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Economia

Agenda de executiva abre caminho para investimentos chineses em Santa Catarina

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Por Pedro Machado
02/02/2019 - 18h19 - Atualizada em: 02/02/2019 - 18h20
Presidente do Centro de Intercâmbio Econômico e Comercial Brasil-China, Monica Fang (de roxo na foto) cumpriu agenda de oito dias no Estado (Foto: Divulgação)

O gigante asiático está de olho em Santa Catarina e tem interesse em despejar investimentos em áreas relacionadas à infraestrutura logística, energias e cidades inteligentes. Quem garante é a presidente do Centro de Intercâmbio Econômico e Comercial Brasil-China, Monica Fang. Ela encerrou nesta semana visita oficial de oito dias ao Estado. Passou por cidades da região Norte e da Grande Florianópolis.

Em agendas que incluíram os secretários Lucas Esmeraldino (Desenvolvimento Econômico) e Derian Campos (Articulação Internacional), Monica diz ter ficado impressionada com a capacidade empreendedora dos empresários locais.

— É um Estado completo — resumiu em entrevista concedida na quinta-feira, por telefone, à coluna, referindo-se, além do forte polo industrial catarinense, também à variedade cultural.

A passagem dela pelo Estado rendeu frutos que devem virar parcerias estratégicas num futuro breve. Confira na entrevista a seguir.

A senhora encerrou nesta semana uma agenda oficial de oito dias em Santa Catarina. Qual o balanço?

Foi uma viagem muito positiva. A gente fica muito feliz em conhecer um estado com muitos empreendedores e que dá abertura para parcerias internacionais, principalmente com a China. Visitamos sete cidades, estivemos com empresários, prefeituras e o governo do Estado para conhecer melhor as características da região. Foi um roteiro bastante cansativo, mas muito positivo. Queríamos entender melhor o Estado.

O que mais chamou a atenção na passagem por aqui?

Para nós, que estamos decididos a apoiar o Estado a desenvolver relações com a China, foram as pessoas. São muito empreendedoras e preparadas para isso. Há muitas iniciativas diferentes. Isso tem muita semelhança com a China. O governo chinês é muito parceiro do meio empresarial. Enxerguei muito isso em Santa Catarina. Foi uma surpresa positiva. Eu moro no Brasil há 32 anos e já estive várias vezes no Estado, mas com esse entendimento de governo é a primeira vez.

Há parcerias encaminhadas a partir desses encontros?

Sim. A gente vai criar uma agenda que inclui uma viagem estratégica para a China com governo e empresários. Isso é para uma cidade. Vamos buscar parceiros chineses para participar do desenvolvimento de Santa Catarina. Já levamos uma empresa da área de tecnologia que tem soluções para cidades inteligentes, para aumentar a eficiência da gestão. Teremos um alinhamento com o Estado para criar uma agenda mais ativa, para promover melhor esse entendimento.

Que outros pontos fortes a senhora enxergou aqui?

A parte da indústria tem muitas empresas preparadas, de grande porte. Isso é muito bom, principalmente em Joinville. Tivemos lá uma boa conversa com a prefeitura. Percebemos um grande polo industrial, mas não só isso. É também um grande polo cultural. Em toda Santa Catarina tivemos essa percepção. Tem artes, culturas, danças, encontros musicais. É um Estado muito completo. Com o governo dando essa abertura para parcerias internacionais, queremos realmente fazer um trabalho em conjunto.

Quais são os setores da economia catarinense que despertam maior interesses dos chineses para investimentos?

Conversamos bastante sobre a área de infraestrutura, área portuária, rodovias, energias renováveis e cidades inteligentes para trazer mais segurança e eficiência e melhorar a logística. Isso melhora não só a economia, mas traz mais turistas e encontros internacionais. Esses pontos foram os que tratamos um pouco mais. Tem também a área educacional e a possibilidade de trazer a medicina chinesa para Santa Catarina, que é mais de prevenção de saúde. Pode ser uma alternativa.

Corre a informação que, nessa agenda que a senhora teve, foi definido que será assinado nos próximos dias um protocolo de intenções entre a China e o governo de SC. O que ele vai prever?

O nosso entendimento é fazer um intercâmbio econômico e comercial com Santa Catarina para desenvolvermos essa aproximação e trazer possíveis investidores chineses para a região. Esse é o nosso compromisso, trazer mais intercâmbio e oportunidades para o Estado.

Como SC pode se beneficiar com isso?

Eu acredito que esse movimento, se ele realmente acontecer, vai melhorar bastante a logística e a infraestrutura, e isso pode melhorar a economia. É um ganha-ganha.

Quais as primeiras impressões da China sobre o governo Bolsonaro?

No meu ponto de vista, são positivas. Acredito que o novo governo vai aprofundar ainda mais a parceria com a China, que hoje já é o parceiro (comercial) mais importante do Brasil. São mais de 200 empresas chinesas investindo no país. Elas não estão apenas levando commodities ou comprando produtos. Não. Estão aqui no Brasil com indústrias operando ou com projetos. Isso é muito bom. Essa parceria estratégica beneficia os dois países.

O que esperar da economia da China neste ano?

Ela vai continuar em crescimento. Hoje o governo chinês tem um projeto internacional, que é a Rota da Seda (projeto para aumentar a conectividade entre os países parceiros), mas não vai ficar só restrito a isso. Queremos fazer parcerias com diversas regiões do mundo, principalmente com os países dos BRICs – grupo que, além de Brasil e China, inclui Rússia e Índia. Eu acredito que China e Brasil são dois países com muito potencial, e mais aproximação e parcerias vão beneficiar ambos.

Pedro Machado

Colunista

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Um olhar especializado na economia e nos negócios dos setores pulsantes de Blumenau e região.

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