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    Entrevista Bracco Bosca

    Fabiana Bracco a força feminina dos vinhos do Uruguai

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    Nara
    Por Nara Caviquioli
    08/04/2021 - 11h00
    No momento mágico da vindima
    No momento mágico da vindima (Foto: Bracco Bosca Winery)

    Ela esbanja simpatia e conhecimento, Fabiana Bracco Bosco comanda desde 2016 a vinícola da família Bracco e Bosca que fica no Uruguai. Formada em relações internacionais e com especialização em marketing, ela veio para dar uma cara nova ao mundo do vinho. Com ideias inovadoras e despretensiosas para tornar o vinho cada vez mais consumido e acessível.

    Com todos esses requisitos ficou fácil entrevistar essa mulher que conta com uma personalidade forte, e que se expressa muito bem nesse mercado ainda tão masculino que o vinho se mantém. Na entrevista a seguir ela fala das suas dificuldades, dos desafios, expectativas futuras e muito mais... Então vamos lá... leia e aprecie sem moderação!

    1. Qual a sua maior dificuldade como mulher no setor de vinhos?

    FB: Tenho una formação universitária em Comércio Internacional e pós-graduação em Marketing, falo seis idiomas, mas ainda assim no ano passado em uma feira internacional aconteceu esta situação: Perguntaram para um colega homem como foi que eu consegui fazer negócio com um importador que todos procuravam, e ele de pronto respondeu: -“Ah porque a Fabi é linda e simpática.” Linda? Eu sou claro que sim (risos), mas toda a minha formação acho que ajuda neh?

    Porém a maior dificuldade foi o verdadeiro reconhecimento das coisas como realmente são. Se ganha ou se perde por um conjunto de características que formam a pessoa, seja homem ou mulher.

    2. Comercialmente o que você acha que precisa mudar para que vinho seja uma bebida mais popular? No Brasil por exemplo, ainda se consome muito mais cervejas e destilados.

    FB: Esse é o principal desafio de nossa vinícola, pois desde que começamos a ideia de mudar os preconceitos e justamente criarmos uma linha de uvas que eram menos apreciadas ou consideradas de mesa e com elas fizemos grandes vinhos reconhecidos internacionalmente, mas que estejam ao alcance de todos os consumidores financeiramente falando.

    Assim nasceu nossa linha Sem Pré-Conceitos com Moscatel vinificado seco, Ugni Blanc como vinho fino e um Tannat sem barrica que chegou a estar no restaurante de Alain Ducasse em Paris. São vinhos com preços e estilos muito adequados para todo tipo de consumidor.

    3. Qual sua expectativa futura, pós pandemia para sua relação com o Brasil na comercialização de vinhos?

    FB: Em nosso caso hoje estamos trabalhando com um grande parceiro que é a Cantú Importadora que está fazendo um ótimo trabalho durante a pandemia e preparando bem o terreno. O Brasil é um mercado com que temos uma grande relação de carinho e é um país que pessoalmente me sinto muito íntima. Antes da pandemia estava viajando para o Brasil a cada dois meses e estamos esperando retornar em breve. Sabemos que nossos vinhos se adaptam muito bem ao paladar brasileiro, porém queremos tornar o Brasil nosso principal mercado mundial.

    4. Na sua opinião o que mercado de vinhos precisa para se tornar tão popular quanto a cerveja?

    FB: Precisa se comunicar de outra forma com menos palavras como reserva, acidez, polifenóis, taninos e etc, e precisa chegar mais direto no consumidor só contando as verdades do produto, sua história, como é produzido e usando palavras normais.

    5. Para você o que o Uruguai tem de especial e de diferencial no mundo do vinho?

    FB: Uruguai é um país que em poucos quilômetros tem uma enorme variedade de estilos, uvas e pessoas. Porém visitar as vinícolas em nosso país é fácil e atrativo.

    Temos um clima privilegiado com chuvas de 1000 mm por ano, temos influência oceânica nos vinhos o que melhora seu equilíbrio e personalidade. E ainda fazemos vinhos que gostamos, diferentes e com sentido do lugar, o terroir.

    Em um grande percentual somos famílias tradicionais fazendo vinho como o tataravô (algo que o mundo vai perdendo em prol da tecnologia e estandardização e grandes corporações). Nós temos a história e fazemos o futuro com ela!

    6. Quais as uvas brancas e tintas que você mais gosta?

    FB: As brancas eu gosto de Riesling, Moscatel e Grüner Veltliner. Das tintas, Merlot.

    7. Tem algum vinho Brasileiro que você goste mais? que seja seu preferido?

    FB: Tenho vários: espumantes Estrelas do Brasil me encanta e também Amitié, além de alguns vinhos da Miolo e Casa Valduga. Ah, e o Merlot da Vallontano.

    Trabalho em familia na vinícola
    Trabalho em familia na vinícola
    (Foto: )

    Quer saber mais sobre os vinhos e a vinícola? Entra no site da Bracco Bosca.

    www.braccobosca.com

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