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Eleições 2018

Como foi a primeira semana pós-vitória de Bolsonaro para a economia

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Por Pedro Machado
03/11/2018 - 14h19 - Atualizada em: 03/11/2018 - 14h19
Foto: Tomaz Silva, Agência Brasil

A primeira semana pós-vitória de Jair Bolsonaro (PSL) terminou com novo recorde na Bolsa de Valores de São Paulo – 88.419 pontos –, pequena queda do dólar (R$ 3,69) e um mercado animado com perspectivas de mudança agora que a equipe do presidente eleito começa a ganhar corpo.

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A confirmação da fusão dos ministérios da Fazenda, Planejamento, Indústria e Comércio Exterior em uma superpasta da Economia chegou a provocar críticas de parte do setor produtivo – intensificadas pela declaração do chefão da área, Paulo Guedes, de que o governo iria “salvar a indústria apesar dos industriais” –, mas foi abafada pela indicação de Sergio Moro a um turbinado Ministério da Justiça, que passará a responder também pela área de segurança pública.

Com status de herói nacional para muita gente, o “juiz da Lava-Jato” não será, claro, responsável por política econômica. Mas seu nome e a carta branca recebida para a implantação de uma agenda anticorrupção garantem ao novo governo uma dose extra de credibilidade logo na largada. A recessão que o Brasil ainda batalha para superar tem raízes em políticas econômicas equivocadas, mas é inegável que foi agravada além da conta pelos recorrentes casos de assalto ao erário e desvios de condutas de agentes públicos, provocando uma estagnação quase que geral. A dobradinha de Bolsonaro com Moro, neste sentido, reforça no mercado as expectativas de retomada da confiança, elemento fundamental para a definição de novos investimentos e contratações por parte das empresas.

Já circula nas redes sociais e em grupos de WhatsApp uma extensa lista de notícias de novos aportes industriais no país atribuídos à “volta do otimismo” com a eleição do capitão da reserva. Os anúncios são quase todos deste ano, é verdade, mas em muitos casos foram feitos bem antes do Dia D eleitoral. Ainda assim, há movimentos empresariais que estão diretamente ligados ao resultado das urnas. Inclusive em Santa Catarina.

No mesmo tom de retorno da confiança, a Kyly, têxtil de Pomerode, anunciou na segunda-feira investimento de R$ 40 milhões na modernização de sua matriz. Na terça, o dono da Havan, Luciano Hang, reafirmou que manterá o plano inicial de expansão da rede varejista para 2019, um desembolso de R$ 500 milhões para a inauguração de 20 novas lojas que estava ameaçado, segundo ele, em caso de vitória do PT. Na quarta, uma estruturadora de hotéis comunicou a retomada da construção de um empreendimento de 133 apartamentos em Blumenau na mesma lógica de “novo cenário”.

Investimentos que envolvem cifras volumosas demandam muito tempo de planejamento e não são decididos da noite para o dia, ao contrário do que algumas pessoas têm dado a entender ao sugerir que bastou a eleição de Bolsonaro para eles serem definidos. Na maioria dos casos eles aconteceriam, em menor ou maior ritmo, independentemente do resultado do pleito porque o Brasil ainda tem muitas carências ligadas à infraestrutura e detém um mercado consumidor gigantesco. Mas não deixa de ser simbólico que o novo presidente, depois de ser classificado como tsunami eleitoral, agora ilustre uma espécie de onda de crescimento econômico.

Até mesmo fatores alheios ao capitão da reserva estão contribuindo na construção de um cenário mais otimista. No dia seguinte à eleição, o boletim Focus, publicação do Banco Central que reúne expectativas – colhidas na semana passada – de especialistas de instituições financeiras sobre indicadores da economia revelou aumento na estimativa do PIB deste ano, de 1,34% para 1,36%. Foi a primeira vez desde março que a projeção subiu. Na terça-feira, o IBGE divulgou que a taxa de desemprego recuou de 12,4% para 11,9% no terceiro trimestre (julho a setembro, antes, portanto, da definição eleitoral), apesar de o país ainda ter 12,5 milhões de pessoas desocupadas.

Sinais, ainda que pequenos, de avanço na atividade econômica aliados a otimismo do mercado, disposição de tirar as reformas estruturantes do papel e respaldo popular e político pela recém-eleição criam um cenário positivo para o próximo governo promover uma retomada mais gradativa do crescimento. A bola está com Bolsonaro.

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