Os dias são longos e parecem intermináveis. Mas os anos são curtos e irrecuperáveis. Se você está vivo e saudável, e encontra afeto em alguém vivo e saudável, agradeça. Expresse. Aperte. Segure. Antes que te escape das mãos.

    Leia mais crônicas de Marcos Piangers.

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