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Análise política

Governador Moisés e o trilho da centro-direita

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Por Upiara Boschi
24/08/2019 - 06h10
Estilo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) estimula lideranças a ocuparem um espaço mais moderado à direita, caso de João Dória (PSDB) e Rodrigo Maia (DEM). Curiosamente, em Santa Catarina, quem ocupa essa faixa é o governador Carlos Moisés (PSL) (Foto: Guilherme Hahn / Especial)

É interessante observar que conforme o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seus auxiliares mais próximos reforçam o discurso de confronto nas mais diversas áreas, setores da política conservadora apresentam-se como opções mais lights ao bolsonarismo. Nacionalmente, o governador paulista João Dória (PSDB) e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), são os nomes mais óbvios dessa movimentação que pode resultar uma candidatura de centro-direita em 2022.

É do jogo político que presidenciável procurem um trilho a seguir, um nicho de mercado. Bolsonaro fideliza o seus entusiastas de primeira hora, os que o colocaram no páreo da disputa presidencial com um discurso sem concessões ao politicamente correto, à moderação e à contemporização. Bolsonaro é isso, enganou-se quem achou que ele baixaria o tom depois de eleito. É para estes que falam Dória e Maia, entre outros.

Aqui no Estado, por incrível que pareça, a figura que está fazendo esse papel de contraponto ao estilo Bolsonaro dentro do conservadorismo é o governador Carlos Moisés (PSL) - eleito a bordo da onda 17do ano passado. O movimento está em curso e ainda não é fácil entender o quanto dele é estratégia, o quanto é apenas estilo pessoal e quanto é, ainda, o comandante aprender o jogar o jogo político.

Na semana que passou, tivemos o ápice, até agora, desse descolamento de Moisés com o bolsonarismo mais genuíno, na contraposição entre ele e os deputados estaduais Ana Caroline Campagnolo e Jessé Lopes. Não ficou claro se o governador pediu mesmo a expulsão imediata de ambos da sigla por causa das críticas e gracejos que fizeram por discordar da taxação total dos agrotóxicos.

Certo é que um conflito de bastidores está agora exposto. Os parlamentares queixavam-se de não serem atendidos pelo governo, de não influenciarem a indicação de cargos, do desconforto de uma administração do PSL em Santa Catarina ser tão diferente em relação à federal - ambos eleitos pelo mesmo sentimento.

Moisés é um caso único na política catarinense e ainda estamos aprendendo a conhecê-lo e, mais importante, decifrá-lo. No seu entorno não parece haver preocupação com a desilusão dos bolsonaristas radicais com seu estilo de governador. Seria compensado com a adesão de eleitores mais moderados. Talvez seja esse o trilho em que o pesselista se sinta mais confortável para se locomover até 2022. Será preciso ver, no entanto, em que trem será essa viagem.

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Upiara Boschi

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Upiara Boschi

Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

upiara.boschi@somosnsc.com.br

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