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Economia

Reflexo da greve dos caminhoneiros, produção industrial de SC despenca 15% em maio

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Por Pedro Machado
11/07/2018 - 11h39 - Atualizada em: 11/07/2018 - 13h45
Desabastecidas, muitas empresas do Estado precisaram suspender a produção na reta final de maio (Foto: Salmo Duarte)

O que já se notava a olhos vistos, com fábricas às moscas, agora foi enfim traduzido em estatísticas oficiais. A produção industrial catarinense despencou 15% em maio na comparação com abril, já com ajuste sazonal, revelam dados do IBGE divulgados na manhã desta quarta-feira. Frente ao mesmo mês de 2017, o recuo chegou a 8,2%.

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Os resultados derrubaram para 4% a variação positiva acumulada ao longo de 2018 (era de 7,3% até abril) e para 4,4% na soma dos últimos 12 meses (até então em 5,9%).

O tombo, atípico, é reflexo da paralisação dos caminhoneiros, com profundos impactos no setor produtivo e logístico. Como o movimento se estendeu durante os dez últimos dias de maio, a indústria catarinense teve um terço de sua produção mensal comprometida. No Vale, várias empresas, sem insumos, diminuíram o ritmo e chegaram a dispensar funcionários.

A queda de 15% foi maior do que a nacional (-10,9%), confirmando que, além de índices de industrialização acima da média, Santa Catarina foi um dos estados que mais sofreu com a greve. Apenas Mato Grosso (-24,1%) e Paraná (-18,4%) tiveram desempenhos piores na passagem de abril. A Bahia também computou diminuição de 15%.

A indústria de alimentos foi uma das mais que mais sentiram a paralisação, com recuo de 20,6% na produção em maio em relação ao mesmo mês de 2017. A fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos teve um declínio ainda maior, de 21,7%.

Máquinas e equipamentos (-4%), confecção de artigos de vestuário (-7,5%), papel e celulose (-14,3%) e borracha e material plástico (-8,6%) também tiveram enormes prejuízos. A principal exceção à regra foi a metalurgia, com avanço de 15,4% do cenário de um ano para outro.

Para o consumidor, os impactos da greve não se restringiram aos dias de locomoção comprometida por causa da falta de combustíveis. Nos supermercados, produtos começaram a ficar mais caros. Puxada pela categoria de alimentos e bebidas, a inflação de junho foi de 1,26%, a maior para o mês desde 1995.

Prejuízo estendido

Vice-presidente para Assuntos Regionais da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) no Vale do Itajaí e descrito por ele próprio como um otimista por natureza, o empresário Ronaldo Baumgarten Júnior não acredita que exista espaço para a economia catarinense compensar as perdas computadas diante da greve dos caminhoneiros ainda em 2018. A Fiesc calcula que houve um prejuízo de R$ 1,67 bilhão para o setor durante esse período.

— Esse hiato que foi criado em maio não vai ser recuperado. Há uma chance muito remota disso acontecer — analisa.

Para ele, o resultado ruim já era esperado porque Santa Catarina foi um dos últimos estados brasileiros a ter o abastecimento normalizado. Ainda na avaliação do empresário, segmentos da indústria que dependem de insumos primários, que normalmente representam o primeiro item da cadeia de produção, terão uma recuperação mais rápida. Quem precisa de matérias-primas manufaturadas ainda sentirá os respingos da paralisação por mais algum tempo.

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