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Batalha de gerações

Não tem problema ser cringe

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Marcos
Por Marcos Piangers
29/06/2021 - 09h07 - Atualizada em: 01/07/2021 - 13h49
fita cassete
Afinal, o que é ser cringe? (Foto: Pixabay)

Quer dizer, então, que nosso dia chegou. Da mesma forma como olhávamos para nossos pais, com seus topetes e blazers brancos, da mesma forma que achávamos que eles não sabiam de nada, nem ajustar o tracking do videocassete, da mesma forma que sentíamos vergonha do jeito como eles puxavam conversa com nossos amigos, imitando nossas gírias e perguntando das “gatinhas” (ARGH!), chegou nosso dia: o mundo gira e somos nós, agora, motivo de constrangimento para nossos pimpolhos (CRINGE!).

A tendência vinha de 2019, quando o termo “OK, boommer” viralizou na internet como uma forma dos jovens esnobarem os mais velhos e suas opiniões. “Acho que a juventude de hoje está perdida!”. “Ok, boommer”. “Acho que as redes sociais fazem mal!”. “OK, boommer”. “Acho que as mudanças climáticas não são causadas pelo homem”. “OK, boommer”. Era uma forma deles dizerem que estávamos por fora.

Cringe, o termo da moda, é o velho “vergonha alheia”, mas um “vergonha alheia” de adulto e tudo o que adultos fazem. Pedi para que minha filha adolescente me passasse uma lista de coisas cringe e, acreditem, praticamente TUDO o que a gente faz é cringe.

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Se você está aqui, lendo essa coluna no jornal, é cringe. Se está lendo esta coluna na internet, também é cringe, pois jovens não lêem coluna em site de jornal. Se usa gif no Whatsapp, é cringe. Adulto fazendo dancinha de Tik Tok? Cringe! Adulto que gosta de BTS? Cringe! Falar que o problema são os boletos? Cringe! Dizer que ama café? Cringe! Usar o emoji que chora de rir? Cringe! Colocar legenda longa demais nas fotos do Instagram? Cringe! Se está lendo a palavra como se fosse CRINGÊ, meu deus, MUITO CRINGE!

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Talvez, nossa única saída seja aceitar nossa condição. Negar que somos cringe é ainda mais cringe, ouvi dizer.

– Não tem problema você ser cringe, pai – minha filha me disse.

– Mas você acha que sou muito cringe? – perguntei.

– Sou um jovem adulto estiloso, gente boa, que não faz você pagar mico – eu disse.

E ela explodiu de rir.

– “Pagar mico”. HAHAHA. Pai, o negócio é aceitar – ela disse.

Resignado, coloquei um podcast para tocar no meu fone de ouvido bluetooth, enquanto tomava meu café e pagava boletos.

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Marcos Piangers

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Marcos Piangers

Marcos Piangers é autor do best seller O Papai é Pop, com mais de 300 mil livros vendidos e traduzidos em inglês, espanhol e catalão. É uma das maiores referências sobre paternidade do Brasil e cinco vezes palestrante do TEDx, a maior conferência de ideias do mundo. Seus vídeos já ultrapassaram a marca de meio bilhão de views na internet.

siga Marcos Piangers

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Marcos Piangers é autor do best seller O Papai é Pop, com mais de 300 mil livros vendidos e traduzidos em inglês, espanhol e catalão. É uma das maiores referências sobre paternidade do Brasil e cinco vezes palestrante do TEDx, a maior conferência de ideias do mundo. Seus vídeos já ultrapassaram a marca de meio bilhão de views na internet.

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