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Crônica

Sinos do consumo

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Por Sérgio da Costa Ramos
21/11/2018 - 05h00 - Atualizada em: 21/11/2018 - 05h00
Decoração de Natal
(Foto: )

Está na hora de a economia sair do caixão, preveem os economistas, antecipando a “retomada do Natal”. Está inaugurada a temporada dos sinos que – ao contrário dos que dobravam pelos mortos no célebre romance de Ernest Hemingway (“Por Quem os Sinos Dobram”) – batem pela euforia dos que compram ou vendem alguma coisa, neste baile do consumo instalado na vida do homem. Dia das Mães, dos Pais, da Criança. black friday, todo dia é dia de comprar

Os diretores de criação das agências de publicidade trabalham febrilmente para, no Natal, ajudar “o bom velhinho” a gastar o 13o salário do “consumidor”, no chamado consumo “gingle bells” – olhem os sinos aí outra vez!

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Agora é assim: o comércio quer antecipar as compras, aguçar o consumo do “bom velhinho”, gastar aquele dinheirinho que o governo ainda não levou em impostos. Os supermercados estão cheios, as lojas vendem os seus artigos como pão quente -  dinheiro na mão do consumidor é pura urticária, para não repetirmos o verso daquela canção, segundo a qual “dinheiro na mão é vendaval”.

O consumismo também fabrica este sub-produto: o da ganância. Não seria a hora de o comércio ser “esganado”. Seria a hora – no jargão comercial – de reconquistar mercados, até porque o dinheirinho do povo ainda padece de visível fraqueza, exibindo as faces descoradas da recente crise – aquela efígie do Real mostrando o rosto lívido como a máscara de um anêmico. Este é um conhecido substrato do consumo. A usura. A fissura pelo lucro desmedido. Muita procura e pouca oferta.

O resultado é inflação. Que nada mais é do que o consumo acima da capacidade de produção dos bens consumidos. Um dia, os comerciantes brasileiros descobrirão aquela singela filosofia que move o mundo comercialmente civilizado. Ganhar em escala. Vender muito mais por menos. E não pouco por mais.

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Pensar em consumir não é proibido. Mas é muito mais saudável consumir não por obrigação, mas pela satisfação do mérito sem culpa, a escolha consciente e madura do “momento”, a tranqüilidade de quem não vive para comprar apenas o supérfluo. Consumam, sim, mas sem consumir-se.

 

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