publicidade

Navegue por
Upiara

Conselhos

Carta de ex-ministra a Guedes serve para Moisés

Compartilhe

Por Upiara Boschi
29/12/2018 - 14h07 - Atualizada em: 29/12/2018 - 14h21
Zélia Cardoso de Mello. Foto: José Doval/BD
Zélia Cardoso de Mello. Foto: José Doval/BD

Quem tem melhores conselhos a dar: quem teve sucesso ou quem fracassou? No início de dezembro, a revista Época convidou ex-ministros da Fazenda (ou Economia) para escreverem cartas ao futuro superministro Paulo Guedes - o escolhido pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para tocar a pasta. Dez deles aceitaram o desafio, representando todos os governos de João Figueiredo a Michel Temer.

A seus estilos, mais ou menos empoderados pelos presidentes que os nomearam, eles tocaram aquela que talvez seja a área responsável direta por sucesso e fracasso das administrações que passaram pelo Planalto. A lista traz nomes variados, dos longevos Pedro Malan (governo Fernando Henrique, também presente) e Guido Mantega (Lula e Dilma) a breves como Ciro Gomes (Itamar Franco).

Entre contextualizações dos dramas econômicos da cada época, autoelogios, apoios e críticas aos modelos que Guedes antecipa querer implantar, uma carta chama atenção pelo tom humilde e reflexivo. É da ex-ministra Zélia Cardoso de Mello, titular da Economia no início do governo Fernando Collor - com poderes semelhantes ao que agora terá o novo ministro. Sua missão era combater uma inflação que em 1989 chegou, em números acumulados, a inacreditáveis 1782,9% ao longo dos 12 meses. Ela fracassou, deixando a pasta menos de um ano e meio após assumir, em maio de 1991.

Zélia não diz a Guedes o que fazer com a economia. As sugestões são antes de tudo uma cartilha de comportamento, relacionamentos e priorizações que podem servir para todos os que assumirão posições de destaque neste 2019 – incluo aí o governador eleito Carlos Moisés  da Silva (PSL), cujos 71% dos votos e a condição de outsider na política trazem justas expectativas e enormes desafios.

A primeira dica de Zélia é escolher as batalhas, não abrir muitas frentes ao mesmo tempo (“minha experiência mostrou que é muito difícil, senão impossível, lidar com resistências por todos os lados”). Ela sugere envolver os políticos aliados nas decisões e ter paciência. “Além disso, se você encontrar aliados na imprensa e entre os políticos que entendam e possam explicar as medidas que são necessárias, sua tarefa ficará menos difícil”, completa.

Zélia também recomenda cuidado com a pressão por resultados imediatos. “Mais uma vez você vai necessitar de aliados que possam explicar que não existe milagre e que possam responder aos ataques que certamente virão, provavelmente mais cedo do que seria razoável esperar”.

Por fim, ela fala para Guedes - e vale para muitos - não abrir mão de escolher pessoas de absoluta confiança. Isso garante não apenas que a política traçada seja seguida, mas também controle sobre o que acontece no governo. Zélia brinca: “sinceramente, os funcionários podem estar jogando futebol de salão no andar de baixo e você não tem como saber. Sua única opção é ter pessoas de confiança, que por sua vez serão cercadas por outras pessoas de confiança que garantam que sua política será seguida.”

De salão ou não, o jogo vai começar. Que venha 2019. 

Deixe seu comentário:

Upiara Boschi

Upiara Boschi

Upiara Boschi

Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

publicidade

publicidade

Mais colunistas

publicidade

publicidade

Navegue por
© 2018 NSC Comunicação
Navegue por
© 2018 NSC Comunicação