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    Entrevista

    Luiz Gonzaga Coelho, cônsul suíço em SC: "O risco Brasil desestimula investidores"

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    Por Moacir Pereira
    21/10/2019 - 05h20
    Luiz Gonzaga Coelho, cônsul suíço em Santa Catarina (Foto: Moacir Pereira/Divulgação
    Luiz Gonzaga Coelho, cônsul suíço em Santa Catarina (Foto: Moacir Pereira/Divulgação

    O empresário Luiz Gonzaga Coelho, diplomado em Administração pela UFSC e em Ciências Políticas e Econômicas pela Universidade de Genebra, fala sobre a nova visão dos investidores suíços e europeus sobre o Brasil e Santa Catarina. Coelho integra o Conselho de Administração do SOS Cárdio, da industria C-Pack e faz parte do Conselho da Fiesc.

    Que decisões da diplomacia suíça interessam a Santa Catarina?

    A Suíça sempre foi um pais muito aberto e amigo. Digo que existem dois passaportes que todo mundo gosta: o brasileiro e o suíço. Os suíços e os brasileiros são sempre muito bem recebidos em todos os lugares. Há uma preocupação com a preservação desta imagem no mundo. Você encontra suíços e empresas suíças em todos os países. A Suíça é um dos maiores empregadores nos Estados Unidos e na América Latina, por ter esta visão de mercado muito maior que suas fronteiras. A Suíça é um país pequeno, com 8,5 milhões de habitantes. Toda iniciativa empresarial começa olhando para além de suas fronteiras. Na diplomacia, esse aspecto é prioritário. A Suíça sempre teve uma visão social, ajudando outros países.

    Como e por quê?

    Quando as empresas suíças montam filiais em outros países, buscando novos mercados, levam a maneira suíça de trabalhar: o respeito ao indivíduo, uma visão clara da importância do coletivo, como geradoras de empregos, pagadoras de impostos, a contribuição à sociedade, a integração comunitária.

    São transformadoras da sociedade. Estas empresas trazem resultados para os suíços, mas também para as sociedades em que estão inseridas.  Elas contagiam outras empresas.

    Qual a imagem que o Brasil tem hoje na Suíça?

    O Brasil sempre instigou muito os europeus. Desde 1970, foi visto como o país do futuro. Isso nunca aconteceu, apesar de algumas iniciativas, com tentativas de modernização. Mas foram voos de galinha. O ambiente de negócios ainda não é propício. Agora, estamos num momento de mais liberdade econômica. Na Suíça, não é muito difícil explicar o que ocorre hoje no Brasil. Como é uma nação que prima pela liberdade econômica, vê-se que o Brasil passa por um momento especial, onde recoloca como prioridade a liberdade econômica, indispensável ao desenvolvimento da sociedade como um todo.  Os suíços e os europeus têm consciência de que este é o caminho para a gente poder esperar um Brasil que cumpra com a promessa dos anos 70.

    A visibilidade da Zurich Airport aqui vai gerar mais investimentos?

    Claro que sim!  A recepção é o primeiro cartão de visitas. Florianópolis tinha uma porta de entrada que não condizia com a beleza da cidade, com o que ela oferece.

    Com o novo aeroporto, um dos mais modernos do mundo, com a qualidade que está sendo oferecida, vai contribuir muito com novos investidores.

    Quais os legados do aeroporto?

    Primeiro, foi construído em tão pouco tempo, com poucos suíços ali trabalhando, mas com muita competência. Mostraram a maneira suíça de fazer, de respeitar os indivíduos, mas transferindo a responsabilidade a cada pessoa. Uma obra extraordinária, só possível aqui porque havia brasileiros na execução e suíços no desenho e na organização. Não acredito que teria sido possível fazer isso em outro país. Foi possível no Brasil com a competência suíça e o trabalho dos brasileiros.

    A ideia é esta: "Vamos construir, tirando o melhor para cada um e levando satisfação para todos".

    O que desestimula os investidores suíços?

    Diria que o “risco Brasil”. O que se faz é uma análise cartesiana, que comporta insegurança jurídica, complexidade tributária, carga fiscal, mais a falta de infraestrutura. Temos uma produção legislativa no Brasil que não existe em nenhum outro lugar do mundo. Isto é muito complicado.  Li uma revista indicando um advogado que leu todas as leis tributárias do Brasil. Ele estava sobre um “pallet” com seis toneladas e dois metros de altura. Isto cria muita insegurança jurídica. Tira o Brasil do circuito global de investimentos. O Brasil tem um bom mercado, é um país interessante, tem pessoas fantásticas, mas é preferível esperar que se ajeite.

    E qual tem sido sua missão?

    Procuro mostrar lá fora que temos um grande mercado, uma competência absurda e oportunidades grandiosas de investimentos. Conversando com empresas procuro motivá-las para investirem no Brasil. Não com aplicações especulativas de curto prazo. Sempre busquei investimentos que possam provocar oportunidades e mudanças na sociedade em geral. Há uma grande expectativa sobre o Brasil. Todos esperam que o Brasil encontre o caminho de desenvolvimento, com mais liberdade, respeitando o meio ambiente, as pessoas, a diversidade, os princípios defendidos pela Suíça. Este momento vai chegar. Trabalho para que chegue logo.

    Como ampliar as pontes culturais entre Santa Catarina e Suíça?

    A Suíça sempre contribui com atividades culturais e artísticas, levando eventos para o mundo inteiro.

    Estamos montando uma pequena equipe no Consulado de Florianópolis, para integrar Santa Catarina neste circuito. Há dificuldades de espaços, mas há vários contatos nesse sentido.

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