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    Paulinha assume PDT da Capital e não descarta concorrer a prefeita, mas ressalta: "hoje não me sinto preparada"

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    Por Upiara Boschi
    05/12/2019 - 17h58 - Atualizada em: 05/12/2019 - 19h09
    Ex-prefeita de Bombinhas, deputado estadual Paulinha assumiu o diretório de Florianópolis na quarta-feira (Foto: Rodolfo Espínola, Agência AL/Divulgação)
    Ex-prefeita de Bombinhas, deputado estadual Paulinha assumiu o diretório de Florianópolis na quarta-feira (Foto: Rodolfo Espínola, Agência AL/Divulgação)

    A deputada estadual Paulinha assumiu oficialmente a presidência do PDT de Florianópolis. A designação oficial aconteceu na tarde de quarta-feira, pouco antes da primeira reunião da nova executiva. A pedetista construiu sua carreira política em Bombinhas, onde foi prefeita duas vezes, e diz que assume o partido na Capital para cumprir missão. Não descarta a possibilidade de ser candidata a prefeita, embora diga que hoje não se sente preparada para a disputa.

    Pela jurisprudência em vigor na Justiça Eleitoral, a parlamentar não poderia ser candidata a prefeita ano que vem por ter sido eleita para esse cargo em Bombinhas em 2012 e 2016, o que configuraria a prática de "prefeito itinerante". Há, no entanto, um tese jurídica de que em alguns casos seria possível.

    Na conversa, Paulinha faz questão de exaltar a figura do vereador Vanderlei Farias, o Lela, único da legenda na cidade, e que tem propostas para deixar o PDT. Ela prega pacificação no partido. Sobre 2020, é enfática na dúvida:

    - Estamos abertos a todos a hipóteses.

    Além do cenário pré-eleitoral, a deputada destacou a unidade de ações com o colega Rodrigo Minotto (PDT) e diz que ambos vão analisar juntos que posição tomar em relação à reforma da previdência - que começou a tramitar quarta-feira na Assembleia Legislativa.

    Leia a íntegra da conversa:

    Qual será o rumo do PDT de Florianópolis ano que vem?

    Eu acho que a tarefa número zero precisa ser edificada ainda este ano. Vamos reunir nossos pré-candidatos a vereador e vereadora, todos os filiados do PDT daqui, prestigiar o vereador Lela, que é nosso quadro que tem mandato na cidade, e tomar decisão junto com esse grupo. Não vou me colocar como autora da nossa decisão, porque ela tem que ser customizada com a participação das pessoas que de fato vão enfrentar a eleição.

    Tem vários projetos em andamento na cidade. O prefeito Gean Loureiro (DEM) e a reeleição, a pré-candidatura do vereador Pedrão pelo PL, uma frente de esquerda que tenta sair do papel. O PDT pode se encaixar em um desses projetos?

    Pode, mas também pode ter candidatura própria. E essa leitura que vamos amadurecer com nossos pré-candidatos.

    A deputada Paulinha pode ser candidata a prefeita de Florianópolis?

    Pode, por que não? Não é a minha vontade, não sou presidente do PDT para isso, quero deixar claro. Até porque a gente tem o Lela, que é um grande quadro. O Lela representa integralmente o nosso partido e pode, sim, ser nosso candidato a prefeito também, mas a gente não vai descartar nenhuma hipótese hoje.

    A senhora foi prefeita de Bombinhas antes de ser deputada estadual. Assumir o PDT de Florianópolis é uma forma de virar uma política de Florianópolis?

    Não, estou cumprindo tarefa. Hoje, a gente precisa viver um processo de conciliação. Nós tivemos um desacerto no diálogo da direção estadual para com o PDT municipal. E digo que nem foi por algum fato importante, mas pela falta de conversa. Venho para ajudar a aparar essas arestas, valorizar o que a gente tem de bom no PDT e abrir novos cenários. Essa construção tem que ser natural. Eu sou nascida em Floripa, tenho muitos familiares, meu pai é daqui, minha mãe pintava porcelana para vender na Praça XV. Eu vinha vender. Muita casa aqui deve ter porcelana pintada pela minha mãe e até mesmo por mim. Fui aluna da Esag, tenho uma história com a cidade, mas tenho que ser honesta: eu não estou preparada para ser prefeita de Florianópolis hoje. Amanhã não sei o que dizer, mas hoje eu não estou. Trabalho 16 horas por dia, mas vim para cá (Assembleia Legislativa) amparada com votos do Estado inteiro. O meu olhar neste primeiro ano como deputada passou por todas as regiões de Santa Catarina. Eu não pude sentir as dores do povo da Capital este ano. Tenho que ser justa. Não é que não possa ser candidata a prefeita amanhã, é que hoje não me sinto preparada.

    Hoje, tendo o PDT um pré-candidato a prefeito, seria o vereador Lela?

    Eu só não vou afirmar isso com certeza porque essa decisão não pode ser dita por mim. O que eu quero deixar dito é que estamos abertos a todas as hipóteses e essa é uma delas. O Lela pode ser candidato a prefeito, eu posso ser, ainda que não me sinta preparada hoje, mas o amanhã pertence a Deus. A gente pode participar de uma aliança, a gente pode estar na majoritária, a gente pode não estar na majoritária. Isso tudo vai depender desse afinamento que a gente vai edificar a partir de agora. Primeiro o PDT precisa saber qual é o seu tamanho. E também se apresentar de uma forma unificada e verdadeira perante a população. Não pode ter o grupo desse, daquele ou do outro.

    É um problema histórico do PDT catarinense…

    Agora em Santa Catarina não mais. A gente conseguiu vencer essa fase no âmbito estadual. Eu e o (deputado estadual) Rodrigo (Minotto), a gente caminha nessa casa como dois irmãos. Votamos tudo juntos. Decidimos tudo juntos.

    Teremos, em breve, um a votação polêmica que a reforma da previdência estadual. Em âmbito nacional o PDT foi contra, inclusive ameaçou de expulsão que votou a favor, como a Tábata Amaral, mas não só ela. A senhora e o Minotto já sabem como vão se posicionar aqui?

    A reforma foi lida na sessão de ontem (quarta-feira), acabou de chegar nos nossos gabinetes. Nossa primeira tarefa é ler o conteúdo legal, estudar a matéria e aí buscar um posicionamento. O que não podemos é fugir do problema. Não podemos dizer que somos contra por ser contra. Quero esclarecer: o PDT nunca foi contra reformas. Ao contrário, desde a época de Getúlio Vargas, é um partido que se pôs como um partido de reformas de base. Historicamente apresentamos grandes reformas para o país. Não éramos contra a reforma da previdência federal, quero deixar claro. Éramos contra a forma como a reforma foi trazida. Um ponto que eu absolutamente discordo é a questão dos mineiros, que aumentou para 25 anos o tempo de serviço para quem fica 100 metros embaixo da terra e morre muito mais do que qualquer outra profissão. A gente acabou tomando posição de votar contrário à reforma porque nenhuma das nossas emendas prosperaram. A reforma federal foi um trator. Aqui é outro cenário, outra condição. Não podemos ter compromisso com o erro. Sei que temos um déficit de R$ 315 milhões por mês aqui em Santa Catarina. Vamos fazer o que com essa informação? Vamos ignorar? A gente não pode ser irresponsável. Antes de nos posicionarmos, vamos estudar essa matéria em conjunto com o PDT.

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