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    Era Carnaval: lembranças da folia em Florianópolis

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    Roberto
    Por Roberto Alves
    14/02/2021 - 08h47
    Porta bandeira Cristina Figueiredo
    Porta bandeira Cristina Figueiredo (Foto: Arquivo Pessoal)

    O samba via carnaval sempre se misturou com o futebol. Um parece estar dentro do outro. Neste fim de semana estamos mais tristes por conta da ausência do carnaval e do crescimento da pandemia, razão de toda a tristeza. Era carnaval, deveria ser, vamos revivê-lo para que a data não passe em branco.

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    Meu carnaval inicial foi na Praça XV de Novembro, onde as escolas e blocos desfilavam. Na verdade não havia esse profissionalismo de hoje, então blocos e escolas não eram muito diferentes, até porque existiam mais blocos do escolas.

    Mas uma outra atração ocupava o centro da cidade. O desfile das grandes sociedades com Granadeiros da Ilha e Tenentes do Diabo disputando títulos anualmente. Trevo de ouro por fora e depois o Limoeiro que por muitos anos assumiu a modernidade dos carros de carnaval.

    Mutação era a atração. Carros subiam manualmente com os criadores embaido deles fazendo o trabalho e as surpresas iam aparecendo. Só Florianópolis tinha este trabalho de grande arte. Os Gevaerd pelo Tenentes e a família Xavier pelo Granadeiros sociedade que vi nascer na chara do Moritz onde vivi parte da minha infância.

    Domingo, cinco horas da tarde, Sabará, um militar simpático e figura popular da cidade chegava a frente do galpão com sua corneta famosa tocava o que chamaríamos de prefixo musical anunciando a saída dos carros do galpão para se posicionar em direção a Praça XV. Momento de emoção.

    Aos poucos as ações carnavalescas foram sendo substituídas. Os bailes dos clubes foram acabando e os clubes também, o baile púbico da Praça xv até as duas da manhã com a furiosa bandinha do Cloroaldo Amaral foram dando lugar a outros eventos.

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    Surge o Municipal do Clube Doze de Agosto, criado por Lazaro Bartolomeu, e os dois ou três primeiros foram no Teatro Alvaro de Carvalho. Criamos o baile da piscina para eleger a rainha do carnaval, a As Propague assumiu o concurso da cidadã samba na escadaria da Catedral Metropolitana, surgem novas escolas, concurso dos blocos para preencher os sábados a noite feito e transmitido pela TV cultura, surge a Consulado que vira escola, volta a Coloninha que se agiganta, o desfile vai para a Paulo Fontes e em seguida para a Passarela Nego Quiridu, o carnaval se profissionaliza mas continua as custas da Prefeitura e hoje não temos carnaval.

    Dona Didi da Protegidos (E) e Uda Gonzaga da Copa Lord (D)
    Dona Didi da Protegidos (E) e Uda Gonzaga da Copa Lord (D)
    (Foto: )

    Sequer os tradicionais blocos do Lira, Doze e o Lic-Gay aos sábados no centro não existem mais.

    O velho e bom carnaval transformou-se, virou produto de televisão, os desfiles passaram para sábado a noite e nada mais.

    A TV Cultura foi parte da força do nosso carnaval por muitos anos. Debates eram feitos para esquentar o Carnaval, transmissões de todos os eventos, inclusive direto das praias e o baile à fantasia criado pelo Airton Oliveira.

    A visibilidade nacional da Philarmônica Desterrense premiada pela escolas de belas artes do Rio de Janeiro, a banda Mexe Mexe cuja atração era o Celso Pamplona e Marisa Ramos, depois o Berbigão do Boca, os sujinhos da confeitaria Chiquinho (hoje senadinho), Lagartixa, Hulk, Quido dos Bororós, os eternos Abelardo Blumemberg (aves-vous), Armandino Gonzaga, Uda Gonzaga, Silvio Serafim da Luz, Moraci Gomes, Aliatar Fraga, Helio Norberto, dona Geninha, Roleta, Eloa Miranda, Berna Santana, Zé Biguaçú, a nega Tide a eterna cidadã samba, Patricia Areas, e muita gente como Dona Didi da famosa pensão da cidade, comandada pelo saudoso Airton Oliveira fez o nosso carnaval.

    Tudo passa, tudo muda, e o nosso terceiro melhor carnaval do Brasil também já era.

    Tão famoso era que por aqui passaram para conhecer o nosso trabalho ou fazer palestras Joãozinho Trinta, Anisio Abrão , batuqueiros, mestre salas, Vila da Portela, mestres de baterias, todos os grandes nomes do Rio vieram nos visitar. 

    Diz o ditado, Recordar é viver, é o mínimo que se pode fazer.

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