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Crônica

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Por Sérgio da Costa Ramos
24/11/2018 - 05h00 - Atualizada em: 24/11/2018 - 05h00
Neymar
(Foto: )

Claro que Deus tem mais o que fazer do que ficar ouvindo apelos por times de futebol. Portando um passaporte brasileiro e sendo um “nacional”, está preocupadíssimo em salvar o Brasil – esse “rapaz” tão errático, cuja alma anda perto da perdição.

Engraçado: se Deus fosse atender a todos os sinais da cruz dos boleiros, a todos os artilheiros genuflexos, a todos os goleiros aflitos, não Lhe sobraria tempo algum para salvar, mais uma vez, o mundo e a humanidade.

Nunca se viu tanta reza, tanta mezinha, tanta simpatia - vá lá, sejamos sincréticos, nunca se viu tanta “mandinga” no futebol. Os goleiros só sossegam em seu espinhoso posto depois de uns chutinhos em cada trave, braços erguidos aos céus, num súplice apelo para tornar “inexpugnáveis” aqueles sagrados 7,32 metros de comprimento por 2,44 de altura.

O problema é que Deus deve ser ecumênico e não torcedor de um time só. Por exemplo: como é que Ele pode atender e satisfazer Avaí e Figueira ao mesmo tempo?

Torcedores de futebol – esses seres tão apaixonados, muitas vezes inspirados por Lúcifer -  aceitam rezar mais e pagar qualquer promessa, desde que, a cada jogo, o Senhor desça para ajudar o seu time a vencer. Nunca se viu tanto apelo a Deus. É só ouvir as entrevistas com os jogadores à beira do campo.

- Se Deus quiser nós vamos fazer os três pontos hoje. E se Deus quiser nós vamos ser campeões em dezembro.

Atarefado Todo Poderoso. Um Pai que deve estar ao mesmo tempo no Céu e nas arquibancadas. E no gol de todos os times. ***

Haja Deus pra tanto time, pra tanta reza. Se ambos os goleiros pedem a mesma coisa, “um corpo fechado”, por qual time jogará o Senhor? Lembro a Deus que sou um torcedor “remido” com o Céu. Minhas indulgências contam desde os tempos do Ginásio, quando fiz a Primeiras Nove Sextas-Feiras de cada mês – e comunguei, conquistando imunidades esportivas, entre outras.

Sem falar na fé imaculada de minha avó – que era avaiana, acho.

E se não era, que Deus me perdoe a piedosa “licença” do imaginário.

Que Deus nos ampare neste sábado e abençõe a ascensão do azul e branco, lá pela hora do Angelus.

 

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