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Rompe silêncio

Merisio tenta ocupar o espaço vago de anti-Moisés

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Por Upiara Boschi
17/09/2019 - 06h00
Em silêncio desde a derrota para Carlos Moisés (PSL) na disputa pelo governo ano passado, ex-deputado estadual Gelson Merison (sem partido) reaparece com seu conhecido estilo confrontador para ocupar o ainda vago espaço de oposição ao novo governo. Foto: Tiago Ghizoni

Há um ano, 17 de setembro de 2018, tudo corria dentro do planejamento de Gelson Merisio, à época no PSD, para vencer a eleição para o governo do Estado. Montou a aliança que quis, escolheu o MDB de Mauro Mariani como adversário ideal para polarizar a disputa e escolhia o momento certo para aderir à onda Jair Bolsonaro (PSL) - o que aconteceria dez dias depois, quando anunciou publicamente apoio ao então presidenciável.

A onda que Merisio pretendia surfar, no entanto, era tão grande que carregou com ela o quase desconhecido Comandante Moisés (PSL) para o segundo turno das eleições. O resto é história e você a conhece bem, leitor. O comandante virou o governador Carlos Moisés da Silva com 71% dos votos. Merisio era a velha política contra a nova e foi expressivamente derrotado - como aconteceu em cenários semelhantes no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

Merisio recolheu-se e pouco falou desde então. Agiu - mudou-se de Chapecó para Joinville disposto a operar na política local, deixou o PSD para evitar o inevitável confronto interno com Júlio Garcia e Raimundo Colombo, a influência de Jorge Bornhausen e as intervenções de Gilberto Kassab.

Agora, em entrevista no programa Cabeça de Político, Merisio rompe o silêncio e se lança a ocupar um espaço que ainda está vago desde que Carlos Moisés assumiu o governo estadual: o do opositor.

Ninguém tem mais legitimidade que isso do que ele, único na campanha eleitoral e tentar lançar desconfianças sobre as chances de sucesso de um outsider no comando da máquina do Estado. Até aqui, Moisés governa sem maiores sobressaltos. Seu maior enfrentamento se deu com o agronegócio ao tentar promover a taxação dos até então (e ainda) subsidiados defensivos agrícolas.

Nessa esteira surge Merisio, defendendo a eficácia da política fiscal construída em Santa Catarina nas últimas décadas. Mais do que isso, diz que o governo é “preguiçoso” e ausente no interior do Estado. Cita Luiz Henrique e Esperidião Amin como governadores presentes - esquece o ex-correligionário Colombo. É tudo reposicionamento.

Não existe espaço vago na política - em algum momento Moisés teria seu antípoda. Merisio se mexe para ocupar esse espaço, assim como a tentativa de viver a política a partir de Joinville. Ele diz não ter a intenção de disputar a prefeitura do maior colégio eleitoral do Estado, mas não descarta completamente. É provável mesmo que não concorra - está de olho em 2022.

Cabeça de Político #44

Veja a entrevista de Gelson Merisio no Cabeça de Político

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Upiara Boschi

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Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

upiara.boschi@somosnsc.com.br

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