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    Jornal do Almoço em Buenos Aires (Parte 3)

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    Mário
    Por Mário Motta
    03/06/2020 - 07h00 - Atualizada em: 03/06/2020 - 11h49
    Roberto Goyeneche
    Roberto Goyeneche: imortalizado nas ruas de Buenos Aires. (Foto: Eterdigital / Divulgação)

    Entre as vozes masculinas do mundo do tango na Argentina, a de Roberto Goyeneche foi uma das mais admiradas. Muitos o consideravam o “último grande cantor de tango”. Antes de apostar em uma carreira musical, foi motorista de ônibus. Grande admirador de Gardel, tinha um estilo único de interpretação e cantou em orquestras famosas, até que se lançou em carreira solo.

    Foi o primeiro interprete do clássico de Ástor Piazzolla - Balada Para Un Loco. Seu estilo único poderia ser descrito nos últimos anos de sua carreira, como alguém que já não “cantava”, e sim “declamava” as letras no ritmo da orquestra, usando uma voz rouca, prejudicada pelos inúmeros cigarros que consumia diariamente.

    Aliás, foi o que mais me chamou a atenção quando fomos recebidos em seu camarim, momentos antes de mais um show numa das casas de tango mais populares de Buenos Aires. Maços de cigarros entreabertos e muitos cinzeiros.

    O estilo pessoal do polaco, seu jeito de "dizendo" o tango, distinguiu-o entre os seus pares e levou-o a gravar mais de 100 LPs. Goyeneche foi cantor da orquestra de Armando Pontier e Horacio Salgán, e também de Aníbal Troilo e foi acompanhado por todos os grandes diretores e compositores em sua carreira solo.

    Quando ele finalmente cantou com o quinteto de Astor Piazzola, o maestro esmagou seu bandeon no palco em frente ao público para que ele nunca mais voltasse a tocar depois de ter acompanhado o Polaco. Apelidado carinhosamente de “Polaco”, Goyeneche imortalizou canções como Malena, Chau, no va más e Qué solo estoy. Nascido em Buenos Aires, em 29 de janeiro de 1926, faleceu também em Buenos Aires, em 27 de agosto de 1994.

    Paulo Santana era apaixonado por Goyeneche e não se acalmou enquanto não cantou um tango em dueto com o Polaco. Achei que teria que leva-lo ao Pronto Socorro tal a adrenalina produzida.

    Ambos já morreram. Goyeneche em Buenos Aires, em 27 de agosto de 1994 e Pablito Santana em Porto Alegre, no dia 19 de julho de 2017. É evidente que me emociono duplamente quando relembro essa passagem.

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