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Crônica

Obras paradas

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Por Sérgio da Costa Ramos
03/12/2018 - 05h00 - Atualizada em: 03/12/2018 - 05h00
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O Brasil se transformou na República das Obras Paradas: nunca arrecadou tanto imposto, mas suas administrações públicas estão falidas. Não há recursos para investimento. Tudo é motivo para adiamentos e postergações. Qualquer obra – um túnel, um viaduto, uma ponte – convive com extensões e aditivos, num clima de incerteza jurídica e administrativa.

Começam as obras depois de muitas audiências públicas, editais, licitações, tribunais de contas com controles do topo “antes” e “depois”, boicotes e indefinições. Ufa! Quando finalmente parece que o “monumento” vai sair, ledo engano. A tendência é a paralisia. Veja-se o caso da duplicação da rua Antônio Edu Vieira. Depois do interminável “imbróglio” da cessão de uma faixa de terras pela UFSC, a prefeitura recebeu o terreno, iniciou a obra e a paralisou dois meses depois. O canteiro de obras jaz abandonado, a corrosão do material e o mato ganhando viço.

Antes do trevo do Córrego Grande, “concluíram” 200 metros de pista de concreto, anunciando a primeira etapa do BRT (Bus Rapid Transit).  A obra durou apenas dias. Hoje há blocos atrapalhando o “transit”, e não sabemos quando haverá “bus” e se o corredor será mesmo “rapid”. Uma obra como a do corredor urbano do BRT, que deveria durar dois/três anos se arrastará por 10, 15 – a vida de uma geração. Não por acaso, em nenhum outro país do mundo seria possível testemunhar tantos nós jurídicos, nem sempre identificados com a boa litigância. Nessa horta prosperam duas “fábricas”: a que contesta todo tipo de licitação e a que produz liminares em quantidades industriais.

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A palavra “liminar” vem do Latim “límen”, que significa “porta”, “entrada” – para indicar tudo o que se faz “no começo”, “de pronto”, “sem mais tardança”. Há, no Brasil, obras autorizadas ou embargadas há cinco, 10 anos, por força de liminares. E nem vamos falar das obras abandonadas, como a do mausoléu do poeta Cruz e Sousa. Construíram o memorial sobre uma estação de energia e, diante do erro, “esqueceram” os restos do poeta num gavetão do Palácio. Antes o tivessem deixado onde estava, no Cemitério do Caju, no Rio, onde recebia flores da família no dia de Finados.

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