publicidade

Upiara

Análise política

Fritsch (PT) defende meio-termo em taxação de agrotóxicos 

Compartilhe

Por Upiara Boschi
13/08/2019 - 06h00 - Atualizada em: 13/08/2019 - 06h00
A batalha da tributação dos agrotóxicos indica tentativa de Moisés de descolar-se da onda eleitoral que o elegeu. Surfista quase bem-sucedido da onda de 2002, o petista José Fritsch faz sugestões ao governador no tema (Foto: Daniel Conzi / Agência RBS)

José Fritsch estava na linha. Queria falar sobre a decisão do governador Carlos Moisés (PSL) de cobrar a tarifa máxima de ICMS dos agrotóxicos – ou defensivos agrícolas, como preferir –, acabando com o incentivo fiscal que zerava essa alíquota. É o tema do momento, pelo peso que a tributação tem sobre a cadeia produtiva do agronegócio e pelo debate que gera na sociedade o uso desses produtos químicos. 

Não pude deixar de lembrar que Fritsch quase foi Moisés em 2002, quando o desejo de mudança dos brasileiros tinha sinal contrário e a chamada Onda Lula mexeu com a política catarinense quase tanto quanto a Onda Bolsonaro ano passado. O petista Fritsch não era desconhecido como Moisés, pois fora prefeito de Chapecó, mas era um intruso em uma eleição desenhada para a polarização entre Esperidião Amin e Luiz Henrique. 

A bordo da onda que deu ao PT as maiores bancadas do Estado e elegeu Ideli Salvatti senadora, Fritsch ficou a menos de três pontos percentuais de ultrapassar Luiz Henrique e ir para o segundo turno – etapa em que o apoio do PT ao peemedebista foi fundamental para a virada. O resto é história. 

Voltando ao presente, Fritsch é mais um nome de esquerda a elogiar a disposição do pesselista Moisés de dificultar a vida do agrotóxico. No entanto, pela origem oestina, faz ponderações interessantes. O petista defende que haja engajamento para aprovar a Política Nacional de Redução dos Agrotóxicos –aprovada nas comissões da Câmara dos Deputados e à espera de que o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) a coloque em pauta. 

Além disso, Fritsch defende um meio-termo na taxação dos agrotóxicos. Ele pontua que podem ter imposto maior os defensivos agrícolas mais agressivos, enquanto outros continuem subsidiados.

— Precisamos ter uma política de incentivo à agricultura sem agrotóxicos não apenas na questão do imposto, porque se for só pelo imposto o produtor vai comprar nos Estados vizinhos ou até mesmo recorrer ao produto clandestino, que é muito pior. Precisamos de uma solução gradual – diz Fristch, o quase Moisés. 

Ondas vem e vão, como aconteceu com os petistas e com os pesselistas ano passado. Aos poucos, o governador parece tentar se descolar da onda que o elegeu e até mesmo do bolsonarismo – o presidente Bolsonaro está afrouxando a regras de liberação de defensivos agrícolas. Moisés parece ter escolhido esse tema como uma afirmação de identidade. A conferir se vai resistir às pressões. 

Deixe seu comentário:

Upiara Boschi

Upiara Boschi

Upiara Boschi

Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

upiara.boschi@somosnsc.com.br

publicidade

publicidade

Mais colunistas

publicidade

publicidade