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Crônica

Ilha de cinema

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Por Sérgio da Costa Ramos
23/11/2018 - 05h00 - Atualizada em: 23/11/2018 - 05h00
Cena do filme Sueño Florianópolis.
Cena do filme Sueño Florianópolis.
(Foto: )

De repente, a Ilha se transformou num tótem de adoração para sonhadores de todo o mundo. A Ilha está no grande cinema de roteiristas brilhantes, como a diretora argentina Ana Katz. “Floripa está no imaginário do mundo”, resumiu a diretora do grande sucesso “Sueño Florianópolis”, a saga de uma família argentina em férias, vivendo seu sonho de liberdade – liberdade para o corpo, para o ser, para a ousadia. Imagino Ana chegando na Ilha pela primeira vez, de avião, claro. Se o sobrevoo acorre pela orla Leste, a visitante já é homenageada pelo tapete de dunas que debrua o sudeste da Ilha à beira-mar, alongando-se pelas praias de Ingleses, Santinho, Mole, Joaquina, e Lagoa da Conceição – umbigo lacustre – para completar suas flexões, voluptuosamente, no Campeche e na Armação.

O fim dessa festa visual é o pouso no Aeroporto Hercílio Luz, depois do suave contorno à Ilha do Campeche, gratificando o visitante com a mesma primeira visão com que se encantou o lendário príncipe-piloto, Antoine de Saint-Exupéry, que ali fazia aterrissar o seu Bréguet-Latécoère no início dos anos 1930, banhado em beleza.

A partir desse primeiro presente para as retinas, a visitante pode escolher inúmeros pontos de interesse turístico na cidade plantada numa ilha em que o verde ainda pontifica e que é, ao mesmo tempo, a capital brasileira de melhor qualidade de vida, segundo a aferição da ONU para o desenvolvimento humano das cidades.

As atrações do Centro Histórico podem muito bem começar pela Catedral Metropolitana, marco da fundação da cidade pelo vicentino Dias Velho em 1675. Ali ele cravou a cruz fundamental e naquele sítio morreria, em 1687, pelas armas da vingança do pirata inglês Robert Lewis.

Em poucos minutos o adventício estará “naturalizado”, depois de um camarão recheado no Mercado Público, um chope escuro, um vinho branco geladinho ou um tinto de estirpe das vinícolas de São Joaquim.

°°°

Na hora do “Angelus”, a turista subirá, em sinal de gratidão, o Morro do Padre Doutor, ponto culminante do entorno da Lagoa da Conceição: e de lá, contemplará a inenarrável obra do Criador. A luz coada pelo poente estará penteando a crista das ondas, pintando de dourado os tobogãs marinhos e espalhando sua luminosidade impressionista àquela paisagem especial, um recanto de terras e águas que imortaliza o momento mais sublime da Criação.

Lá do alto, a visitante há de ciciar uma prece em penitência pelo seu dia de puro prazer hedonista. Se não estiver com ciúmes, o Senhor consentirá que a visitante volte.

 

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Crônicas que traduzem os sentimentos do catarinense ao tratar da cultura e características de quem vive no Estado. Este espaço deixou de ser atualizado.

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